{"id":11335,"date":"2016-09-27T11:45:39","date_gmt":"2016-09-27T14:45:39","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=11335"},"modified":"2016-09-27T11:46:39","modified_gmt":"2016-09-27T14:46:39","slug":"terceirizacao-ja-e-realidade-de-13-milhoes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/terceirizacao-ja-e-realidade-de-13-milhoes\/","title":{"rendered":"Terceiriza\u00e7\u00e3o j\u00e1 \u00e9 realidade de 13 milh\u00f5es"},"content":{"rendered":"<p>Na espinha dorsal das discuss\u00f5es trabalhistas est\u00e1 a terceiriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, que hoje j\u00e1 \u00e9 realidade para 13 milh\u00f5es de brasileiros. Controvertido, o projeto de lei que permite a terceiriza\u00e7\u00e3o irrestrita das atividades de empresas privadas aguarda vota\u00e7\u00e3o no Senado e deve contar com o apoio do governo de Michel Temer.<\/p>\n<p>A proposta, que desperta empatia no empresariado e a avers\u00e3o nas centrais sindicais, deve reduzir a inseguran\u00e7a jur\u00eddica das empresas, mas levanta questionamentos quanto \u00e0 precariza\u00e7\u00e3o do trabalho.<\/p>\n<p>O projeto integra a agenda do novo governo e a inten\u00e7\u00e3o do Planalto \u00e9 aprov\u00e1-lo com rapidez com a reforma da Previd\u00eancia &#8211; ainda que a reforma trabalhista fique para o segundo semestre do ano que vem. O ponto principal do chamado PL 4330\/2004, aprovado em abril de 2015 na C\u00e2mara dos Deputados, \u00e9 permitir a terceiriza\u00e7\u00e3o da atividade-fim de uma empresa, ou seja, de sua atividade principal &#8211; o que atualmente \u00e9 considerado ilegal.<\/p>\n<p>Como n\u00e3o h\u00e1 uma legisla\u00e7\u00e3o espec\u00edfica que regulamente a contrata\u00e7\u00e3o de terceiros no Pa\u00eds, vigora hoje a s\u00famula 331 do Tribunal Superior do Trabalho (TST), que permite a terceiriza\u00e7\u00e3o apenas das atividades-meio. Uma escola, por exemplo, pode terceirizar seguran\u00e7a e limpeza, mas n\u00e3o os professores.<\/p>\n<p>A proposta p\u00f5e fim a essa distin\u00e7\u00e3o que, segundo especialistas, provoca inseguran\u00e7a jur\u00eddica nas empresas &#8211; o que sobrecarrega o sistema judici\u00e1rio e afasta poss\u00edveis investimentos. &#8220;\u00c9 uma grande dificuldade definir o que \u00e9 atividade-fim e atividade-meio, e essa inseguran\u00e7a se transforma em custo para as empresas, por receio de processos e multas. Com isso, elas deixam de contratar&#8221;, afirma Luiz Guilherme Migliora, professor de Direito da Faculdade Get\u00falio Vargas (FGV) do Rio.<\/p>\n<p>Para os defensores do projeto, a mudan\u00e7a n\u00e3o provocaria uma terceiriza\u00e7\u00e3o generalizada. &#8220;Ningu\u00e9m terceiriza 100% de suas atividades. As empresas s\u00f3 terceirizar\u00e3o o que n\u00e3o \u00e9 sua especializa\u00e7\u00e3o, para ganhar competitividade&#8221;, afirma Vander Morales, presidente do Sindeprestem, sindicato que representa as prestadoras de servi\u00e7os do estado de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Para ele, a medida \u00e9 reflexo da divis\u00e3o moderna do trabalho e trar\u00e1 efici\u00eancia ao mercado e competitividade ao produto nacional. &#8220;Precisamos de uma lei mais antenada com as necessidades das empresas e do mercado din\u00e2mico.&#8221;<\/p>\n<p>Mesmo com o fim da turva distin\u00e7\u00e3o entre atividade-meio e atividade-fim, a proposta ainda d\u00e1 espa\u00e7o para ambiguidades. O texto afirma que ser\u00e1 poss\u00edvel terceirizar &#8220;uma parcela&#8221; de qualquer atividade da empresa contratante &#8211; o que provoca cr\u00edticas tanto de defensores quanto de opositores do projeto.