{"id":13071,"date":"2017-01-13T10:00:08","date_gmt":"2017-01-13T13:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=13071"},"modified":"2017-01-12T14:42:50","modified_gmt":"2017-01-12T17:42:50","slug":"como-sofrer-menos-com-o-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/como-sofrer-menos-com-o-trabalho\/","title":{"rendered":"Como sofrer menos com o trabalho"},"content":{"rendered":"<p>Em um intrigante estudo sobre intelig\u00eancias coletivas, Thomas Malone e um time de pesquisadores do MIT analisaram grupos com habilidade acima da m\u00e9dia na resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p>O resultado mostrou que o QI dos envolvidos n\u00e3o era t\u00e3o crucial como se espera, assim como a presen\u00e7a de uma ou duas pessoas especialmente capazes n\u00e3o era algo cr\u00edtico.<\/p>\n<p>Os grupos com melhor performance tinham algumas qualidades chave, como:<\/p>\n<ul>\n<li>as pessoas neles se escutavam de modo mais proporcional e atento, todos tinham tempo de fala<\/li>\n<li>havia grande sensibilidade social nas pessoas do grupo, elas estavam conectadas \u00e0s emo\u00e7\u00f5es e necessidades umas das outras<\/li>\n<\/ul>\n<p>Ou seja, escuta compartilhada e sensibilidade social tornam o trabalho mais eficaz. \u00c9 um longo avan\u00e7o para um termo cuja origem remonta ao latim tripalium, um obscuro instrumento de tr\u00eas paus usado para subjugar ou torturar animais e escravos, os for\u00e7ando a trabalhar mais.<\/p>\n<p>Era torturado, ou &#8220;trabalhava&#8221;, quem n\u00e3o tinha dinheiro para os impostos. Com o passar dos s\u00e9culos, a palavra passou a significar a atividades f\u00edsicas exaustivas e duras. No s\u00e9culo XIV, come\u00e7ou a surgir o sentido mais amplo que conhecemos hoje. Mas de forma ainda bem lenta. Pois no s\u00e9culo XIX, trabalho ainda era bastante associado a agricultores, oper\u00e1rios e m\u00e1quinas.<\/p>\n<p>Hoje, quem diria, trabalho \u00e9 pra se amar. Entretanto, com um passado desses, n\u00e3o \u00e9 de se estranhar que haja alguns esqueletos nesse arm\u00e1rio e que ainda haja tanto sofrimento ligado ao modo como trabalhamos.<\/p>\n<p>A verdade para mim \u00e9 que, passado obscuro ou n\u00e3o, gosto de trabalhar. Melhor dizendo, ficaria feliz se pudesse trabalhar menos ter mais dias de \u00f3cio, mas aprecio o que ele representa para mim. Nas palavras de 1899 do escritor polon\u00eas Joseph Conrad:<\/p>\n<p style=\"border: 0; color: #919191; font-size: 1.25rem; font-style: italic; line-height: 1.5; margin-bottom: 1rem; padding: 1.25rem 1.25rem;\">&#8220;Gosto do que est\u00e1 no trabalho, a chance de se encontrar.&#8221;<\/p>\n<p>Por meio do trabalho, podemos nos fazer \u00fateis \u00e0s pessoas. Ser parte de algo maior ou apenas executar algo pequeno e espec\u00edfico, mas que precisa ser feito. Podemos nos expressar criativamente (privil\u00e9gio moderno) ou usar as m\u00e3os e nossa mente de modo bastante particular e habilidoso. Quem sabe ainda, no seu caso, seja um trabalho repetitivo, enfadonho. Ainda assim, dele vem o sustento pra fazer outras coisas que nos agradem e para cuidar de n\u00f3s mesmos e daqueles que amamos.<\/p>\n<p>Acho dif\u00edcil pensar num trabalho que n\u00e3o gere benef\u00edcio algum a outra pessoa. Sendo assim, pode sempre ser exercido com dignidade.<\/p>\n<p>Trabalhar envolve aprender, ensinar, nos relacionar. Naturalmente, essa trinca pode significar um inferno ou uma oportunidade permanente de treino para nossas faculdades mentais e emo\u00e7\u00f5es. Pensando nisso, vou oferecer um pouco do que funcionou pra mim ao longo dos anos.<\/p>\n<h3><strong>1. &#8220;Eu n\u00e3o construo casas, construo rela\u00e7\u00f5es&#8221;<\/strong><\/h3>\n<p>Nunca mais vou esquecer dessa frase. A escutei de uma pessoa respons\u00e1vel por colocar de p\u00e9 casas ao redor de todo o Brasil, em sua maioria constru\u00eddas por meio de doa\u00e7\u00f5es diversas e esfor\u00e7o comunit\u00e1rio.