{"id":12454,"date":"2016-11-03T09:31:04","date_gmt":"2016-11-03T12:31:04","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=12454"},"modified":"2016-11-03T09:31:04","modified_gmt":"2016-11-03T12:31:04","slug":"novo-presidente-dos-eua-tera-pouco-impacto-no-brasil-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/novo-presidente-dos-eua-tera-pouco-impacto-no-brasil-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Novo presidente dos EUA ter\u00e1 pouco impacto no Brasil, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos da pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (8) definir\u00e3o se a democrata Hillary Clinton ou o republicano Donald Trump assumir\u00e1 a Casa Branca ap\u00f3s oito anos do governo de Barack Obama. As propostas dos dois principais candidatos podem apontar para rumos distintos para os EUA, mas no Brasil o resultado n\u00e3o deve ter impacto significativo, segundo especialistas ouvidos pelo G1.<\/p>\n<p>Isso porque o atual relacionamento entre os EUA e o Brasil \u00e9 considerado raso, e o nosso pa\u00eds n\u00e3o est\u00e1 entre as maiores preocupa\u00e7\u00f5es de Washington. Por outro lado, um aprofundamento nas rela\u00e7\u00f5es seria poss\u00edvel dependendo do esfor\u00e7o que o governo brasileiro far\u00e1 para se aproximar dos EUA.<\/p>\n<p>Exemplo de que o Brasil \u00e9 pouco significativo para os EUA no momento \u00e9 o fato de que o maior pa\u00eds da Am\u00e9rica Latina n\u00e3o \u00e9 citado nos programas de governo de nenhum dos dois candidatos, o que torna ainda mais dif\u00edcil prever poss\u00edveis mudan\u00e7as por aqui.<\/p>\n<p>Os especialistas concordam que uma eventual vit\u00f3ria de Hillary seria uma continuidade da atual postura norte-americana em rela\u00e7\u00e3o ao Brasil. J\u00e1 no caso de Trump conquistar a Casa Branca, fica mais dif\u00edcil fazer uma previs\u00e3o. \u00c9 poss\u00edvel que as rela\u00e7\u00f5es sigam iguais ou que haja alguma mudan\u00e7a no que diz respeito \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o e ao com\u00e9rcio exterior dos EUA.<\/p>\n<p>\u201cAcho que a escolha fica entre o <em>status quo<\/em>com Hillary e talvez algum tipo de mudan\u00e7a com Trump, mas provavelmente n\u00e3o tanta mudan\u00e7a como ele acha ou como diz\u201d, diz ao <strong>G1 <\/strong>Matthew Taylor, cientista pol\u00edtico da American University, em Washington.<\/p>\n<p><strong>Brasileiros nos EUA<\/strong><br \/>\nO debate sobre imigra\u00e7\u00e3o nos EUA pode afetar os brasileiros que vivem ou que fazem planos de se mudar para os EUA.<\/p>\n<p>A democrata Hillary promete uma reforma imigrat\u00f3ria que buscar\u00e1 regularizar imigrantes ilegais que trabalham e pagam impostos e que n\u00e3o cometem crimes no pa\u00eds. Tamb\u00e9m defende acabar com a separa\u00e7\u00e3o de pais e filhos promovidas atualmente por algumas leis de migra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Trump tem propostas como a deporta\u00e7\u00e3o de milh\u00f5es de imigrantes ilegais, a suspens\u00e3o da imigra\u00e7\u00e3o de alguns pa\u00edses, a aplica\u00e7\u00e3o de um exame ideol\u00f3gico aos que querem migrar pata o pa\u00eds e, a mais famosa, a constru\u00e7\u00e3o de um muro na fronteira dos EUA com o M\u00e9xico \u2013 que seria pago pelo pa\u00eds latino-americano &#8211; para impedir a entrada de imigrantes.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Trump exibe desenho de muro que promete construir na fronteira com o M\u00e9xico para proibir a entrada de imigrantes durante com\u00edcio nesta quarta-feira (9) em Fayetteville, na Carolina do Norte (Foto: REUTERS\/Jonathan Drake)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/wyFGMqUXbq0-H2EgtwgfoKkFlSQ=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/03\/10\/trump-desenho-muro.jpg\" alt=\"Trump exibe desenho de muro que promete construir na fronteira com o M\u00e9xico para proibir a entrada de imigrantes durante com\u00edcio nesta quarta-feira (9) em Fayetteville, na Carolina do Norte (Foto: REUTERS\/Jonathan Drake)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><strong>Trump exibe desenho de muro que promete construir na fronteira com o M\u00e9xico para proibir a entrada de imigrantes durante com\u00edcio na Carolina do Norte (Foto: REUTERS\/Jonathan Drake)<\/strong><\/div>\n<p>Alguns especialistas, como Taylor, desconfiam de que o programa do republicano n\u00e3o funcione na pr\u00e1tica. \u201cSuspeito que mesmo que Trump ganhe seria muito dif\u00edcil para ele passar um programa de imigra\u00e7\u00e3o do tipo que ele pensa, que ele deseja. H\u00e1 raz\u00f5es de neg\u00f3cios por que a plataforma de imigra\u00e7\u00e3o que ele est\u00e1 executando \u00e9 irrealista. Parece-me que o que temos visto da campanha de Trump vai provavelmente ficar restrito \u00e0 campanha\u201d, diz.