{"id":13201,"date":"2017-01-23T09:09:46","date_gmt":"2017-01-23T12:09:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=13201"},"modified":"2017-01-23T09:16:55","modified_gmt":"2017-01-23T12:16:55","slug":"desemprego-ampliado-no-brasil-e-de-212-quase-o-dobro-da-taxa-oficial","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/mercado-de-trabalho\/desemprego-ampliado-no-brasil-e-de-212-quase-o-dobro-da-taxa-oficial\/","title":{"rendered":"Desemprego ampliado no Brasil \u00e9 de 21,2%, quase o dobro da taxa oficial"},"content":{"rendered":"<p><strong>Em pesquisa do Credit Suisse, que soma aos desempregados as pessoas que desistiram de procurar trabalho ou vivem de bicos, Brasil ficou com o sexto maior porcentual entre 31 na\u00e7\u00f5es e \u00e0 frente de pa\u00edses com renda semelhante, como Turquia e M\u00e9xico.<\/strong><\/p>\n<p>A deteriora\u00e7\u00e3o do mercado de trabalho no Brasil \u00e9 muito mais profunda do que indicam as pesquisas tradicionais. Segundo estudo comparativo do banco Credit Suisse, o Brasil est\u00e1 entre os recordistas globais do chamado desemprego ampliado. O levantamento indica que o Brasil tem a sexta maior taxa de desemprego ampliado entre 31 pa\u00edses desenvolvidos e emergentes que foram avaliados.<\/p>\n<p>Em s\u00edntese, a taxa de desemprego tradicional considera apenas quem procura trabalho e n\u00e3o encontra. A taxa de desemprego ampliada usa uma m\u00e9trica mais complexa: inclui quem faz bico por falta de op\u00e7\u00e3o e trabalha menos do que poderia ou desistiu de procurar trabalho \u2013 sofre do chamado desalento.<\/p>\n<p>De acordo com os dados mais recentes, do terceiro trimestre de 2016, a taxa de desemprego ampliada do Brasil bateu em 21,2% \u2013 quase o dobro do desemprego oficial, que nesse per\u00edodo alcan\u00e7ou 11,8%. Por esse crit\u00e9rio, perto de 23 milh\u00f5es de brasileiros estariam desempregados ou subutilizados.<\/p>\n<p>Numa compara\u00e7\u00e3o internacional, a taxa de desemprego ampliado do Brasil est\u00e1 bem acima da m\u00e9dia dos pa\u00edses analisados, que \u00e9 de 16,1%. Tamb\u00e9m fica acima da taxa de pa\u00edses com renda compar\u00e1vel a do Brasil, como M\u00e9xico (18,3%) e Turquia (15,9%). O Brasil est\u00e1 atr\u00e1s apenas de pa\u00edses profundamente afetados pela crise internacional: Gr\u00e9cia (o recordista, com 31,2% de desemprego ampliado), Espanha (29,75%), It\u00e1lia (24,6%), Cro\u00e1cia (24,6%) e Chipre (23,8%).<\/p>\n<p>Esta \u00e9 a primeira vez que um levantamento do g\u00eanero inclui o Brasil e isso s\u00f3 foi poss\u00edvel porque agora h\u00e1 dados dispon\u00edveis no organismo oficial respons\u00e1vel por acompanhar o mercado de trabalho, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). Desde novembro do ano passado, o IBGE oferece informa\u00e7\u00f5es complementares sobre a subutiliza\u00e7\u00e3o da for\u00e7a de trabalho.<\/p>\n<p>Foi com base nessas novas estat\u00edsticas que o banco organizou o levantamento. \u201cOs novos indicadores oficiais permitem uma vis\u00e3o mais abrangente sobre a realidade do mercado de trabalho brasileiro e uma compara\u00e7\u00e3o internacional\u201d, diz Leonardo Fonseca, economista do Credit Suisse que coordenou o estudo.<\/p>\n<p><strong>Concreto. <\/strong>O paulistano Tiago de Oliveira Souza, 32 anos, \u00e9 um exemplo da sutileza da nova estat\u00edstica. Ele n\u00e3o engrossa a taxa de desemprego tradicional, pois tem uma ocupa\u00e7\u00e3o: \u00e9 motorista do Uber. Mas preenche os requisitos para compor a taxa de desemprego ampliado porque \u00e9 subutilizado. Souza trabalha menos horas do que poderia. \u201cTento fazer 8 horas por dia, mas nem sempre consigo, porque tem concorr\u00eancia. A demanda oscila, tudo \u00e9 muito imprevis\u00edvel\u201d, diz.