{"id":11110,"date":"2016-09-12T11:50:21","date_gmt":"2016-09-12T14:50:21","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=11110"},"modified":"2016-09-12T11:50:21","modified_gmt":"2016-09-12T14:50:21","slug":"quase-800-mil-mulheres-estao-fora-do-mercado-de-trabalho-no-es","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/quase-800-mil-mulheres-estao-fora-do-mercado-de-trabalho-no-es\/","title":{"rendered":"Quase 800 mil mulheres est\u00e3o fora do mercado de trabalho no ES"},"content":{"rendered":"<p>Mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo est\u00e1 fora do mercado de trabalho e n\u00e3o busca uma coloca\u00e7\u00e3o, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE).<\/p>\n<p>No total, 1,2 milh\u00e3o de pessoas de 14 anos ou mais (cerca de 38,5% da for\u00e7a de\u00a0 trabalho de todo o Esp\u00edrito Santo) estavam fora da for\u00e7a de trabalho, no segundo trimestre de 2016 \u2013 quem est\u00e1 sem trabalho e em busca de um, \u00e9 considerado desocupado ou desempregado.<\/p>\n<p>Chama aten\u00e7\u00e3o que a maior parte do primeiro grupo, ou 66,4%, \u00e9 formada por mulheres: 797,5 mil contra 403,5 mil homens, revela o IBGE. Fazem parte dessa realidade aposentados, quem se dedica somente aos estudos e pessoas que cuidam da casa e dos filhos.<\/p>\n<p>Entre os que est\u00e3o fora da for\u00e7a de trabalho, 64% t\u00eam entre 18 e 59 anos, 17,4% t\u00eam\u00a0 de 14 a 17 anos e 35,9% t\u00eam 60 anos ou mais. Com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 escolaridade, 53,7% n\u00e3o t\u00eam instru\u00e7\u00e3o ou n\u00e3o terminaram o ensino fundamental.<\/p>\n<p>Mas o desequil\u00edbrio de g\u00eanero tem um componente cultural quando se revelam os motivos\u00a0 de\u00a0 estar fora da for\u00e7a de trabalho: 36,3% das mulheres fora da for\u00e7a n\u00e3o trabalham porque t\u00eam que cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos, de filhos ou de outros parentes. Entre os homens, apenas 3,2% alegam este motivo. Em n\u00fameros absolutos, s\u00e3o 289 mil mulheres que deixam de trabalhar para cuidar da casa, de filhos ou de parentes contra 13 mil homens.<\/p>\n<p>Por problema de sa\u00fade ou gravidez, 69,2 mil homens (17,2%) e 76,4 mil mulheres (9,6%) est\u00e3o fora do mercado. Por n\u00e3o querer trabalhar, s\u00e3o 37,7 mil homens (9,4%) e 49 mil (6,2%) mulheres.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\">A baixa escolaridade e o cuidado com os filhos e a casa fizeram Edn\u00e9ia Concei\u00e7\u00e3o de\u00a0 Souza, de 40 anos, desistir de\u00a0 trabalhar fora. Quando crian\u00e7a n\u00e3o estudou, o que tentou fazer j\u00e1 adulta, mas a dist\u00e2ncia da escola para sua casa a desanimou. Antes de casar, ela chegou a ser bab\u00e1 e dom\u00e9stica, mas foi demitida.<\/div>\n<p>Enquanto vivia com o marido, hoje falecido, cuidou da casa e dos filhos. Em um per\u00edodo mais dif\u00edcil, precisando trabalhar, conseguiu uma coloca\u00e7\u00e3o em casa de fam\u00edlia, no entanto n\u00e3o saber ler e escrever lhe custou o emprego.<\/p>\n<p>\u201cTem uns 10 anos que eu n\u00e3o trabalho. Sem saber ler ou escrever fica dif\u00edcil encontrar emprego. J\u00e1 perdi\u00a0\u00a0 trabalho\u00a0 por causa disso, pois n\u00e3o conseguia receber e assinar correspond\u00eancias. Hoje fico em casa cuidando dos meus dois filhos menores e do meu neto. Vivo da pens\u00e3o do meu marido\u201d, contou.<\/p>\n<p><strong>Retorno ao setor produtivo<\/strong><br \/>\nO grupo de 1,2 milh\u00e3o de pessoas no Esp\u00edrito Santo que est\u00e3o fora da for\u00e7a de\u00a0 trabalho \u00e9 heterog\u00eaneo e engloba cerca de 231 mil estudantes e 295,4 mil aposentados. Al\u00e9m disso, 289,6 mil mulheres que ficam em casa para cuidar dos afazeres dom\u00e9sticos, dos filhos ou de parentes.<\/p>\n<p>Mas, segundo a pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) Ana Luiza Neves de Holanda Barbosa, a taxa de n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho tem sofrido uma leve redu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cA tend\u00eancia das mulheres \u00e9 maior que a dos homens de sair da n\u00e3o participa\u00e7\u00e3o. Elas est\u00e3o migrando para a for\u00e7a de trabalho\u201d, explicou.<\/p>\n<p>Ana Luiza disse que tanto a participa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho quanto a aus\u00eancia est\u00e3o bastante associadas ao g\u00eanero e situa\u00e7\u00e3o familiar da pessoa.<\/p>\n<p>\u201cO filho sobrecarrega, por quest\u00f5es socioculturais, mais mulheres que homens. Pelos dados do IBGE, as mulheres trabalham mais em casa que os homens. Outro motivo para a n\u00e3o entrada no mercado, certamente, \u00e9 a educa\u00e7\u00e3o. Mas o fato de a mulher ter filho e ficar sobrecarregada com atividade dom\u00e9stica, isso \u00e9 uma barreira que impede a entrada da mulher no mercado\u201d, falou.<\/p>\n<p>Para a pesquisadora da OPE Sociais, Danielle Nascimento, o grande problema desse contingente est\u00e1 nas 645,2 mil pessoas que n\u00e3o chegaram a completar o ensino fundamental.<\/p>\n<p>\u201cEm um contexto de crise, j\u00e1 \u00e9 dif\u00edcil a reinser\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho. Se a pessoa n\u00e3o tem preparo, \u00e9 ainda pior\u201d, destacou.<br \/>\nCasamento e gesta\u00e7\u00e3o precoces ou cuidar de pessoas da fam\u00edlia s\u00e3o algumas raz\u00f5es, segundo Danielle, que levam mulheres a abandonar estudos e terminarem com baixa escolaridade.<\/p>\n<p>Para o economista Marcelo Loyola, por um lado \u00e9 preciso se preocupar com quem n\u00e3o tem escolaridade e est\u00e1 \u00e0 margem do mercado de trabalho. Por outro lado, mulheres que optam por cuidar da fam\u00edlia podem trazer benef\u00edcios para a sociedade.<\/p>\n<p>\u201c\u00c9 uma situa\u00e7\u00e3o que acaba contribuindo para a sociedade, principalmente na quest\u00e3o social, pois ela ajuda os filhos nas tarefas escolares e contribui para aumentar a qualifica\u00e7\u00e3o dele. Filhos que t\u00eam pais acompanhando nas tarefas escolares tem melhor desempenho na escola, o que pode aumentar a produtividade do pa\u00eds\u201d, falou.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/\" target=\"_blank\">G1<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mais de um ter\u00e7o da popula\u00e7\u00e3o do Esp\u00edrito Santo est\u00e1 fora do mercado de trabalho e n\u00e3o busca uma coloca\u00e7\u00e3o, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). 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