{"id":12298,"date":"2016-10-28T08:30:36","date_gmt":"2016-10-28T11:30:36","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=12298"},"modified":"2016-10-27T15:24:32","modified_gmt":"2016-10-27T18:24:32","slug":"entre-homens-idosos-no-mercado-de-trabalho-516-sao-aposentados","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/mercado-de-trabalho\/entre-homens-idosos-no-mercado-de-trabalho-516-sao-aposentados\/","title":{"rendered":"Entre homens idosos no mercado de trabalho, 51,6% s\u00e3o aposentados"},"content":{"rendered":"<p>Aposentar-se n\u00e3o significa parar de trabalhar. Dos idosos de 60 anos ou mais que ainda permanecem no mercado de trabalho, 51,6% dos homens e 44,4% das mulheres s\u00e3o aposentados. Um avan\u00e7o consider\u00e1vel sobre os n\u00fameros de 1983, quando foi institu\u00edda a Pol\u00edtica Nacional do Idoso. Naquele ano, as propor\u00e7\u00f5es eram de 39,7% para os homens e 17,5% para as mulheres, o que atesta a maci\u00e7a entrada feminina no mercado de trabalho nos \u00faltimos 33 anos, al\u00e9m do envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o e do aumento da formaliza\u00e7\u00e3o. A avalia\u00e7\u00e3o de 32 pesquisadores sobre os impactos da pol\u00edtica que deu origem ao Estatuto do Idoso \u00e9 exposta no livro \u201cPol\u00edtica Nacional do Idoso, velhas e novas quest\u00f5es\u201d, editado pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada (Ipea) e lan\u00e7ado na \u00faltima sexta-feira.<\/p>\n<p>\u2014 Isso mostra que boa parte dos aposentados continua trabalhando e que pode ser adotada a idade m\u00ednima. Em m\u00e9dia, os homens ficam mais quatro anos trabalhando ap\u00f3s a aposentadoria. O problema \u00e9 ver em que condi\u00e7\u00f5es. N\u00e3o se pode dar uma canetada e virar a p\u00e1gina. \u00c9 preciso pensar em pol\u00edticas conjuntas, ver o papel das empresas para vencer o preconceito contra o idoso, melhorar a mobilidade urbana. Se um jovem j\u00e1 sofre de ficar mais de duas horas no transporte, imagina o idoso. Tem que se pensar em pol\u00edticas de sa\u00fade, para diminuir o absente\u00edsmo, e educacionais, para superar o atraso tecnol\u00f3gico. O trabalho \u00e9 importante para a integra\u00e7\u00e3o social, principalmente para os homens \u2014 afirma a economista Ana Am\u00e9lia Camarano, uma das organizadoras do livro, juntamente com Alexandre de Oliveira Alc\u00e2ntara e Karla Cristina Giacomin.<\/p>\n<p>A cobertura maior da Previd\u00eancia Social depois da Constitui\u00e7\u00e3o Federal de 1988 \u2014 que instituiu a aposentadoria rural e o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada para os idosos e deficientes pobres, ambos sem necessidade de contribui\u00e7\u00e3o \u2014 tamb\u00e9m explica essa participa\u00e7\u00e3o maior dos aposentados no mercado de trabalho.<\/p>\n<p>Essa popula\u00e7\u00e3o de trabalhadores idosos conseguiu vencer o preconceito que os vem expulsando cada vez mais cedo do mercado, ressalta Jorge Felix, pesquisador do grupo Pol\u00edticas para o Desenvolvimento Humano do Programa de Estudos P\u00f3s-Graduados em Economia Pol\u00edtica, da PUC-SP. \u00c9 dele o cap\u00edtulo sobre o idoso e o mercado de trabalho.<\/p>\n<p>\u2014 At\u00e9 pouco tempo atr\u00e1s, trabalhar depois da aposentadoria era uma jabuticaba brasileira. Em poucos pa\u00edses \u00e9 permitido se aposentar ainda trabalhando, mas, com a crise na Europa, isso passou a acontecer em alguns pa\u00edses, onde os aposentados foram obrigados a voltar ao mercado. O problema \u00e9 que, no mundo inteiro, os trabalhadores est\u00e3o sendo expulsos cada vez mais cedo.<\/p>\n<p>A idade m\u00ednima para aposentadoria tem subido em pa\u00edses desenvolvidos para 62, 63 anos, mas n\u00e3o resolveu o problema do financiamento do sistema previdenci\u00e1rio, diz Felix. No Brasil, estuda-se estabelecer 65 anos como idade m\u00ednima, que n\u00e3o \u00e9 exigida na hora de requerer o benef\u00edcio.<\/p>\n<p>\u2014 O mercado n\u00e3o absorve os trabalhadores em quantidade suficiente depois dos 45 anos. Antes, o mercado expulsava aos 55, depois baixou para 50, e agora \u00e9 com 45 anos. As reformas de Previd\u00eancia est\u00e3o sendo debatidas descoladas das metamorfoses que houve no mercado de trabalho \u2014 diz Felix.<\/p>\n<p>Para o estudioso, o trabalhador fica mais vulner\u00e1vel na segunda metade da carreira. Quando acontece depois do 40 anos, a demiss\u00e3o leva \u00e0 informalidade, o que o impede de atender \u00e0s condi\u00e7\u00f5es para se aposentar, diz Felix. Na for\u00e7a de trabalho idosa masculina, 43% s\u00e3o conta pr\u00f3pria, e 14,3% s\u00e3o n\u00e3o remunerados. Quase 60% est\u00e3o em atividades sem prote\u00e7\u00e3o social. Entre as mulheres, 23,6% s\u00e3o n\u00e3o remuneradas.