{"id":10356,"date":"2016-07-21T14:17:44","date_gmt":"2016-07-21T17:17:44","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10356"},"modified":"2016-07-21T14:17:44","modified_gmt":"2016-07-21T17:17:44","slug":"brasil-so-cria-vagas-formais-de-ate-1-salario-minimo-mostra-caged","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/brasil-so-cria-vagas-formais-de-ate-1-salario-minimo-mostra-caged\/","title":{"rendered":"Brasil s\u00f3 cria vagas formais de at\u00e9 1 sal\u00e1rio m\u00ednimo, mostra Caged"},"content":{"rendered":"<p>Levantamento obtido pelo G1 com o Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia Social mostra que pelo menos desde 2015 o saldo positivo de vagas formais est\u00e1 se restringindo \u00e0s faixas salariais de at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Em 2014, houve saldo positivo de vagas at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Em maio deste ano, houve o fechamento de 72,6 mil vagas, segundo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Nos cinco primeiros meses do ano, um total de 448,1 mil vagas foram fechadas. Mas dentro da faixa salarial de meio a 1 sal\u00e1rio m\u00ednimo, \u00fanica a apresentar saldo positivo de postos de trabalho, foram geradas 96,5 mil vagas at\u00e9 maio.<\/p>\n<p>J\u00e1 as faixas salariais que mais fecharam vagas em 2014 foram de 1,51 a 2 sal\u00e1rios e de 2,01 a 3 sal\u00e1rios. Em 2015 o cen\u00e1rio se repete. Neste ano, as faixas com maior saldo negativo at\u00e9 maio s\u00e3o de 2,01 a 3 sal\u00e1rios e de 3,01 a 4 sal\u00e1rios (<em>veja na tabela<\/em>).<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-10357 size-full alignleft\" src=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/tabela.jpg\" alt=\"tabela\" width=\"314\" height=\"607\" srcset=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/tabela.jpg 314w, https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/tabela-155x300.jpg 155w, https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/07\/tabela-217x420.jpg 217w\" sizes=\"auto, (max-width: 314px) 100vw, 314px\" \/><\/p>\n<p><strong>Setores<\/strong><br \/>\nDe acordo com o Minist\u00e9rio do Trabalho, os setores que tiveram saldo positivo de vagas do \u00faltimo m\u00eas do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) dentro da faixa salarial de at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo foram agropecu\u00e1ria, extra\u00e7\u00e3o vegetal, ca\u00e7a e pesca (40.653 vagas abertas), ind\u00fastria da transforma\u00e7\u00e3o (9.190 vagas) e servi\u00e7os (2.012).<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo Ruy Braga, professor do departamento de sociologia da USP e estudioso do mercado de trabalho brasileiro, explica que, na d\u00e9cada de 1980, o motor da cria\u00e7\u00e3o de emprego estava concentrado na faixa salarial entre 3 e 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos e associado a empregos mais diretamente ligados \u00e0 ind\u00fastria.<\/p>\n<p>Nos anos 1990, com a reestrutura\u00e7\u00e3o produtiva, globaliza\u00e7\u00e3o, derrubada das tarifas alfandeg\u00e1rias, est\u00edmulo \u00e0s importa\u00e7\u00f5es, abertura dos mercados e processo de privatiza\u00e7\u00e3o, diz ele, a din\u00e2mica mudou e o emprego criado no mercado formal se concentrou nas faixas acima dos 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos, principalmente nos sistemas financeiro e banc\u00e1rio.<\/p>\n<p>De acordo com Braga, nos anos 2000, especificamente a partir de 2003, houve a cria\u00e7\u00e3o de 2,1 milh\u00f5es de empregos formais todos os anos, at\u00e9 2014, concentrados na faixa salarial de at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo. E a partir de 2015 come\u00e7ou a forte perda l\u00edquida de emprego.<\/p>\n<p>Segundo Braga, o modelo de desenvolvimento econ\u00f4mico brasileiro dos \u00faltimos 13 anos se estruturou em torno de setores que n\u00e3o s\u00e3o demandantes de for\u00e7a de trabalho qualificada, como o agroneg\u00f3cio, a constru\u00e7\u00e3o civil, constru\u00e7\u00e3o pesada e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo diz que o setor de servi\u00e7os absorveu principalmente a massa de desempregados criada na d\u00e9cada de 1990 pela crise do emprego na ind\u00fastria. \u201cConsequentemente essa massa de novos trabalhadores que foram inseridos em ocupa\u00e7\u00f5es formais nos \u00faltimos 13 anos encontrou um mercado de trabalho que se especializou em multiplicar essas ocupa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o dependem de tempo de forma\u00e7\u00e3o. Normalmente s\u00e3o empregos que pagam 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo na entrada, ou seja, empregos de classe trabalhadora, distribu\u00eddos principalmente no setor de servi\u00e7os, que foi o que mais absorveu essa massa\u201d, explica.<\/p>\n<p>Braga cita ainda a ind\u00fastria do call center, que cresceu exponencialmente nos \u00faltimos 12 anos e que agora com a crise passou a demitir. \u201cMas at\u00e9 ent\u00e3o se transformou na principal porta de entrada do mercado de trabalho principalmente para o grupo de trabalhadores mais jovens e que se especializou nesse tipo de emprego que paga at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio m\u00ednimo, com alguma prote\u00e7\u00e3o trabalhista, mas altas taxas de rotatividade e de adoecimento, mas que ofereceu a possibilidade para que os trabalhadores subalternos, principalmente mulheres e negras, pudessem entrar no mercado formal como primeiro emprego, ent\u00e3o \u00e9 uma massa muito jovem que ilustra bem esse tipo de emprego que foi criado nos \u00faltimos anos no Brasil\u201d, diz.