{"id":10124,"date":"2016-07-05T14:35:11","date_gmt":"2016-07-05T17:35:11","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10124"},"modified":"2016-07-05T14:35:11","modified_gmt":"2016-07-05T17:35:11","slug":"as-vantagens-de-morar-bem-longe-do-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/as-vantagens-de-morar-bem-longe-do-trabalho\/","title":{"rendered":"As vantagens de morar (bem) longe do trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Kite n\u00e3o abriu m\u00e3o de sua carreira. Ao contr\u00e1rio, ele passou a viajar quil\u00f4metros e quil\u00f4metros para chegar ao trabalho.<\/p>\n<p>Casos como o dele est\u00e3o se tornando t\u00e3o comuns em alguns pa\u00edses que esses profissionais ganharam at\u00e9 um nome em ingl\u00eas: &#8220;super-commuters&#8221;, ou pessoas que viajam mais de 150 quil\u00f4metros para chegar a seu local de trabalho.<\/p>\n<p>Mas, ao contr\u00e1rio dos trabalhadores comuns, os &#8216;super-commuters&#8217; n\u00e3o se deslocam diariamente \u2013 preferiram trocar isso por uma viagem semanal ou quinzenal ao trabalho, para poder gozar de um estilo de vida mais agrad\u00e1vel do que quando moravam mais perto.<\/p>\n<p>Kite, por exemplo, percorre de avi\u00e3o os 965 quil\u00f4metros que o separam de Londres a cada duas semanas, e concentra seus pacientes nos dias em que est\u00e1 na capital brit\u00e2nica. Nesses dias, ele aluga um quarto perto de seu consult\u00f3rio.<\/p>\n<p>Logo que optou pelo novo estilo de vida, sua renda caiu. Mas, agora, o custo bem menor de morar no interior da Fran\u00e7a (em compara\u00e7\u00e3o com a car\u00edssima Londres) e o uso de passagens e acomoda\u00e7\u00f5es baratas compensaram a ponto de poder saldar antigas d\u00edvidas.<\/p>\n<p>&#8220;Tenho muito mais qualidade de vida&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Especialistas que se dedicam ao estudo dos deslocamentos di\u00e1rios de trabalhadores nas grandes cidades estimam que existam centenas de milhares de &#8220;super-commuters&#8221; em v\u00e1rias partes do mundo.<\/p>\n<p>Segundo eles, isso se deve principalmente aos avan\u00e7os da tecnologia e \u00e0 prolifera\u00e7\u00e3o das companhias a\u00e9reas de baixo custo. Juntos, esses fatores tornam mais baratas e mais f\u00e1ceis as viagens de longa dist\u00e2ncia de casa para o trabalho.<\/p>\n<p>Na Europa, por exemplo, companhias a\u00e9reas como a Easyjet e a Ryanair agora oferecem um total de mil rotas, e o pre\u00e7o das passagens \u00e0s vezes chega a US$ 50 (aproximadamente R$ 160), praticamente o mesmo pre\u00e7o de um passe semanal para o metr\u00f4 em Londres.<\/p>\n<p>Segundo a Easyjet, uma parcela cada vez maior de seus 12 milh\u00f5es de passageiros na classe &#8220;business&#8221; viaja entre a casa e o trabalho.<\/p>\n<p><strong>EUA e Oriente M\u00e9dio<\/strong><\/p>\n<p>Entre 2002 e 2009, o Centro de Estudos do Transporte da Universidade de Nova York descobriu que o n\u00famero de &#8220;super-commuters&#8221; em Houston, no Texas, dobrou para 251.299, representando 13,2% dos trabalhadores da cidade.<\/p>\n<p>Em Manhattan, esse grupo cresceu 60%, chegando a 59 mil pessoas, a maioria vinda da Filad\u00e9lfia, a 161 quil\u00f4metros. Um dos deslocamentos mais populares dos Estados Unidos ocorre no Arizona: cerca de 55 mil pessoas que vivem em Tucson e trabalham em Phoenix, percorrendo diariamente 322 quil\u00f4metros ida e volta.<\/p>\n<p>Esses deslocamentos podem ser ainda maiores em alguns casos. A Pol\u00edcia Metropolitana de Londres teve um funcion\u00e1rio que vinha da Nova Zel\u00e2ndia, a 19 mil quil\u00f4metros. Ele trabalhava durante dois meses consecutivos e tirava os dois meses seguintes de folga.<\/p>\n<p>E estima-se que cerca de 300 mil libaneses fa\u00e7am voos de tr\u00eas horas para trabalhar no Golfo P\u00e9rsico, em geral no setor de petr\u00f3leo, mas mant\u00eam sua resid\u00eancia no L\u00edbano.<\/p>\n<p><strong>Menos estresse<\/strong><\/p>\n<p>David Furlong, corretor de finan\u00e7as de 52 anos, recentemente comprou uma casa no sul da Fran\u00e7a e viaja semanalmente para Londres. Isso s\u00f3 foi poss\u00edvel, no entanto, porque sua empresa permite que ele trabalhe de casa um dia por semana.