{"id":10105,"date":"2016-07-04T13:41:07","date_gmt":"2016-07-04T16:41:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10105"},"modified":"2020-09-16T11:24:40","modified_gmt":"2020-09-16T14:24:40","slug":"economistas-veem-sinais-de-desaceleracao-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/economistas-veem-sinais-de-desaceleracao-no-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"Economistas veem sinais de desacelera\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<p>O crescimento do PIB vem desapontando desde 2011, e a infla\u00e7\u00e3o voltou ser fonte de preocupa\u00e7\u00e3o. Mas at\u00e9 pouco tempo, as oportunidades de trabalho estavam se multiplicando, e os sal\u00e1rios dos brasileiros aumentavam cada vez mais.<\/p>\n<p>Agora, por\u00e9m, economistas alertam para ind\u00edcios de uma poss\u00edvel desacelera\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m nessa \u00e1rea.<\/p>\n<p>Na semana passada, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio de Trabalho, registraram a cria\u00e7\u00e3o de 41.463 novos postos de trabalho no m\u00eas de julho &#8211; o pior resultado desde 2003. A queda em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo m\u00eas de 2012 foi de cerca de 70%.<\/p>\n<p>&#8220;As empresas j\u00e1 n\u00e3o est\u00e3o contratando e disputando profissionais como nos \u00faltimos anos&#8221;, diz Marcelo Moura, professor de macroeconomia e finan\u00e7as do Insper (Instituto de Ensino e Pesquisa). &#8220;N\u00e3o devemos ver nenhuma explos\u00e3o de desemprego nos pr\u00f3ximos meses e anos, mas h\u00e1 sinais de que os trabalhadores ter\u00e3o de enfrentar um cen\u00e1rio de oferta menor de empregos e mais dificuldade para se trocar de empresa e negociar sal\u00e1rios.&#8221;<\/p>\n<p>Fernando de Holanda Barbosa, da Escola de P\u00f3s-Gradua\u00e7\u00e3o em Economia da FGV, e Lauro Ramos, do Instituto de Pesquisas Econ\u00f4micas Aplicadas (Ipea) concordam que h\u00e1 sinais de problemas para o emprego e a renda \u2013 ainda que isso n\u00e3o signifique um retorno a n\u00edveis de desemprego de mais de 10% do in\u00edcio da d\u00e9cada.<\/p>\n<p>&#8220;O desemprego ainda vai oscilar e pode at\u00e9 voltar a cair daqui at\u00e9 o final do ano por uma quest\u00e3o de sazonalidade, mas no m\u00e9dio prazo tudo leva a crer que mudar\u00e1 gradualmente para um patamar um pouco mais alto&#8221;, acredita Ramos.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Estoques e confian\u00e7a<\/h2>\n<p>O fechamento de vagas formais medido pelo Caged em julho foi o primeiro registrado desde 2003 nas nove regi\u00f5es metropolitanas do pa\u00eds &#8211; foram eliminados 11.058 postos com carteira assinada em Salvador, Fortaleza, Belo Horizonte, Bel\u00e9m, Recife, Curitiba, Rio de Janeiro, Porto Alegre e S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Uma pesquisa da Funda\u00e7\u00e3o Get\u00falio Vargas (FGV) divulgada na \u00faltima ter\u00e7a-feira tamb\u00e9m indicou queda nas inten\u00e7\u00f5es de contrata\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria de transforma\u00e7\u00e3o at\u00e9 outubro &#8211; o que seria causado tanto por um maior ac\u00famulo de estoques, quanto por uma redu\u00e7\u00e3o no \u00edndice de confian\u00e7a dos empres\u00e1rios, que chegou a seu menor n\u00edvel em quatro anos.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o precisamos esperar uma deteriora\u00e7\u00e3o r\u00e1pida do mercado de trabalho brasileiro\u201d, diz Barbosa, lembrando que os \u00edndices atuais ainda est\u00e3o perto do que os economistas definem como \u201cpleno emprego\u201d.<\/p>\n<p>\u201cMas tamb\u00e9m n\u00e3o d\u00e1 para pensar que manteremos os n\u00edveis de crescimento da renda e ocupa\u00e7\u00e3o dos \u00faltimos anos em meio a uma desacelera\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Estat\u00edsticas<\/h2>\n<p>No ano passado, a taxa de desemprego no Brasil atingiu 5,5% &#8211; menos da metade dos cerca de 12% registrados h\u00e1 uma d\u00e9cada. Foi a taxa mais baixa da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), que teve in\u00edcio em 2002.<\/p>\n<p>A renda dos trabalhadores assalariados tamb\u00e9m subiu mais do que a infla\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos dez anos, o que ajudou a expandir a massa de sal\u00e1rios e o consumo das fam\u00edlias.