{"id":10632,"date":"2016-08-10T13:37:53","date_gmt":"2016-08-10T16:37:53","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10632"},"modified":"2016-08-10T13:37:53","modified_gmt":"2016-08-10T16:37:53","slug":"brasil-so-deve-recuperar-estoque-de-empregos-perdidos-a-partir-de-2021","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/brasil-so-deve-recuperar-estoque-de-empregos-perdidos-a-partir-de-2021\/","title":{"rendered":"Brasil s\u00f3 deve recuperar estoque de empregos perdidos a partir de 2021"},"content":{"rendered":"<p>Ainda que alguns indicadores comecem a dar sinais de que a economia brasileira parou de piorar e pode estar saindo do fundo do po\u00e7o, o mercado de trabalho precisar\u00e1 de alguns anos para se recuperar dos efeitos da prolongada recess\u00e3o e absorver todos aqueles que foram demitidos ou n\u00e3o conseguiram um emprego com carteira assinada.<\/p>\n<p>Proje\u00e7\u00f5es das consultorias Tend\u00eancias e GO Associados, com base nas estimativas do mercado para o PIB (Produto Interno Bruto), apontam que s\u00f3 a partir de 2021 o Brasil dever\u00e1 recuperar o n\u00edvel de estoque de empregos formais do final de 2014, quando o pa\u00eds vivia uma situa\u00e7\u00e3o considerada de quase pleno emprego.<\/p>\n<p>Desde janeiro de 2015, o Brasil perdeu 2,07 milh\u00f5es de vagas com carteira assinada, de acordo com os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Minist\u00e9rio do Trabalho.<\/p>\n<p>O pa\u00eds terminou o m\u00eas de junho com um estoque de 39,1 milh\u00f5es de empregos formais ante 41,2 milh\u00f5es no final de 2014. O recorde da s\u00e9rie foi registrado em setembro daquele ano, nas v\u00e9speras das elei\u00e7\u00f5es presidenciais, quando o total de trabalhadores celetistas chegou a 41,8 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>J\u00e1 s\u00e3o 15 meses seguidos de demiss\u00f5es superando as contrata\u00e7\u00f5es. No ano passado, o Brasil perdeu 1,54 milh\u00e3o de empregos formais. Em 2016, no acumulado no ano, at\u00e9 junho, foram eliminados outros 531,7 mil postos de trabalho no regime celetista.<\/p>\n<p><strong>Perda de 1,3 milh\u00e3o de vagas em 2016<\/strong><br \/>\nO economista Luiz Castelli, da GO Associado, projeta que o n\u00famero de vagas perdidas ao longo de 2016 chegar\u00e1 a 1,36 milh\u00e3o, totalizando cerca de 2,9 milh\u00f5es de empregos formais eliminados no pa\u00eds em 2 anos.<\/p>\n<p>&#8220;O pa\u00eds ainda est\u00e1 destruindo empregos. A partir de 2017, paulatinamente, o Brasil deve voltar a apresentar cria\u00e7\u00e3o l\u00edquida positiva de empregos, conforme o PIB do pa\u00eds volte a crescer. Mas o caminho ser\u00e1 bastante lento e duro\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Pelas contas do economista, entre 2017 at\u00e9 o final de 2020, dever\u00e3o ser criadas 2,79 milh\u00f5es de vagas formais, se confirmadas as proje\u00e7\u00f5es de alta do PIB de 1% em 2017, 2% em 2018, 2% em 2019 e 2,10% em 2020. Ou seja, o n\u00famero de vagas criadas nos pr\u00f3ximos 4 anos ainda dever\u00e1 ser insuficiente para recuperar os 2,9 milh\u00f5es de empregos perdidos no ano passado e neste ano.<\/p>\n<p>\u201cApenas no primeiro trimestre de 2021 definitivamente o Brasil deve ultrapassar o estoque de empregos formais apresentado em dezembro de 2014\u201d, diz Castelli, ressalvando que quanto maior for a recupera\u00e7\u00e3o da economia, mais r\u00e1pido ser\u00e1 a melhora do mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Procurado pelo <strong>G1<\/strong>, o Minist\u00e9rio do Trabalho n\u00e3o quis fazer an\u00e1lise de cen\u00e1rios, informando que apenas elabora e divulga estat\u00edsticas relativas ao emprego formal.