<\/p>\n<p>Ao considerar um cen\u00e1rio em que tudo que \u00e9 dito na campanha presidencial seja colocado em pr\u00e1tica, os brasileiros em situa\u00e7\u00e3o irregular nos EUA poder\u00e3o ser afetados. \u201cTrump tem como bandeira esse endurecimento na pol\u00edtica de imigra\u00e7\u00e3o. [A rela\u00e7\u00e3o com o Brasil] poderia ser afetada por uma mudan\u00e7a de imigra\u00e7\u00e3o [dos EUA] e consequentemente algumas deporta\u00e7\u00f5es. Com Trump h\u00e1 uma possibilidade de rela\u00e7\u00e3o um pouco mais tortuosa. Mas n\u00e3o significa que ser\u00e1 ca\u00f3tica, de afastamento abrupto\u201d, diz Fernanda Magnotta, coordenadora do curso de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Funda\u00e7\u00e3o Armando Alvares Penteado (Faap).<\/p>\n<p><strong>Protecionismo comercial<\/strong><br \/>\nNo quesito com\u00e9rcio exterior, Hillary e Trump t\u00eam propostas um pouco parecidas, mas o discurso de Trump \u00e9 mais agressivo. Eles defendem pol\u00edticas comerciais mais restritivas e a taxa\u00e7\u00e3o de competidores desleais fora do pa\u00eds.<\/p>\n<p>Trump defende uma pol\u00edtica mais isolacionista e protecionista da ind\u00fastria nacional, com aumento dos impostos de empresas que deixarem o pa\u00eds ou que n\u00e3o empregarem americanos preferencialmente. Diversas vezes durante a campanha o empres\u00e1rio repetiu que pa\u00edses como China e M\u00e9xico \u201croubam\u201d empregos e ind\u00fastrias dos EUA e amea\u00e7ou taxar produtos chineses.<\/p>\n<p>\u201cEm rela\u00e7\u00e3o a diversas regi\u00f5es do mundo o que se pode esperar [de Trump] \u00e9 o afastamento dos EUA. A ideia \u00e9 fechar ao m\u00e1ximo o pa\u00eds para garantir desenvolvimento dom\u00e9stico. Ele transmite a ideia de que prefere os EUA desassociados \u00e0 l\u00f3gica de globaliza\u00e7\u00e3o que conhecemos\u201d, diz Fernanda.<\/p>\n<p>Os dois candidatos s\u00e3o contra a Parceria Transpac\u00edfica (TPP, na sigla em ingl\u00eas) \u2013 apesar de Hillary, como secret\u00e1ria de Estado, ter ajudado o presidente Obama a negoci\u00e1-lo. O acordo ir\u00e1 cortar barreiras comerciais em 12 pa\u00edses, entre eles EUA e Jap\u00e3o. Caso seja ratificado, poderia impactar 40% da economia global, segundo proje\u00e7\u00f5es feitas \u00e0 \u00e9poca em que foi assinado.<\/p>\n<p><strong>Lideran\u00e7a na Am\u00e9rica Latina<\/strong><br \/>\nMudan\u00e7as mais profundas na rela\u00e7\u00e3o com EUA dependem mais do esfor\u00e7o e o interesse que o Brasil mostrar. E uma oportunidade para se alcan\u00e7ar uma rela\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima seria desempenhar um maior papel de lideran\u00e7a entre os outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-620\">\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"Hillary apareceu no fim do discurso de Obama para saud\u00e1-lo na conven\u00e7\u00e3o democrata (Foto: Lucy Nicholson\/Reuters)\" src=\"http:\/\/s2.glbimg.com\/tQwY1sMWF8bA_BsRHLLkWAIV6k0=\/620x465\/s.glbimg.com\/jo\/g1\/f\/original\/2016\/07\/28\/2016-07-28t035543z_988859673_ht1ec7s0aw9r7_rtrmadp_3_usa-election.jpg\" alt=\"Hillary apareceu no fim do discurso de Obama para saud\u00e1-lo na conven\u00e7\u00e3o democrata (Foto: Lucy Nicholson\/Reuters)\" width=\"620\" height=\"465\" \/><strong>Hillary Clinton e Barack Obama durante a conven\u00e7\u00e3o do Partido Democrata que confirmou sua candidatura \u00e0 presid\u00eancia (Foto: Lucy Nicholson\/Reuters)<\/strong><\/p>\n<\/div>\n<p>Para Carlos Pio, cientista pol\u00edtico e professor de Rela\u00e7\u00f5es Internacionais da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), uma