<\/p>\n<p>&#8220;Isso \u00e9 muito gen\u00e9rico: ou permite ou n\u00e3o permite. Vai ser um prato cheio para os advogados deitarem e rolarem em a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a dia e noite&#8221;, diz o senador Paulo Paim (PT-RS), relator do projeto na comiss\u00e3o especial. Contr\u00e1rio \u00e0 proposta, ele deve apresentar um novo texto logo ap\u00f3s as elei\u00e7\u00f5es municipais que n\u00e3o permita a terceiriza\u00e7\u00e3o das atividades-fim. &#8220;Se hoje j\u00e1 n\u00e3o conseguimos fiscalizar as empresas, imagina com a amplia\u00e7\u00e3o das atividades terceirizadas&#8221;, diz.<\/p>\n<p><b>Direitos<\/b><br \/>\nEm meio ao cabo de guerra, h\u00e1 certo consenso de que o texto traz alguns avan\u00e7os para os terceirizados, por refor\u00e7ar o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas e previdenci\u00e1rias das empresas para com os empregados, al\u00e9m de regulamentar acesso a restaurantes, transporte e atendimento ambulatorial.<\/p>\n<p>A empresa contratante tamb\u00e9m passa a ser considerada como solid\u00e1ria e n\u00e3o mais subsidi\u00e1ria em caso de processos trabalhistas, respondendo com a terceirizada na Justi\u00e7a caso o trabalhador se sinta prejudicado.<\/p>\n<p>Para as centrais sindicais, no entanto, n\u00e3o h\u00e1 garantias de que haver\u00e1 equipara\u00e7\u00e3o de direitos, dada a discrep\u00e2ncia atual das condi\u00e7\u00f5es do trabalho terceirizado, mesmo amparado pelo regime da CLT. &#8220;A ess\u00eancia do projeto \u00e9 liberar a terceiriza\u00e7\u00e3o para todas as atividades, o que significa uma amplia\u00e7\u00e3o sem limite&#8221;, afirma Gra\u00e7a Costa, secret\u00e1ria nacional de rela\u00e7\u00f5es de trabalho da Central \u00danica dos Trabalhadores (CUT). &#8220;Terceiriza\u00e7\u00e3o no Brasil \u00e9 sin\u00f4nimo de precariza\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista da sa\u00fade, de cada dez que t\u00eam acidentes de trabalho, oito s\u00e3o terceirizados; de cada cinco mortes no trabalho, quatro s\u00e3o de terceirizados&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Ela cita tamb\u00e9m a quest\u00e3o salarial &#8211; segundo pesquisa do Dieese, de 2014, a remunera\u00e7\u00e3o para terceirizados \u00e9 em m\u00e9dia 24,7% inferior \u00e0 de trabalhadores diretos. Morales, do Sindiprestem, rebate: &#8220;Essa hist\u00f3ria de precariza\u00e7\u00e3o \u00e9 uma fantasia, pois o emprego \u00e9 legal e formal: registro em carteira e regime celetista&#8221;, afirma. &#8220;A grande precariza\u00e7\u00e3o hoje \u00e9 o trabalho informal e a regulamenta\u00e7\u00e3o, resolvendo a inseguran\u00e7a jur\u00eddica, criaria novos postos de trabalho.&#8221; Ele estima que, caso o projeto seja aprovado, haver\u00e1 um aumento de 30% no n\u00famero de terceirizados no Pa\u00eds.<\/p>\n<p>O projeto de lei tamb\u00e9m determina que a empresa contratada tenha um objeto social \u00fanico, compat\u00edvel com o servi\u00e7o contratado, a fim de garantir a especializa\u00e7\u00e3o e evitar a prolifera\u00e7\u00e3o de intermedi\u00e1rios.<\/p>\n<p>Mas, segundo pesquisa do Sindiprestem realizada no ano passado, 84% das terceirizadas teriam de fazer mudan\u00e7as para poder prestar um servi\u00e7o espec\u00edfico, como se dividir em duas &#8211; o que implica custos e replanejamento estrat\u00e9gico. &#8220;Esse ponto vai reduzir as empresas multitarefa, muitas ilegais, que simplesmente alocam profissionais&#8221;, afirma a professora de Direito da FGV-Rio Juliana Bracks. &#8220;\u00c9 preciso garantir a especializa\u00e7\u00e3o e, principalmente, a paridade de direitos dos trabalhadores.&#8221;<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/revistapegn.globo.com\/\" target=\"_blank\">PEGN<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na espinha dorsal das discuss\u00f5es trabalhistas est\u00e1 a terceiriza\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra, que hoje j\u00e1 \u00e9 realidade para 13 milh\u00f5es de brasileiros. 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