<\/p>\n<p>A vis\u00e3o por tr\u00e1s \u00e9 simples. Um trabalho n\u00e3o \u00e9 conclu\u00eddo pela execu\u00e7\u00e3o de tarefas numa certa ordem. Ele \u00e9 feito pela inten\u00e7\u00e3o e disposi\u00e7\u00e3o das pessoas em fazer o que \u00e9 atribu\u00eddo a elas, com esmero e efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Mas de onde surgem a disposi\u00e7\u00e3o, a compet\u00eancia, o esmero? Seria apenas do dinheiro?<\/p>\n<p>Creio que n\u00e3o s\u00f3, pois cansamos de ver por a\u00ed pessoas e equipes muito bem pagas realizando trabalhos sofr\u00edveis. Nossa energia brota das rela\u00e7\u00f5es que cultivamos com nosso encargo, com a vis\u00e3o \u00e0 respeito do que fazemos e com aqueles que nos relacionamos para desempenhar a fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Um trabalho simples e bem pago, cercado de pessoas que nos tratam mal, se torna desesperador. Um trabalho dos infernos realizado com parceiros em todas as dire\u00e7\u00f5es se torna mais prazeroso. Ou, como dizia um ex-sogro \u00e1rabe, &#8220;antes um mau neg\u00f3cio com um \u00f3timo parceiro do que um \u00f3timo neg\u00f3cio com um mau parceiro&#8221;.<\/p>\n<p>O ponto \u00e9: sem as pessoas caminhando junto, voc\u00ea avan\u00e7a com o freio de m\u00e3o puxado. Com elas na mesma dire\u00e7\u00e3o, o c\u00e2mbio destrava e voc\u00ea vai at\u00e9 a quinta marcha.<\/p>\n<h3><strong>2. &#8220;A Accenture era um inferno pra muitos, pra mim foi incr\u00edvel&#8221;<\/strong><\/h3>\n<p>Essa escutei do Eduardo Amuri, na roda de conversa que ele conduziu sobre o tema trabalho, aqui no PdH mesmo. Ele abriu narrando sua experi\u00eancia na Accenture, que \u00e9 conhecida por relatos de esfolar seus funcion\u00e1rios, os levando \u00e0 exaust\u00e3o.<\/p>\n<p>Amuri entrou l\u00e1 como estagi\u00e1rio e, no primeiro dia, derrubou caf\u00e9 no teclado do chefe. Ao inv\u00e9s de ser humilhado, foi acolhido. E seguiu vendo o chefe acolher e agir com sabedoria em diferentes situa\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>N\u00e3o importa o qu\u00e3o complicada seja a empresa onde trabalha, voc\u00ea sempre pode fazer do local espec\u00edfico onde atua um espa\u00e7o de mais fluidez, apoio m\u00fatuo e efici\u00eancia.<\/p>\n<p>Ao inv\u00e9s de reclamar de tudo e seguir na in\u00e9rcia, experimente transformar quem est\u00e1 do seu lado em parceiros, j\u00e1.<\/p>\n<p>Brinque, ainda que por alguns dias ou semanas, que seu foco na empresa, acima de qualquer outro, \u00e9 cultivar aliados. Se n\u00e3o souber como fazer isso, pule no texto &#8220;Cultive rela\u00e7\u00f5es de parceria&#8221;, pode ajudar.<\/p>\n<p>Saia do seu caminho pra fazer isso e coloque um esfor\u00e7o deliberado, movido pela motiva\u00e7\u00e3o leg\u00edtima de tornar o ambiente mais agrad\u00e1vel para todos \u2014 afinal, como vimos no ponto 1, o trabalho \u00e9 feito de rela\u00e7\u00f5es, n\u00e3o s\u00f3 de tarefas executadas em sequ\u00eancia.<\/p>\n<p>Depois nos conte como foi a experi\u00eancia.<\/p>\n<h3><strong>3. Que &#8220;uma tarefa por vez&#8221; seja o seu mantra do ano<\/strong><\/h3>\n<p>Coloque o celular no modo avi\u00e3o at\u00e9 finalizar a tarefa pretendida \u2014 s\u00e9rio, essa \u00e9 uma das dicas mais simples e \u00fateis em meu cotidiano.<\/p>\n<p>Tenha o m\u00ednimo necess\u00e1rio de abas abertas em seu navegador para realizar o que precisa. Se estiver cansado, levante da mesa, fa\u00e7a um lanche ou caminhe para refrescar a mente. Retorne e fa\u00e7a o que deve ser feito.<\/p>\n<p>Aqui uma sugest\u00e3o que me ajudou muito: &#8220;Como trabalhar 40 horas em 17&#8221;.<\/p>\n<p>Falar que estamos &#8220;na correria&#8221; e seguir fazendo v\u00e1rias tarefas juntas, alegando falta de tempo, \u00e9 como estar se afogando e dizer que est\u00e1 muito ocupado para segurar uma b\u00f3ia.<\/p>\n<p>Poucas coisas geram mais retrabalho do que falta de aten\u00e7\u00e3o. Emails mal escritos significam reuni\u00f5es extras de alinhamento, liga\u00e7\u00f5es confusas levam a viagens perdidas, apresenta\u00e7\u00f5es finalizadas \u00e0s pressas fecham menos neg\u00f3cios, as falhas anteriores levam a mau humor e ansiedade, refor\u00e7ando e piorando todo o ciclo.