novidade nessa rela\u00e7\u00e3o depende mais do contexto latino-americano do que quem ser\u00e1 o novo presidente nos EUA. Ele diz que o resultado das elei\u00e7\u00f5es norte-americanas \u201cn\u00e3o ter\u00e1 impacto nenhum no Brasil\u201d e que uma aproxima\u00e7\u00e3o \u201cdepende muito do que o Brasil for chamado a desempenhar, o que s\u00f3 vai acontecer se tiver algum problema na regi\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Pio cita a lideran\u00e7a do Brasil na miss\u00e3o de paz da ONU no Haiti, por meio da qual enviou tropas em 2004 para ajudar na estabiliza\u00e7\u00e3o do pa\u00eds caribenho, e o engajamento brasileiro \u201cpara de certa forma suavizar a situa\u00e7\u00e3o na Venezuela\u201d durante o governo Obama.<\/p>\n<p>Matthew Taylor, da American University, diz que do ponto de vista americano essa lideran\u00e7a seria muito bem-vinda. \u201cOs Estados Unidos n\u00e3o tem demandado investir muito tempo em aprofundar a rela\u00e7\u00e3o, em parte porque n\u00e3o v\u00ea que ganhos poderiam sair dela no curto prazo\u201d, afirma. \u201cOs EUA ficariam satisfeitos se o Brasil liderasse os esfor\u00e7os em impulsionar a Col\u00f4mbia ou a Venezuela em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 resolu\u00e7\u00e3o de seus problemas. Seria de muita ajuda aos EUA, porque t\u00eam enfrentado muita resist\u00eancia quando se envolve na Am\u00e9rica do Sul\u201d, acrescenta.<\/p>\n<p>Esse papel de um importante ator regional deve ser mais facilmente assimilado por Hillary, na avalia\u00e7\u00e3o de Fernanda Magnotta, da Faap. \u201cBaseado em sua experi\u00eancia como secret\u00e1ria de Estado, percebe-se que tudo que foi feito na regi\u00e3o tinha como car\u00e1ter garantir estabilidade local\u201d, diz. \u201cHillary provavelmente incorporaria a ideia de que o Brasil \u00e9 um ator regional importante, mas ator global limitado. Ela d\u00e1 a devida import\u00e2ncia ao Brasil dentro do contexto sul-americano, mas dificilmente vai defender ou ajudar a propagar interesses do Brasil de maior alcance, como por exemplo o assento no Conselho de Seguran\u00e7a na ONU\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Para mostrar interesse e passar confian\u00e7a em sua imagem internacional, os especialistas concordam que o Brasil deve primeiro fazer a \u201cli\u00e7\u00e3o de casa\u201d, resolvendo problemas internos como a instabilidade pol\u00edtica e econ\u00f4mica.<\/p>\n<div id=\"5206850\" class=\"video componente_materia\" data-height=\"349\" data-width=\"620\">\n<div id=\"wp3-player-0\" class=\"clappr-player\" tabindex=\"9999\" data-player=\"\">\n<div class=\"container master-container pointer-enabled\" data-container=\"\" data-pip=\"\">\n<div class=\"player-poster\" data-poster=\"\">\u00a0Fonte: <a href=\"http:\/\/g1.globo.com\/\" target=\"_blank\">G1\u00a0<\/a><\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As elei\u00e7\u00f5es nos Estados Unidos da pr\u00f3xima ter\u00e7a-feira (8) definir\u00e3o se a democrata Hillary Clinton ou o republicano Donald Trump assumir\u00e1 a Casa Branca ap\u00f3s oito anos do governo de Barack Obama. As propostas dos dois principais candidatos podem apontar para rumos distintos para os EUA, mas no Brasil o resultado n\u00e3o deve ter impacto [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":12455,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"post_folder":[],"class_list":["post-12454","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-noticias"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12454","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=12454"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12454\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":12457,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/12454\/revisions\/12457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/12455"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=12454"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=12454"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=12454"},{"taxonomy":"post_folder","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/post_folder?post=12454"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}