<\/p>\n<p><strong>MAIS 45 MILH\u00d5ES DE IDOSOS EM 2050<\/strong><\/p>\n<p><strong><\/strong>Paula Carvalho, de 61 anos, trabalha desde jovem, mas s\u00f3 conseguiu comprovar 12 anos de contribui\u00e7\u00e3o. Para se aposentar por idade, ainda precisa recolher INSS por mais tr\u00eas anos. Mesmo por idade, exige-se uma contribui\u00e7\u00e3o m\u00ednima de 15 anos.<\/p>\n<div id=\"pub-retangulo-2\" class=\"arroba publicidade clearfix\" data-google-query-id=\"CO-hg5vL-88CFRKIkQod-9MDfQ\"><\/div>\n<p>\u2014 Trabalho fazendo cabelo, depila\u00e7\u00e3o, por conta pr\u00f3pria. N\u00e3o tenho dinheiro para pagar INSS \u2014 diz Paula, que \u00e9 vi\u00fava, mas n\u00e3o recebe pens\u00e3o.<\/p>\n<p>Sem uma pol\u00edtica para manter o trabalhador maduro no mercado, pode aumentar o n\u00famero do que Ana Am\u00e9lia chama de \u201cnem-nem\u201d adulto: pessoas de 50 anos ou mais que nem trabalham nem recebem aposentadoria. A situa\u00e7\u00e3o ainda \u00e9 mais comum entre a popula\u00e7\u00e3o feminina, apesar da forte queda observada entre 1983 e 2014, de 59,8% para 33,4%, refletindo a entrada da mulher no mercado de trabalho. Com os homens, aconteceu o contr\u00e1rio: era de 5,3% em 1983, caiu para 3,5% dez anos depois e subiu para 7,2% em 2014.<\/p>\n<p>A preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 que a pobreza na velhice aumente. O temor existia nos anos 1970, quando a popula\u00e7\u00e3o brasileira ainda se expandia com for\u00e7a. A Constitui\u00e7\u00e3o instituiu a aposentadoria rural e o Benef\u00edcio de Presta\u00e7\u00e3o Continuada (BPC). Como esses benef\u00edcios n\u00e3o exigem contribui\u00e7\u00e3o, entre as propostas em estudo para a reforma da Previd\u00eancia est\u00e1 desvincular o reajuste dos valores daquele do sal\u00e1rio m\u00ednimo, corrigindo-os apenas pela infla\u00e7\u00e3o. O m\u00ednimo tem pol\u00edtica de valoriza\u00e7\u00e3o ligada \u00e0 expans\u00e3o do Produto Interno Bruto (PIB) registrada dois anos antes.<\/p>\n<p>\u2014 A din\u00e2mica de toda a economia n\u00e3o \u00e9 promissora para a empregabilidade futura. Os pa\u00edses precisam criar regulamenta\u00e7\u00e3o para mitigar esse descarte do trabalhador maduro \u2014 diz Felix.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas adotadas com a Constitui\u00e7\u00e3o fizeram cair a quantidade de idosos sem rendimento entre 1983 e 2014. Entre as mulheres, passou de 34,3% para 12,4%. Entre os homens, permaneceu baixa, mas subiu um pouco, de 2,3% para 3,4%.<\/p>\n<p>Ana Am\u00e9lia chama a aten\u00e7\u00e3o para o fato de que a popula\u00e7\u00e3o de 15 a 59 anos vai diminuir at\u00e9 2050 em 7,33 milh\u00f5es, reduzindo a oferta de m\u00e3o de obra. J\u00e1 a popula\u00e7\u00e3o de 60 anos ou mais vai subir exponencialmente: ser\u00e3o mais 45 milh\u00f5es at\u00e9 l\u00e1.<\/p>\n<p>\u2014 A demografia vai trabalhar a favor da inclus\u00e3o no mercado \u2014 diz Ana Am\u00e9lia.<\/p>\n<p>Outro desafio de ficar trabalhando mais \u00e9 a baixa escolaridade. Apesar do aumento, ainda \u00e9 baixa a instru\u00e7\u00e3o nessa faixa et\u00e1ria. Em 2014, 77,2% eram alfabetizados, contra m\u00e9dia brasileira de 91,7%. Em 1983, eram 51,9%. Os anos de estudo tamb\u00e9m aumentaram: passaram de 2,1 para cinco, na mesma compara\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2014 Os futuros idosos ser\u00e3o mais escolarizados, o que pode facilitar sua absor\u00e7\u00e3o pelo mercado.<\/p>\n<p>Alexandre Szabo J\u00fanior tem 88 anos e se aposentou no fim nos anos 1980, depois que fechou uma lanchonete que tinha em um hospital em Nova Friburgo:<\/p>\n<p>\u2014 Passava 15, 16 horas em p\u00e9. Era muito sacrif\u00edcio, n\u00e3o consegui continuar trabalhando.<\/p>\n<p>Sua mulher, Agostinha Vittoruzzo Szabo, de 83 anos, tamb\u00e9m est\u00e1 aposentada. Era fazia os salgados, bolos e pizzas que abasteciam a lanchonete. Cada um recebe um sal\u00e1rio m\u00ednimo.<\/p>\n<p>Fonte: O<a href=\"http:\/\/oglobo.globo.com\/\" target=\"_blank\"> Globo\u00a0<\/a><\/p>\n<div class=\"listadeFatosMateria clearfix list0\"><\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Aposentar-se n\u00e3o significa parar de trabalhar. Dos idosos de 60 anos ou mais que ainda permanecem no mercado de trabalho, 51,6% dos homens e 44,4% das mulheres s\u00e3o aposentados. Um avan\u00e7o consider\u00e1vel sobre os n\u00fameros de 1983, quando foi institu\u00edda a Pol\u00edtica Nacional do Idoso. 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