<\/p>\n<p>O soci\u00f3logo lembra que a ind\u00fastria de energia, petr\u00f3leo e minera\u00e7\u00e3o tiveram um crescimento exponencial na d\u00e9cada passada, mas entraram em crise com a queda nos pre\u00e7os das commodities nos \u00faltimos anos e, com a retra\u00e7\u00e3o das atividades, passaram a fazer parte da realidade do desemprego. \u201cS\u00e3o setores importantes da atividade econ\u00f4mica, mas n\u00e3o se caracterizam propriamente pela multiplica\u00e7\u00e3o de empregos qualificados\u201d, afirma.<\/p>\n<p><strong>Quem ganha mais \u00e9 demitido<\/strong><br \/>\nRafael Bacciotti, economista da Tend\u00eancias Consultoria Integrada, diz que \u00e9 natural na atual conjuntura econ\u00f4mica as empresas adequarem suas atividades \u00e0 demanda menor, produzindo mais com a mesma quantidade de pessoas. \u201cPara ajudar a produ\u00e7\u00e3o e o n\u00edvel de demanda mais baixo tem o processo de demiss\u00e3o de pessoas que ganham mais. Assim, o sal\u00e1rio m\u00e9dio diminui justamente porque o empregador demite pessoas que t\u00eam sal\u00e1rio maior e recomp\u00f5e com pessoas menos experientes\u201d, explica.<\/p>\n<p>Bacciotti afirma que o emprego privado est\u00e1 caindo e as pessoas est\u00e3o buscando se recolocar no mercado com outras atividades, principalmente por conta pr\u00f3pria, e dentro desse segmento tamb\u00e9m ocorre diminui\u00e7\u00e3o da renda.<\/p>\n<p>O economista afirma que os sal\u00e1rios v\u00e3o achatando principalmente quando as pessoas n\u00e3o t\u00eam mais op\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. \u201cD\u00e1 para esperar aumento de sal\u00e1rio se houver melhora no n\u00edvel de ocupa\u00e7\u00e3o, mas h\u00e1 fatores estruturais que impedem melhora no rendimento. Tem que melhorar a negocia\u00e7\u00e3o, mas n\u00e3o d\u00e1 com tanta ociosidade. Quanto menor a ociosidade, a negocia\u00e7\u00e3o fica mais fortalecida\u201d.<\/p>\n<p><strong>Previs\u00e3o<\/strong><br \/>\nPara Braga, o cen\u00e1rio \u00e9 bastante imprevis\u00edvel, mas o que seria poss\u00edvel se imaginar para um futuro imediato \u00e9 que haja uma pequena recupera\u00e7\u00e3o em termos de emprego provavelmente no pr\u00f3ximo ano, com diminui\u00e7\u00e3o da taxa atual de desemprego e um ganho de empregos no mercado de trabalho. \u201cNo entanto, essa pequena recupera\u00e7\u00e3o n\u00e3o ser\u00e1 capaz de recuperar a massa de emprego que foi perdida nesses \u00faltimos dois anos. Ent\u00e3o a tend\u00eancia \u00e9 que o desemprego continue em alta e esses empregos que forem criados nesse momento sejam empregos que reproduzam as mesmas caracter\u00edsticas da \u00faltima d\u00e9cada, ou seja, empregos que pagam muito pouco\u201d, prev\u00ea.<\/p>\n<p>\u201cUm dos setores que est\u00e3o sendo mais atingidos pela quest\u00e3o do desemprego hoje \u00e9 o de servi\u00e7os, at\u00e9 porque a ind\u00fastria j\u00e1 passou por um processo de degrada\u00e7\u00e3o e desintegra\u00e7\u00e3o de algumas de suas cadeias e de eleva\u00e7\u00e3o do desemprego e hoje \u00e9 a vez do setor de servi\u00e7os desempregar\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Braga explica que o emprego no setor de servi\u00e7os \u00e9 mais barato que o da ind\u00fastria e, por isso, \u00e9 um setor muito flex\u00edvel, pois cria-se muitas vagas e tamb\u00e9m se desemprega com muita rapidez e a rotatividade \u00e9 muito alta. Segundo ele, caso haja uma retomada do emprego no pa\u00eds, ainda que discreta, haver\u00e1 uma reedi\u00e7\u00e3o do modelo concentrado no setor de servi\u00e7os como ocorreu nos anos 2000, que continuar\u00e1 sendo carro-chefe desse processo de empregabilidade.<\/p>\n<p>Para o economista da Tend\u00eancias, o cen\u00e1rio atual do mercado de trabalho n\u00e3o deve melhorar t\u00e3o cedo. \u201cA gente trabalha com um cen\u00e1rio desfavor\u00e1vel para o mercado de trabalho. A taxa de desemprego tem espa\u00e7o para aumentar. H\u00e1 sinais de melhora, mas ainda n\u00e3o se materializaram\u201d, diz.<\/p>\n<p>Bacciotti diz que o mercado de trabalho \u00e9 o \u00faltimo setor a responder num cen\u00e1rio de melhora da economia e prev\u00ea volta nas contrata\u00e7\u00f5es mais para o meio do ano que vem. \u201cAinda est\u00e1 num processo de conten\u00e7\u00e3o de atividade, a confian\u00e7a est\u00e1 melhorando, a ind\u00fastria deve voltar a respirar at\u00e9 o ano que vem\u201d.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/\" target=\"_blank\">G1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Levantamento obtido pelo G1 com o Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia Social mostra que pelo menos desde 2015 o saldo positivo de vagas formais est\u00e1 se restringindo \u00e0s faixas salariais de at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo. Em 2014, houve saldo positivo de vagas at\u00e9 1,5 sal\u00e1rio. 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