{"id":10151,"date":"2016-07-06T11:38:10","date_gmt":"2016-07-06T14:38:10","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10151"},"modified":"2016-07-06T11:38:10","modified_gmt":"2016-07-06T14:38:10","slug":"voce-esta-sabotando-sua-carreira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/voce-esta-sabotando-sua-carreira\/","title":{"rendered":"Voc\u00ea est\u00e1 sabotando sua carreira?"},"content":{"rendered":"<p class=\"story-body__introduction\">Aos 47 anos, Thomas Sommer chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que era o momento de mudar a maneira de trabalhar. Depois de 20 anos em v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es no banco Credit Suisse, ele se sentia exausto e sem rumo.<\/p>\n<p>&#8220;Os valores da empresa n\u00e3o coincidiam mais com os meus. Meu cora\u00e7\u00e3o me pedia mudan\u00e7as, dizia que eu n\u00e3o estava conseguindo mais impacto com o meu trabalho, mas minha cabe\u00e7a n\u00e3o queria escutar&#8221;, lembra.<\/p>\n<p>Ainda assim, ele continuou no emprego por mais tr\u00eas anos, em jornadas de trabalho de 14 horas, que inclu\u00edam longas viagem di\u00e1rias de trem da Alemanha, onde vive, at\u00e9 Zurique, na Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>At\u00e9 que, em 2012, justamente antes da mais importante reuni\u00e3o do ano, Sommer teve uma crise de p\u00e2nico. Ficou nove meses de licen\u00e7a.<\/p>\n<p><strong>Desconfian\u00e7a<\/strong><\/p>\n<p>Para o alem\u00e3o, foi um caso de autossabotagem. &#8220;Repetia para mim mesmo que ningu\u00e9m me daria um emprego quando chegasse aos 50 anos. Tinha uma fam\u00edlia para sustentar&#8221;, diz Sommer, refletindo sobre o porqu\u00ea de n\u00e3o ter feito as mudan\u00e7as de que precisava.<\/p>\n<p>&#8220;Mas meu corpo tomou a decis\u00e3o por mim e me tirou de campo&#8221;.<\/p>\n<p>O caso do alem\u00e3o n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico. Segundo especialistas, a autossabotagem pode afetar qualquer um de n\u00f3s, como express\u00e3o b\u00e1sica da falta de autoconfian\u00e7a e de interesse. Em 2014, uma pesquisa do Instituto Gallup nos EUA revelou que 51% dos trabalhadores n\u00e3o se sentiam comprometidos com seu trabalho e que 17,5% se viam &#8220;desvinculados&#8221;.<\/p>\n<p>Autor do livro <i>O Grande Salto<\/i>, o americano Gay Hendricks explica que a autossabotagem nada mais \u00e9 que uma rea\u00e7\u00e3o \u00e0 chegada a um limite pessoal, seja em termos der sucesso, de criatividade ou mesmo de harmonia em uma rela\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hendricks identifica quatro temores por tr\u00e1s dessa rea\u00e7\u00e3o negativa do subconsciente de dar um passo adiante: sentirmos que temos defeitos, preocuparmo-nos com a possibilidade de n\u00e3o sermos fi\u00e9is a nossas ra\u00edzes, acreditarmos que mais sucesso trar\u00e1 uma maior responsabilidade, e termos medo de ofuscar os outros.<\/p>\n<p>&#8220;Quando come\u00e7amos a nos abrir para nossas habilidades \u00fanicas, n\u00f3s tamb\u00e9m passamos a conhecer uma vers\u00e3o muito maior de n\u00f3s mesmos. Quando o fazemos, topamos com o que chamamos de &#8216;problema do limite m\u00e1ximo&#8217;, porque isso desperta temores em n\u00f3s mesmos&#8221;, explica Hendricks.<\/p>\n<p>&#8220;Todos sabemos o que sente um perdedor, porque aprendemos andar e ca\u00edmos muitas vezes. Mas muitos poucos conhecer\u00e3o a sensa\u00e7\u00e3o de \u00eaxito at\u00e9 que incorporemos isso sem nos autossabotar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Comprometimento\u00a0<\/strong><\/p>\n<p>Uma principais medidas a serem tomadas \u00e9 reconhecer os sintomas da autossabotagem. Eles podem ser desde pensamentos negativos a a\u00e7\u00f5es como comer em demasia antes de uma reuni\u00e3o importante. Em vez de enviarmos sangue ao c\u00e9rebro, enviamos ao est\u00f4mago. Estamos nervosos, preocupados ou, de forma inconsciente, queremos demonstrar que n\u00e3o somos bons oradores.<\/p>\n<p>Possivelmente, estamos nos sentindo inadequados ou incompetentes e uma apresenta\u00e7\u00e3o med\u00edocre \u00e9 a prova de que precis\u00e1vamos.