<\/p>\n<p><strong>Taxa de desemprego de 13% em 2017<\/strong><br \/>\nO economista Rafael Bacciotti, da Tend\u00eancias, avalia que as demiss\u00f5es devem perder for\u00e7a nos pr\u00f3ximos meses e que o pa\u00eds voltar\u00e1 a criar vagas a partir de 2017, mas tamb\u00e9m projeta que s\u00f3 em 2021 ser\u00e1 retomado o patamar de estoque de empregos formais pr\u00e9-crise.<\/p>\n<p>\u201cAinda que os n\u00fameros de ocupa\u00e7\u00e3o parem de cair, tem o efeito do aumento da for\u00e7a de trabalho&#8221;, destaca o analista.<\/p>\n<p>Ou seja, h\u00e1 mais gente disputando hoje um n\u00famero menor de vagas dispon\u00edveis, tanto pelo aumento do desemprego quanto pelo ingresso de novos trabalhadores no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>A taxa de desemprego ficou em 11,3% no trimestre encerrado em junho e a popula\u00e7\u00e3o desocupada bateu 11,6 milh\u00f5es, o maior n\u00famero da s\u00e9rie hist\u00f3rica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>A Tend\u00eancias projeta que a taxa ainda vai crescer mais e bater\u00e1 os 13% em 2017. <em>Veja gr\u00e1fico ao lado<\/em><\/p>\n<p>&#8220;Para o pa\u00eds voltar a contratar, antes \u00e9 preciso observar uma volta da confian\u00e7a e da demanda, que ainda est\u00e1 muito fraca&#8221;, afirma Bacciotti.<\/p>\n<p>Embora o n\u00edvel de emprego esteja diretamente relacionado com o ritmo da atividade econ\u00f4mica, os \u00edndices de ocupa\u00e7\u00e3o e de desemprego costumam ter uma recupera\u00e7\u00e3o mais lenta.<\/p>\n<p>&#8220;Num cen\u00e1rio de contra\u00e7\u00e3o, antes de voltar a contratar, as empresas tendem a usar ao m\u00e1ximo os trabalhadores que j\u00e1 tem, aumentanto o n\u00famero de horas extras, at\u00e9 sentir que a demanda j\u00e1 \u00e9 forte o suficiente para valer a pena contratar. Por isso tem esse delay&#8221;, explica Castelli, da GO Associados.<\/p>\n<p><strong>Retomada<\/strong><br \/>\nAs apostas do mercado s\u00e3o de que a ind\u00fastria dever\u00e1 sair na frente na recupera\u00e7\u00e3o do estoque de empregos formais, uma vez que tamb\u00e9m foi o primeiro setor a sentir os sintomas da crise e vem registrando uma melhora nos indicadores de atividade. Em junho, a produ\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria brasileira cresceu 1,1% em junho, na compara\u00e7\u00e3o com o m\u00eas anterior.<\/p>\n<p>Segundo os n\u00fameros do Minist\u00e9rio do Trabalho, a ind\u00fastria foi o setor que mais perdeu vagas no pa\u00eds: foram 752 mil postos eliminados desde o in\u00edcio de 2015. Na sequ\u00eancia, est\u00e1 a constru\u00e7\u00e3o civil (perda de 531 mil vagas), o com\u00e9rcio (- 467 mil) e o setor de servi\u00e7os (-393 mil).<\/p>\n<p>Levantamento publicado no G1 no dia 20 de julho mostrou que o s\u00f3 Brasil s\u00f3 tem criado vagas formais de at\u00e9 1 sal\u00e1rio m\u00ednimo. De janeiro a maio, a \u00fanica faixa salarial a apresentar saldo positivo de postos de trabalho foi a de meio a 1 sal\u00e1rio m\u00ednimo, com a gera\u00e7\u00e3o de 96,5 mil vagas em 5 meses.