{"id":10280,"date":"2016-07-15T13:37:23","date_gmt":"2016-07-15T16:37:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10280"},"modified":"2016-07-15T13:37:23","modified_gmt":"2016-07-15T16:37:23","slug":"desemprego-faz-recem-formados-optarem-por-carreiras-alternativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/desemprego-faz-recem-formados-optarem-por-carreiras-alternativas\/","title":{"rendered":"Desemprego faz rec\u00e9m-formados optarem por carreiras &#8216;alternativas&#8217;"},"content":{"rendered":"<p>Eles s\u00e3o jovens e t\u00eam ensino superior completo, est\u00e3o com o diploma nas m\u00e3os, e cheios de g\u00e1s para entrar no mercado de trabalho. Alguns tem flu\u00eancia em l\u00ednguas estrangeiras e especializa\u00e7\u00f5es. Mesmo assim, n\u00e3o conseguiram emprego na \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o e a\u00ed, quando a responsabilidade bateu na porta, precisaram recorrer a outros cargos ou outras carreiras para ganhar dinheiro.<\/p>\n<p>S\u00e3o pessoas como o Breno, que tem diploma em arquivologia, mas vendeu chup-chups e trabalhou como frentista em um posto de combust\u00edvel para pagar as contas. Ou como Geovana, que \u00e9 jornalista por forma\u00e7\u00e3o, mas ganha dinheiro como maquiadora. Ou ent\u00e3o como a Luana, que \u00e9 bacharel em direito, mas decidiu vender brownies. E tem tamb\u00e9m a Emilly, que \u00e9 formada em hist\u00f3ria, mas d\u00e1 aulas de ingl\u00eas.<\/p>\n<p><strong>Expectativa: conquistar um cargo na \u00e1rea de arquivologia<br \/>\nRealidade: emprego como vendedor de chup-chups e frentista<\/strong><br \/>\n\u201cEu acreditava que ap\u00f3s a sa\u00edda da universidade, com um diploma em m\u00e3os, as portas do mercado de trabalho se abririam\u201d, comenta Breno Silveira, de 20 anos. Ele faz parte de uma gera\u00e7\u00e3o de diplomados despejada num mercado de trabalho que n\u00e3o parece estar sendo acolhedor para a maioria.<\/p>\n<p>Formado em arquivologia em fevereiro deste ano, Breno distribuiu curr\u00edculos mesmo antes de se formar. Foram pelo menos quatro meses de busca por uma fun\u00e7\u00e3o na \u00e1rea de forma\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tendo recebido nenhuma resposta positiva, ele decidiu vender chup-chups para pagar as contas.<\/p>\n<p>\u201cProcurei algo de imediato que pudesse me demandar pouco tempo de trabalho e dinheiro relativamente r\u00e1pido\u201d, explica. Algumas semanas depois, Breno recebeu uma proposta para trabalhar como frentista em um posto de combust\u00edveis e aceitou. Entretanto, a rotina puxada, que o atrapalhava a estudar para concursos, o fez desistir do emprego.<\/p>\n<p>\u201cEu queria estar l\u00e1 pra ter algum trabalho, mas ainda assim estudar para concursos e tentar empregos na minha \u00e1rea. Era algo tempor\u00e1rio. Eu ficava muito cansado, perdi meu tempo para estudar, e ent\u00e3o resolvi sair\u201d, diz.<\/p>\n<p>Agora, os planos s\u00e3o se dedicar aos estudos e se diferenciar da concorr\u00eancia para conquistar uma vaga na \u00e1rea de arquivologia. \u201cDecidi apertar um pouco as coisas e s\u00f3 estudar. Quero passar em um concurso, se poss\u00edvel, na \u00e1rea pela qual eu sou apaixonado\u201d, sonha.