<\/p>\n<p>Mas a autossabotagem cruza fronteiras e pode facilmente sair do escrit\u00f3rio para a casa. Algo como receber uma promo\u00e7\u00e3o e no mesmo dia come\u00e7ar uma briga com o (a) parceiro (a) &#8211; avan\u00e7o em uma \u00e1rea e retrocesso na outra. Para Hendricks, o problema b\u00e1sico \u00e9 alcan\u00e7ar o limite m\u00e1ximo das sensa\u00e7\u00f5es positivas que podemos &#8220;gerenciar&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Ter a disposi\u00e7\u00e3o de se sentir bem e fazer com que a vida v\u00e1 bem todo o tempo \u00e9 um ato genuinamente radical&#8221;.<\/p>\n<p>A autossabotagem pode ocorrer tamb\u00e9m sob a forma de um comprometimento excessivo ou com o ato de impor obst\u00e1culos cada vez mais altos. \u00c9 o que outro autor de livros de autoajuda, Erwin Oberender, descreve com uma situa\u00e7\u00e3o em que &#8220;n\u00e3o se pode tirar o p\u00e9 do acelerador&#8221;.<\/p>\n<p>Ele menciona o caso de um executivo de um montadora que se queixava frequentemente de insatisfa\u00e7\u00e3o com seu trabalho, embora tivesse obtido sucesso em muitos pontos de sua vida.<\/p>\n<p>&#8220;A cada vez que estava para conseguir alguma coisa, aparecia outro objetivo no horizonte&#8221;, conta Oberender.<\/p>\n<p>Seus m\u00e9todos envolvem uma s\u00e9rie de disciplinas, incluindo a repeti\u00e7\u00e3o de frases como &#8220;\u00c9 permitido ser imperfeito&#8221; ou &#8220;\u00c9 permitido reter parte da minha energia e conserv\u00e1-la para outras tarefas&#8221;.<\/p>\n<p>Foi assim que o cliente de Oberender come\u00e7ou a reconhecer sua autossabotagem. &#8220;Ele encontrou os freios e decidiu, conscientemente, quais projetos deveria acelerar ou frear&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Sintomas<\/strong><\/p>\n<p>Mas nem sempre criar obst\u00e1culos \u00e9 autossabotagem. Se uma pessoa n\u00e3o se considera \u00e0 altura de uma miss\u00e3o, isso pode ser tamb\u00e9m uma rea\u00e7\u00e3o saud\u00e1vel baseada em uma autoavalia\u00e7\u00e3o precisa.<\/p>\n<p>Para a psic\u00f3loga alem\u00e3 Ilse Schmidt-Zimmermann, um ato de autossabotagem pode tamb\u00e9m ser um ato de sobreviv\u00eancia que ajuda a evitar desafios para quem n\u00e3o est\u00e1 pronto.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode ser o processo de cria\u00e7\u00e3o de circunst\u00e2ncias como o equil\u00edbrio entre o trabalho e a vida familiar ou a decis\u00e3o de dedicar mais tempo ao trabalho volunt\u00e1rio, mesmo que isso comprometa uma promo\u00e7\u00e3o futura.<\/p>\n<p>Preston Ni, autor do livro <i>How to Let Go of Negative Thoughts and Emotions<\/i>(<i>Como <\/i><i>deixar para tr\u00e1s pensamentos e emo\u00e7\u00f5es negativas<\/i>, em tradu\u00e7\u00e3o livre), define a autossabotagem como um conjunto de pensamentos negativos. E recomenda um ajuste de mentalidade por meio de um di\u00e1logo interno positivo.<\/p>\n<p>&#8220;Trata de trocar o &#8216;n\u00e3o consigo&#8217; por &#8216;aprenderei no caminho'&#8221;, explica Ni.<\/p>\n<p>&#8220;Tamb\u00e9m o &#8216;n\u00e3o estou pronto&#8217; por &#8216;ningu\u00e9m se candidatando a este emprego tampouco est\u00e1 pronto, e assim vou fazer o melhor poss\u00edvel'&#8221;.<\/p>\n<p>Outra ideia \u00e9 transformar o objetivo em uma obra em progresso. &#8220;Um trabalho em marcha \u00e9 sempre positivo se o movimento \u00e9 na dire\u00e7\u00e3o correta&#8221;.<\/p>\n<p>De &#8220;v\u00edtima&#8221;, Sommer hoje auxilia pessoas a tomarem a dire\u00e7\u00e3o correta. Ele presta consultoria e conta como ideias perfeccionistas e a incapacidade para admitir fraquezas o mantiveram em um trabalho que detestava.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\" target=\"_blank\">BBC Brasil<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aos 47 anos, Thomas Sommer chegou \u00e0 conclus\u00e3o de que era o momento de mudar a maneira de trabalhar. Depois de 20 anos em v\u00e1rias fun\u00e7\u00f5es no banco Credit Suisse, ele se sentia exausto e sem rumo. &#8220;Os valores da empresa n\u00e3o coincidiam mais com os meus. 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