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\">\n<figure style=\"width: 620px\" class=\"wp-caption alignnone\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Dados do IBGE apontam que at\u00e9 mesmo o trabalho por conta pr\u00f3pria d\u00e1 sinais de satura\u00e7\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/Hm_gDYHQw15suMdxbXUjKpKhtZI=\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/07\/29\/ibge2.jpg\" alt=\"Dados do IBGE apontam que at\u00e9 mesmo o trabalho por conta pr\u00f3pria d\u00e1 sinais de satura\u00e7\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)\" width=\"620\" height=\"411\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Dados do IBGE apontam que at\u00e9 mesmo o trabalho por conta pr\u00f3pria d\u00e1 sinais de satura\u00e7\u00e3o (Foto: Reprodu\u00e7\u00e3o)<\/figcaption><\/figure>\n<\/div>\n<p><strong>Sal\u00e1rios em queda e poucas alternativas<\/strong><br \/>\nEm uma economia em recess\u00e3o, \u00e9 inevit\u00e1vel que informalidade cres\u00e7a. A chamada economia subterr\u00e2nea aumentou pela primeira vez em pelo menos 11 anos, segundo estudo do Instituto Brasileiro de \u00c9tica Concorrencial (ETCO) e do Ibre\/FGV, passando a representar 16,2% do PIB, um crescimento de 0,1 ponto percentual em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior.<\/p>\n<p>Os n\u00fameros do IBGE apontam, entretanto, que o emprego sem carteira assinada deixou de ser a v\u00e1lvula de escape para quem fica desempregado. O n\u00famero de trabalhadores informais passou para 10,083 milh\u00f5es em junho ante 10,067 milh\u00f5es 1 ano antes.<\/p>\n<p>At\u00e9 mesmo o trabalho por conta pr\u00f3pria d\u00e1 sinais de satura\u00e7\u00e3o. S\u00e3o quase 23 milh\u00f5es de brasileiros com esse tipo de ocupa\u00e7\u00e3o, que re\u00fane os aut\u00f4nomos, os chamados PJs (pessoas jur\u00eddicas), microempreendedores individuais (MEIs) e todos aqueles que n\u00e3o pagam sal\u00e1rio para funcion\u00e1rio.<\/p>\n<p>Nos 12 meses encerrados em maio, cresceu 3,9% o n\u00famero de brasileiros se virando por conta pr\u00f3pria, um acr\u00e9scimo de 857 mil pessoas. Na compara\u00e7\u00e3o com o trimestre anterior, entretanto, o n\u00famero caiu 1,1%, com uma sa\u00edda de 263 mil trabalhadores. <em>Veja abaixo reportagem do Jornal Nacional<\/em><\/p>\n<p>\u201cA pior consequ\u00eancia da queda do emprego formal \u00e9 a perda de qualidade da ocupa\u00e7\u00e3o e todas as implica\u00e7\u00f5es sociais dessa queda da taxa de formaliza\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Bacciotti.<\/p>\n<p>Segundo o IBGE, o rendimento m\u00e9dio do trabalhador caiu 4,2% no trimestre encerrado em junho, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo de 2015. J\u00e1 a massa salarial recuou 4,9%. Ou seja, menos oferta de emprego, maior concorr\u00eancia e queda real dos sal\u00e1rios.<\/p>\n<p>&#8220;Teremos que remar muito para recuperar o que se perdeu. Primeiro \u00e9 preciso parar de destruir empregos e voltar a criar vagas em um n\u00edvel que acompanhe a taxa de crescimento da for\u00e7a de trabalho, s\u00f3 ent\u00e3o \u00e9 que o desemprego poder\u00e1 come\u00e7ar a se estabilizar&#8221;, conclui Castelli.<\/p>\n<p>Fonte:<a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/\" target=\"_blank\"> G1<\/a><\/p>\n<div class=\"grafico-cma componente_materia\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Ainda que alguns indicadores comecem a dar sinais de que a economia brasileira parou de piorar e pode estar saindo do fundo do po\u00e7o, o mercado de trabalho precisar\u00e1 de alguns anos para se recuperar dos efeitos da prolongada recess\u00e3o e absorver todos aqueles que foram demitidos ou n\u00e3o conseguiram um emprego com carteira assinada. 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