<\/p>\n<p>Quando algu\u00e9m estiver em pane ao seu lado, exigindo que voc\u00ea tamb\u00e9m vista a camisa da empresa trabalhando como um demente, responda que \u00e9 devagar que se anda mais r\u00e1pido.<\/p>\n<h3><strong>4. Escute de modo mais proporcional todos na equipe<\/strong><\/h3>\n<p>Esse \u00e9 o item ressaltado pelo estudo do MIT, que apresento no in\u00edcio desse artigo. Significa todos no time terem mais tempo de fala e serem escutados, de fato.<\/p>\n<p>N\u00e3o vale dar tempo ao outro e ficar no celular, \u00e9 preciso estar presente. O que aconteceu comigo quando comecei a praticar isso de verdade, no meio desse ano, foi que notei como \u00e0s vezes eu j\u00e1 escutava algu\u00e9m com indisposi\u00e7\u00e3o e desinteresse, por mero h\u00e1bito. E quando resolvi experimentar &#8220;resetar&#8221; minha percep\u00e7\u00e3o mental do outro, percebia v\u00e1rias ideias \u00f3timas escondidas pela minha incapacidade de olhar o outro de forma mais ampla.<\/p>\n<p>Creio que essa sugest\u00e3o vale n\u00e3o s\u00f3 para gestores. Um jeito de facilitar o processo, independente de sua posi\u00e7\u00e3o no time, \u00e9 fazer quest\u00e3o de perguntar a opini\u00e3o mesmo de quem costuma ficar em sil\u00eancio. Ou direcionar seu olhar ou fala pra quem est\u00e1 se sentindo mais esquecido, seja com perguntas ou elogios.<\/p>\n<p>Entendendo tamb\u00e9m que isso \u00e9 um percurso e toma tempo. N\u00e3o basta escutar numa \u00fanica reuni\u00e3o ou email, \u00e9 importante seguir com essa escuta de modo mais permanente. A fonte desse ensinamento \u00e9 o livro &#8220;Beyond Measure: the impact of small changes&#8221;, recomendo.<\/p>\n<h3><strong>5. Separe parte do dia ou semana pra fazer algo que te d\u00ea tes\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Me movo muit\u00edssimo por energia. E \u00e9 batata. Quando vou ficando mau humorado demais com o trabalho, faz dias ou semanas que n\u00e3o realizado algo que me d\u00e1 gosto.<\/p>\n<p>Isso \u00e9 diferente de gostar dos benef\u00edcios que voc\u00ea gera \u00e0s pessoas ou apreciar a ideia maior do que seu trabalho representa \u2014 amo a ideia do PdH, mas h\u00e1 semanas em que estou completamente exausto com a rotina \u2014, \u00e9 colocar a m\u00e3o na massa em tarefas que te d\u00e3o prazer genu\u00edno.<\/p>\n<p>Nem todos possuem essa necessidade, mas comigo \u00e9 assim. Se n\u00e3o h\u00e1 prazer no que fa\u00e7o por per\u00edodos longos demais, minha energia vai se derramando como numa ampulheta, at\u00e9 eu me esgotar e fechar cada vez mais. Me enxergo com uma resili\u00eancia bastante grande, pra suportar per\u00edodos duros. Por\u00e9m, se posso atravessar os mesmos per\u00edodos com mais brilho no olho e g\u00e1s no tanque, n\u00e3o vejo porque deixar de fazer isso.<\/p>\n<p>O exerc\u00edcio aqui poderia ser: qual atividade \u00e9 essa que te d\u00e1 alegria? Se nada no trabalho em si te d\u00e1 essa alegria, ser\u00e1 que consegue ser mais eficiente em sua rotina e ter mais tempo de almo\u00e7o ou quem sabe n\u00e3o levar nenhum trabalho pra casa, liberando espa\u00e7o pro que realmente te energiza?<\/p>\n<h3><strong>6. N\u00e3o subestime o poder de uma boa liga\u00e7\u00e3o<\/strong><\/h3>\n<p>Em tempos de facebook, whatsapp, twitter e instagram, \u00e9 f\u00e1cil esquecer dessa arcaica fun\u00e7\u00e3o de ligar para as pessoas.<\/p>\n<p>Mas o telefone transmite energia de modo bastante particular. E costumo usar bastante o poder das liga\u00e7\u00f5es pra resolver problemas e acelerar processos.<br \/>\n* * *<\/p>\n<p>Agora quero escutar e aprender. O que voc\u00ea faz para o trabalho doer menos e render mais? Das sugest\u00f5es que dei, qual mais faz sentido em seu contexto?<\/p>\n<p>Seguimos nos coment\u00e1rios.<\/p>\n<p><small>Fonte: <a href=\"https:\/\/papodehomem.com.br\" target=\"_blank\">Papo de Homem<\/a><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em um intrigante estudo sobre intelig\u00eancias coletivas, Thomas Malone e um time de pesquisadores do MIT analisaram grupos com habilidade acima da m\u00e9dia na resolu\u00e7\u00e3o de problemas. 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