{"id":10698,"date":"2016-08-15T12:30:30","date_gmt":"2016-08-15T15:30:30","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=10698"},"modified":"2016-08-15T12:30:30","modified_gmt":"2016-08-15T15:30:30","slug":"seu-chefe-se-comporta-como-seu-pai-freud-explica","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/seu-chefe-se-comporta-como-seu-pai-freud-explica\/","title":{"rendered":"Seu chefe se comporta como seu pai? Freud explica"},"content":{"rendered":"<p>Pode at\u00e9 n\u00e3o parecer, mas a intera\u00e7\u00e3o entre voc\u00ea e o seu chefe\u00a0nunca ser\u00e1 estritamente objetiva e impessoal. De forma inconsciente, voc\u00eas poder\u00e3o reproduzir entre si rela\u00e7\u00f5es que tiveram com pais, m\u00e3es, irm\u00e3os e outras figuras importantes da inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>\u00c9 o que demonstra um\u00a0estudo da pesquisadora Anna Urnova, da escola de neg\u00f3cios INSEAD. Com base em entrevistas qualitativas, a estudiosa aponta que as experi\u00eancias familiares dos executivos t\u00eam impacto direto sobre seu\u00a0comportamento no trabalho, e podem ser a chave para compreender uma enorme gama de conflitos.<\/p>\n<p>Primog\u00eanitos ou filhos \u00fanicos, por exemplo, t\u00eam mais chances de criar la\u00e7os fortes com seus chefes, enquanto profissionais que nasceram em fam\u00edlias pequenas t\u00eam mais dificuldade para lidar com equipes numerosas, diz Urnova.<\/p>\n<p>As descobertas n\u00e3o trazem nada de novo: apenas retomam o conceito de\u00a0<em>transfer\u00eancia<\/em>, emprestado da psican\u00e1lise. De forma simplificada, o fen\u00f4meno ocorre quando voc\u00ea desloca sentimentos da inf\u00e2ncia, geralmente direcionados a figuras parentais, para pessoas da sua vida adulta \u2014 a\u00ed inclu\u00eddos colegas de trabalho, gestores e subordinados.<\/p>\n<p>O pai da psican\u00e1lise, Sigmund Freud (1856-1939), foi o primeiro a identificar essa din\u00e2mica. Embora o conceito permane\u00e7a relativamente desconhecido no mundo corporativo,\u00a0diz o psicanalista Michael Maccoby, diversos estudos j\u00e1 comprovaram que transfer\u00eancias positivas est\u00e3o diretamente relacionadas \u00e0 produtividade.<\/p>\n<p>\u201cImagine um funcion\u00e1rio convicto de que seu chefe gosta dele como gostaria de um filho\u201d, escreve Maccoby em artigo para a Harvard Business Review (HBR). \u201cPara garantir que isso aconte\u00e7a, ele far\u00e1 esfor\u00e7os sobre-humanos para agrad\u00e1-lo (&#8230;) e, contanto que sinta que suas expectativas s\u00e3o correspondidas, continuar\u00e1 a trabalhar duro, o que beneficiar\u00e1 a organiza\u00e7\u00e3o em geral\u201d.<\/p>\n<p><strong>Exemplos reais<\/strong><\/p>\n<p>\u201cA fam\u00edlia \u00e9 a nossa primeira \u2018empresa\u2019 e nossos pais e irm\u00e3os s\u00e3o a nossa primeira \u2018equipe de trabalho\u2019\u201d, escreve\u00a0o consultor brit\u00e2nico Roger Jones\u00a0na HBR. \u00c9 por isso que as experi\u00eancias vividas na inf\u00e2ncia influenciam t\u00e3o profundamente as rela\u00e7\u00f5es entre gestores e seus subordinados.<\/p>\n<p>Um exame da sua pr\u00f3pria biografia pode trazer algumas explica\u00e7\u00f5es sobre a sua atitude no trabalho. Na sua casa, as rea\u00e7\u00f5es emocionais eram encorajadas ou reprimidas? De que forma um evento traum\u00e1tico, como uma grave perda material ou a morte de um parente, afetou as rela\u00e7\u00f5es entre os membros da fam\u00edlia?<\/p>\n<p>As respostas a quest\u00f5es desse tipo podem explicar uma grande variedade de comportamentos indesejados: da incapacidade de delegar tarefas \u00e0 dificuldade de se aproximar de um liderado.<\/p>\n<p>Jones traz exemplos reais (com nomes fict\u00edcios) para esclarecer a ideia. O primeiro \u00e9 Peter, um CEO de uma multinacional cuja atitude fria e distante deixava seus funcion\u00e1rios desmotivados e improdutivos. Ap\u00f3s um trabalho de an\u00e1lise, ele percebeu que estava imitando seu pr\u00f3prio pai, um ex-militar que raramente se aproximava dos filhos.<\/p>\n<p>O segundo caso \u00e9 o de John, l\u00edder manso e carinhoso que fazia o m\u00e1ximo poss\u00edvel para evitar conflitos na equipe. O problema \u00e9 que ele era incapaz de demitir pessoas, mesmo quando isso era absolutamente necess\u00e1rio. N\u00e3o por acaso, ele era o \u201cpacificador\u201d da fam\u00edlia quando crian\u00e7a, e frequentemente apartava os outros irm\u00e3os em suas brigas constantes.<\/p>\n<p><strong>D\u00e1 para mudar?<\/strong><\/p>\n<p>Reconhecer a influ\u00eancia de hist\u00f3rias antigas no seu comportamento atual \u2014algo poss\u00edvel, em muitos casos, apenas com a ajuda de um psicanalista \u2014 pode trazer um imenso benef\u00edcio para voc\u00ea e para as pessoas com quem voc\u00ea trabalha.<\/p>\n<p>N\u00e3o que isso seja f\u00e1cil. Em muitos casos, explica Jones, essas informa\u00e7\u00f5es permanecem \u201csoterradas\u201d no inconsciente da maioria das pessoas, e \u00e9 muito dif\u00edcil traz\u00ea-las \u00e0 luz. Al\u00e9m disso, mesmo aqueles que reconhecem suas pr\u00f3prias quest\u00f5es podem n\u00e3o querer mud\u00e1-las, ainda que tragam uma grande dose de sofrimento para si mesmos e para os demais.<\/p>\n<p>O esfor\u00e7o, por\u00e9m, vale a pena. \u201cMuitas vezes, simplesmente reconhecer que o l\u00edder e outros profissionais est\u00e3o reproduzindo antigas din\u00e2micas familiares pode levar a mudan\u00e7as significativas e melhorar o desempenho da equipe\u201d, escreve o consultor.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/\" target=\"_blank\">Exame.com\u00a0<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pode at\u00e9 n\u00e3o parecer, mas a intera\u00e7\u00e3o entre voc\u00ea e o seu chefe\u00a0nunca ser\u00e1 estritamente objetiva e impessoal. 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