<\/p>\n<p><strong>Expectativa: conquistar um cargo na \u00e1rea de jornalismo<br \/>\nRealidade: investir na \u00e1rea de maquiagem para ganhar dinheiro<\/strong><br \/>\nFormada em agosto de 2015 na Universidade Federal do Esp\u00edrito Santox (Ufes), a jornalista Geovana Chryst\u00eallo viu todo o esfor\u00e7o ir por \u00e1gua abaixo ao n\u00e3o conseguir ser contratada.<\/p>\n<p>\u201cMandei curr\u00edculo para todas as vagas que surgiram, mas n\u00e3o tive retorno de nenhuma. E a\u00ed vem o questionamento: \u2018ser\u00e1 que eu estou errada? ser\u00e1 que tem algum problema comigo?\u2019\u201d, desabafou.<\/p>\n<p>Ela conta que o sentimento de frustra\u00e7\u00e3o \u00e9 o que prevalece diante de tantos \u2018n\u00e3os\u2019 ainda no in\u00edcio da carreira.<\/p>\n<p>\u201cEu fico totalmente frustrada, porque eu achei que passando em uma Federal eu teria um diferencial. Estagiei em um bom lugar, me dediquei, tive uma boa experi\u00eancia, e a\u00ed chega aqui fora e \u00e9 como se eu n\u00e3o tivesse valor nenhum no mercado\u201d, diz.<\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o para n\u00e3o ficar parada foi investir em algo de que sempre gostou: a maquiagem. Bastou o empurr\u00e3ozinho de uma amiga para ela apostar na ideia como uma alternativa para ganhar dinheiro.<\/p>\n<p>\u201cSempre gostei de assistir tutoriais e estava mandando curr\u00edculo e n\u00e3o conseguia nada na \u00e1rea, ent\u00e3o uma amiga falou para fazer maquiagem para fora. No come\u00e7o eu fiquei indecisa, porque n\u00e3o tinha confian\u00e7a, mas no desespero eu comecei e agora estou fazendo cursos.\u00a0 N\u00e3o salvou a minha vida, mas est\u00e1 sendo uma salva\u00e7\u00e3o nesse instante\u201d, explica.<\/p>\n<p><strong>Expectativa: conquistar um cargo na \u00e1rea de direito<br \/>\nRealidade: transformar um hobby em uma profiss\u00e3o<\/strong><br \/>\nBacharel em direito, Luana Moraes, de 24 anos, tamb\u00e9m viu num hobby a oportunidade de conciliar todas as obriga\u00e7\u00f5es. Alguns meses ap\u00f3s o fim da faculdade, ela descobriu que esperava o primeiro filho, Enzo, hoje com um ano de idade.<\/p>\n<p>Se a crise econ\u00f4mica parecia deixar a t\u00e3o sonhada vaga de emprego distante da realidade, a chegada do beb\u00ea complicou ainda mais a situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem muitas op\u00e7\u00f5es, ela chegou a trabalhar na Secretaria Estadual de Educa\u00e7\u00e3o (Sedu), mas em uma fun\u00e7\u00e3o que n\u00e3o tinha rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea de direito.<\/p>\n<p>Depois do nascimento do filho, ela chegou a tentar abrir uma sociedade com uma ex-colega de faculdade, que tamb\u00e9m estava desempregada, mas a ideia n\u00e3o foi \u00e0 frente.<\/p>\n<p>\u201cTentamos abrir um escrit\u00f3rio s\u00f3 n\u00f3s duas, mas ficou apertado financeiramente, vimos que n\u00e3o ia ter jeito\u201d, disse.<\/p>\n<p>Descartada a ideia de montar o pr\u00f3prio neg\u00f3cio na \u00e1rea jur\u00eddica, ela precisou avaliar outras possibilidades. \u201cEu tinha duas op\u00e7\u00f5es: ou eu entrava no mercado ganhando um sal\u00e1rio inferior, depois de cinco anos de estudo, ou eu optava por ter meu tempo em casa, trabalhando em algo que me permitisse estar perto do meu filho. A\u00ed veio a ideia de fazer o brownie\u201d, contou.<\/p>\n<p>Mesmo recente, o neg\u00f3cio tem gerado bons frutos. \u201cPor enquanto est\u00e1 \u00f3timo. Estou recebendo encomendas toda semana, as pessoas me procuram para anivers\u00e1rios, casamentos. Estou feliz!\u201d, garantiu.