<\/p>\n<p>Para ele, o custo de manter dois endere\u00e7os residenciais \u00e9 compensado pela possibilidade de passar fins de semana prolongados em um lugar ensolarado e tranquilo.<\/p>\n<p>Furlong conta que tomou a decis\u00e3o de mudar de vida quando perdeu v\u00e1rios amigos e colegas por problemas de sa\u00fade precoces, que ele atribui ao estresse. &#8220;Percebi que precisava encontrar um equil\u00edbrio na vida&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Um dos &#8220;super-commuters&#8221; de Nova York \u00e9 o marido de Megan Bearce, autora do livro <i>Super Commuter Couples: Staying Together When a Job Keeps You Apart<\/i>(&#8220;Casais super-commuters: Como seguir juntos quando um emprego os mant\u00eam separados&#8221;).<\/p>\n<p>Quatro anos atr\u00e1s, apenas seis meses depois de a fam\u00edlia se instalar em Minneapolis, o marido de Bearce conseguiu um emprego dos sonhos em Nova York, a mais de 1,6 mil quil\u00f4metros de dist\u00e2ncia.<\/p>\n<p>O casal resolveu tentar sua sorte e n\u00e3o se arrepende. &#8220;A experi\u00eancia tem sido maravilhosa&#8221;, diz a autora, ressaltando, no entanto, que pessoas que estejam considerando a hip\u00f3tese de se mudar para mais longe do trabalho &#8220;pensem bem nos custos financeiros e emocionais&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Resultado da crise<\/strong><\/p>\n<p>Mas nem todo mundo que opta pelos grandes deslocamentos o faz porque quer.<\/p>\n<p>Com a crise global iniciada em 2008, muitos americanos encontraram dificuldades para vender suas casas em algumas \u00e1reas do pa\u00eds, e o mercado de trabalho encolheu drasticamente. &#8220;As pessoas foram obrigadas a procurar empregos mais longe de casa, sem poderem se mudar&#8221;, lembra Bearce.<\/p>\n<p>Na Espanha, tamb\u00e9m atingida pela longa recess\u00e3o, algo parecido aconteceu. Eudald Ayats, engenheiro qu\u00edmico de 35 anos, mora em Barcelona, mas n\u00e3o teve d\u00favidas quando conseguiu um trabalho em Bruxelas, a duas horas de avi\u00e3o.<\/p>\n<p>Ele negociou com a empresa uma ajuda de custo para as viagens e a acomoda\u00e7\u00e3o e aceitou o emprego, deixando sua companheira na capital catal\u00e3 enquanto ele vai \u00e0 B\u00e9lgica de segunda a sexta. &#8220;Nossa situa\u00e7\u00e3o financeira melhorou e n\u00f3s dois adoramos o que fazemos&#8221;, conta.<\/p>\n<p><strong>Plano B<\/strong><\/p>\n<p>No entanto, qualquer que seja o motivo para pensar em adotar os grandes deslocamentos, aqueles que j\u00e1 tentaram recomendam cautela.<\/p>\n<p>&#8220;Tenha um Plano B para o caso de a experi\u00eancia n\u00e3o se mostrar compensadora depois de seis meses&#8221;, diz Bearce.<\/p>\n<p>Kite sugere testar o novo modo de vida antes de fazer uma mudan\u00e7a definitiva.<\/p>\n<p>Terrence Karner, da consultoria Deloitte, em Chicago, est\u00e1 no meio de uma temporada de seis meses no escrit\u00f3rio da empresa em Nova York, em busca de melhores oportunidades. Ele viaja semanalmente entre uma cidade e outra e, enquanto se sente estimulado profissionalmente, percebe as press\u00f5es que a dist\u00e2ncia coloca em seu casamento.<\/p>\n<p>&#8220;\u00c9 important\u00edssimo compreender os esfor\u00e7os que seu parceiro faz quando voc\u00ea n\u00e3o est\u00e1 em casa&#8221;, afirma. &#8220;Sei que minha mulher est\u00e1 sempre ocupada com a casa e as crian\u00e7as.&#8221;<\/p>\n<p>Apesar das saudades, o casal acredita que a experi\u00eancia est\u00e1 valendo a pena. &#8220;Foi algo que fizemos fora de nossa zona de conforto, mas as oportunidades que tenho em Nova York s\u00e3o um grande benef\u00edcio&#8221;, conta. &#8220;Pode ser um clich\u00ea, mas a economia global exige cada vez mais esse tipo de comprometimento.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: BBC Brasil<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Kite n\u00e3o abriu m\u00e3o de sua carreira. 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