<\/p>\n<p>Segundo Moura, dois fatores explicam a manuten\u00e7\u00e3o de \u00edndices de desemprego historicamente baixos em um cen\u00e1rio de desacelera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Primeiro, a falta de flexibilidade do mercado de trabalho brasileiro. Como os custos de contrata\u00e7\u00e3o e demiss\u00e3o s\u00e3o altos, os empres\u00e1rios teriam mais cautela ao fazer mudan\u00e7as em seu quadro de funcion\u00e1rios.<\/p>\n<p>Segundo, a car\u00eancia de trabalhadores qualificados. De acordo com o professor do Insper, muitas empresas hesitariam em demitir calculando que teriam dificuldade para contratar determinados profissionais se tivessem de ampliar a produ\u00e7\u00e3o em um futuro pr\u00f3ximo, ou que teriam de dedicar mais tempo e recursos no treinamento de novos quadros.<\/p>\n<p>Desde dezembro, por\u00e9m, o \u00edndice de desemprego medido pelo IBGE subiu de 4,8% para 5,6%, em julho.<\/p>\n<p>\u00c9 verdade que a taxa havia atingido 6% em junho \u2013 e, portanto, caiu quatro pontos percentuais no \u00faltimo m\u00eas. Mas Ramos atribui tal queda a uma sazonalidade.<\/p>\n<p>\u201cNa realidade a surpresa foi que o \u00edndice se mantivesse alto em junho\u201d, diz o especialista do IPEA. &#8220;E como o segundo semestre de 2012 foi um per\u00edodo relativamente bom, uma compara\u00e7\u00e3o com os dados do ano passado deve tornar mais vis\u00edvel essa deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho brasileiro em 2013.&#8221;<\/p>\n<p>Os dados do IBGE tamb\u00e9m mostraram uma redu\u00e7\u00e3o de 0,9% no poder de compra dos trabalhadores entre junho e julho. Foi a quinta contra\u00e7\u00e3o consecutiva nesse \u00edndice registrada pelo instituto.<\/p>\n<h2 class=\"story-body__crosshead\">Consequ\u00eancias<\/h2>\n<p>Para os economistas, as consequencias de uma poss\u00edvel mudan\u00e7a nos n\u00edveis de emprego e crescimento da renda dos trabalhadores brasileiros ainda n\u00e3o est\u00e3o claras.<\/p>\n<p>&#8220;O bom desempenho do mercado de trabalho &#8211; e em especial o crescimento da massa de sal\u00e1rios &#8211; ajudou a puxar o PIB nos \u00faltimos anos, e o grande risco \u00e9 que o consumo das fam\u00edlias deixe de ser um dos motores da economia sem que tenhamos um outro candidato para assumir o posto\u201d, acredita Ramos.<\/p>\n<p>H\u00e1 certo consenso de que uma eventual desacelera\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho teria impactos pol\u00edticos, embora haja diverg\u00eancias sobre a natureza desses impactos.<\/p>\n<p>E se por um lado quest\u00f5es como o crescimento da inadimpl\u00eancia causam alguma preocupa\u00e7\u00e3o, tamb\u00e9m h\u00e1 quem defenda que a economia brasileira n\u00e3o s\u00f3 pode conviver muito bem com um aumento moderado da taxa de desemprego, como tal aumento pode lhe trazer vantagens.<\/p>\n<p>&#8220;Muita gente acredita que um ajuste em diversas \u00e1reas da economia era necess\u00e1rio e as demiss\u00f5es seriam uma express\u00e3o desse processo no mercado de trabalho&#8221;, diz Marcos Troyjo, do laborat\u00f3rio de estudos sobre os BRICS da Universidade de Columbia.<\/p>\n<p>Para ele, antes de se preocupar com uma eventual desacelera\u00e7\u00e3o desse mercado \u00e9 preciso entender o alvo dos ajustes.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 possivel que algumas demiss\u00f5es resultem do esfor\u00e7o das empresas para se tornarem mais eficientes &#8211; o que teria um efeito positivo para a economia no m\u00e9dio prazo\u201d, diz ele, lembrando que no Brasil h\u00e1 muitos postos que j\u00e1 n\u00e3o existem em outros pa\u00edses, como frentistas, ascensoristas e despachantes.<\/p>\n<p>\u201cJ\u00e1 se os que come\u00e7arem a ir para a rua forem trabalhadores qualificados, dentro de um processo de redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o, queda dos investimentos e deteriora\u00e7\u00e3o das expectativas dos empres\u00e1rios, ent\u00e3o o quadro ser\u00e1 mais preocupante.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">BBC Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O crescimento do PIB vem desapontando desde 2011, e a infla\u00e7\u00e3o voltou ser fonte de preocupa\u00e7\u00e3o. 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