<\/p>\n<p><strong>Expectativa: conquistar um cargo de professora de hist\u00f3ria em uma escola<br \/>\nRealidade: dar aulas de ingl\u00eas e usar a forma\u00e7\u00e3o em hist\u00f3ria para complementar a renda<\/strong><br \/>\nNo caso de Emilly Ucceli, de 25 anos, o diploma em licenciatura em hist\u00f3ria, da Universidade Federal de Vi\u00e7osa, tem servido apenas para complementar a renda. Depois de voltar para a cidade natal, Guarapari, e enfrentar uma s\u00e9rie de experi\u00eancias profissionais, ela ganha a vida dando aulas, mas de ingl\u00eas.<\/p>\n<p>\u201cVoltei para Guarapari, mas n\u00e3o tinha experi\u00eancia na \u00e1rea. Ent\u00e3o comecei a trabalhar como assessora na C\u00e2mara de Vereadores. Depois, monitorei uma dependente qu\u00edmica em uma cl\u00ednica de reabilita\u00e7\u00e3o\u201d, contou.<\/p>\n<p>Em 2014, ela conseguiu vaga como professora de hist\u00f3ria em uma escola particular. Mas a institui\u00e7\u00e3o decidiu reduzir o n\u00famero de turmas e ela acabou sendo demitida por corte de verbas. Foi a\u00ed que ela viu a oportunidade de usar o conhecimento na l\u00edngua inglesa para n\u00e3o ficar parada.<\/p>\n<p>\u201cA professora de ingl\u00eas dessa mesma escola entrou de licen\u00e7a maternidade. Como eu j\u00e1 estava saindo, me candidatei para a vaga e acabei permanecendo\u201d, disse.<\/p>\n<p>Mas a oportunidade n\u00e3o durou muito tempo e ela precisou deixar o emprego na escola. Foi a\u00ed que ela decidiu continuar dando aulas particulares, de forma independente. Depois, passou a ensinar ingl\u00eas em um curso particular de l\u00edngua estrangeira.<\/p>\n<p>\u201cHoje a minha renda principal vem das aulas de ingl\u00eas, as aulas particulares de hist\u00f3ria s\u00e3o um complemento, e eu n\u00e3o vejo muita perspectiva para voltar para a \u00e1rea de hist\u00f3ria\u201d<\/p>\n<p>Com o diploma de hist\u00f3ria praticamente engavetado, ela lamenta n\u00e3o ter encontrado, ainda, uma oportunidade melhor de exercer a profiss\u00e3o com a qual sempre sonhou em trabalhar.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o sou extremamente frustrada porque eu estou atuando como professora, mas tem dias que eu acordo pensando que queria tanto estar dentro de uma sala de aula dando aula de hist\u00f3ria&#8230;\u00a0 A gente tem g\u00e1s, quer trabalhar de manh\u00e3, \u00e0 tarde e \u00e0 noite, se sujeita a ganhar um sal\u00e1rio menor, mas n\u00e3o consegue colocar em pratica o nosso sonho\u201d, lamentou.<\/p>\n<p><strong>O que dizem especialistas<\/strong><br \/>\nDe acordo com psic\u00f3logas respons\u00e1veis pelo recrutamento de profissionais em empresas do estado, a situa\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica vivida pelo pa\u00eds atualmente n\u00e3o \u00e9 favor\u00e1vel para a entrada no mercado de trabalho. Pelo contr\u00e1rio, com o n\u00famero de trabalhadores desempregados, a concorr\u00eancia pelas vagas tem se tornado ainda maior.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma quest\u00e3o de empregabilidade mesmo, est\u00e1 faltando oportunidade. Na verdade, sempre faltou, mas por conta da crise elas diminu\u00edram ainda mais\u201d, disse a psic\u00f3loga e coach Sarah Rosado.<\/p>\n<p>Yasmin Cheibub, que tamb\u00e9m \u00e9 psic\u00f3loga e coach, concorda. \u201cEssa quest\u00e3o n\u00e3o \u00e9 nova, \u00e9 recorrente. Desde que os tempos s\u00e3o tempos a gente tem isso de a pessoa se formar, ter qualifica\u00e7\u00e3o e n\u00e3o conseguir atuar na \u00e1rea. E tem aquele problema: para o primeiro emprego, a pessoa precisa ter experi\u00eancia, mas para ter experi\u00eancia, precisa de uma oportunidade\u201d, explicou.<\/p>\n<p>E elas t\u00eam raz\u00e3o. De acordo com os dados da Pnad Cont\u00ednua, divulgados no dia 19 de maio pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE), o desemprego subiu em todas as grandes regi\u00f5es do pa\u00eds no primeiro trimestre deste ano em rela\u00e7\u00e3o mesmo per\u00edodo de 2015.\u00a0 No Sudeste, o \u00edndice subiu de 8,0% para 11,4%.<\/p>\n<p>Por n\u00edvel de instru\u00e7\u00e3o, a pesquisa mostrou no 1\u00ba trimestre de 2016 que mais da metade dos ocupados no Brasil tinha conclu\u00eddo pelo menos o ensino m\u00e9dio (55,0%), 29,3% n\u00e3o tinham conclu\u00eddo o ensino fundamental e 17,9% tinham conclu\u00eddo o n\u00edvel superior.<\/p>\n<p>Pelos dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Minist\u00e9rio do Trabalho, no ano passado foram fechados 115 mil postos para pessoas com ensino superior completo e incompleto.<\/p>\n<p>Para a coordenadora de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o Ludmila Ribeiro, essas condi\u00e7\u00f5es fazem com que os profissionais tenham que se adequar \u00e0 oferta de oportunidades.<\/p>\n<p>\u201cAs pessoas est\u00e3o aceitando propostas com perfil inferior \u00e0 forma\u00e7\u00e3o por conta do numero de ofertas de vaga. Houve sim uma redu\u00e7\u00e3o. O mercado n\u00e3o est\u00e1 contratando tanto, e o profissional acaba aceitando para se manter no mercado\u201d, explicou.<\/p>\n<p>\u201cConhe\u00e7o casos de jovens de 25 anos que j\u00e1 est\u00e3o sustentando a casa porque os pais est\u00e3o desempregados. E a\u00ed, algumas dessas pessoas se sujeitam a trabalhar com qualquer coisa por uma quest\u00e3o de necessidade\u201d, acrescenta Sarah.<\/p>\n<p>Elas ainda destacaram que muitos jovens rec\u00e9m-formados s\u00e3o impacientes e almejam um cargo alto logo no in\u00edcio da carreira, sem valorizar a ideia de crescer dentro da empresa come\u00e7ando por um cargo mais baixo.<\/p>\n<p>\u201cEssa turma de agora \u00e9 digital. Eles nasceram em uma \u00e9poca em que tudo \u00e9 muito mais r\u00e1pido, tudo na hora. \u00c9 uma gera\u00e7\u00e3o que n\u00e3o aprendeu a ser frustrada, que quer tudo pra ontem. Talvez seja uma quest\u00e3o de n\u00e3o querer come\u00e7ar do come\u00e7o, das fun\u00e7\u00f5es mais simples, dos menores sal\u00e1rios\u201d, opinou Yasmin.<\/p>\n<p>Para Yasmin, a mudan\u00e7a de rumo profissional n\u00e3o deve ser levada como uma situa\u00e7\u00e3o totalmente negativa, mas sim como uma forma de revelar talentos que talvez nunca seriam descobertos.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma experi\u00eancia. Grandes empres\u00e1rios come\u00e7aram assim e montaram imp\u00e9rios. Enquanto isso n\u00e3o acontece, v\u00e3o fazer brownie, vender pipoca, v\u00e3o \u00e0 luta\u201d, concluiu.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/\" target=\"_blank\">G1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eles s\u00e3o jovens e t\u00eam ensino superior completo, est\u00e3o com o diploma nas m\u00e3os, e cheios de g\u00e1s para entrar no mercado de trabalho. Alguns tem flu\u00eancia em l\u00ednguas estrangeiras e especializa\u00e7\u00f5es. 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