<\/p>\n<p>Tiago tamb\u00e9m est\u00e1 numa atividade abaixo de suas qualifica\u00e7\u00f5es. Fala, l\u00ea e escreve em ingl\u00eas com facilidade. Tem, na sua defini\u00e7\u00e3o, n\u00edvel \u201cintermedi\u00e1rio avan\u00e7ado\u201d. Apenas 5% dos brasileiros t\u00eam esse dom\u00ednio do idioma. De 2004 a 2014, foi metal\u00fargico na Mercedes-Benz Caminh\u00f5es, em S\u00e3o Bernardo do Campo (SP). Foi de montador a inspetor de qualidade.<\/p>\n<p>Aderiu a um programa de demiss\u00e3o volunt\u00e1ria pois achou que poderia fazer carreira em outra atividade. Ocorre que, naquele momento, a crise chegou e as suas possibilidades foram se estreitando. Souza, que toca guitarra e viol\u00e3o, foi ser vendedor numa loja de instrumentos musicais, mas n\u00e3o se adaptou. \u201cAs metas eram altas e as vendas ca\u00edam\u201d, diz. Decidiu, ent\u00e3o, trabalhar num bar de jazz, na Vila Madalena. \u201cEm maio do ano passado, o bar n\u00e3o resistiu e fechou\u201d, diz ele.<\/p>\n<p>Por quatro meses, distribuiu curr\u00edculos, sem sucesso. Sobrou ser motorista. \u201cO Uber era para complementar renda e virou atividade principal. Ainda bem que eu tenho isso.\u201d<\/p>\n<p>O economista S\u00e9rgio Firpo, professor e pesquisador do Insper, lembra que h\u00e1 muitos crit\u00e9rios para medir o desemprego. Historicamente, o desemprego do IBGE foi inferior ao do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). \u201cO que importa \u00e9 que haja padroniza\u00e7\u00e3o\u201d, diz Firpo. Nesse caso, o desemprego ampliado \u00e9 um refinamento nas estat\u00edsticas que aperfei\u00e7oa a an\u00e1lise do mercado de trabalho.<\/p>\n<p><strong>Produtividade.\u00a0<\/strong>O relat\u00f3rio do banco Credit Suisse sobre a macroeconomia brasileira traz um dado preocupante: setores considerados mais produtivos demitem mais do que os menos produtivos. Essa din\u00e2mica vai puxar para baixo a produtividade do trabalho no Brasil, que j\u00e1 est\u00e1 muito aqu\u00e9m do adequado, e levar a uma mudan\u00e7a estrutural para pior. \u201cIsso vai fazer com o que Brasil cres\u00e7a menos no m\u00e9dio e no longo prazos\u201d, diz Leonardo Fonseca, economista do banco que coordenou o relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Segundo Fonseca, a an\u00e1lise mais acurada das demiss\u00f5es deixa claro que setores de alta produtividade, como imobili\u00e1rio, intermedia\u00e7\u00e3o financeira e servi\u00e7os de informa\u00e7\u00e3o, foram mais \u00e1geis em se ajustar \u00e0 recess\u00e3o. \u201cSetores mais produtivos demitiram mais gente\u201d, diz.<\/p>\n<p>Nos setores menos eficientes da economia, o que se v\u00ea \u00e9 o inverso. As demiss\u00f5es foram graduais. Em alguns casos, como administra\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e educa\u00e7\u00e3o p\u00fablica, os cortes nem foram feitos.<\/p>\n<p>O relat\u00f3rio destaca que setores mais produtivos t\u00eam uma participa\u00e7\u00e3o menor no mercado de trabalho e, portanto, menor influ\u00eancia no comportamento do emprego.<\/p>\n<p>No entanto, os setores mais eficientes fazem enorme diferen\u00e7a sobre a capacidade da economia como um todo crescer. Um n\u00famero menor de pessoas em \u00e1reas mais produtivas e um n\u00famero maior em \u00e1reas menos produtivas puxa para baixo a produtividade total. \u201cIsso indica que a atual recess\u00e3o vai ter um impacto permanente sobre a capacidade de o Pa\u00eds crescer no futuro\u201d, diz Fonseca.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/economia.estadao.com.br\/noticias\/geral,desemprego-ampliado-no-brasil-e-de-21-2-quase-o-dobro-da-taxa-oficial,70001637778\">Estad\u00e3o<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em pesquisa do Credit Suisse, que soma aos desempregados as pessoas que desistiram de procurar trabalho ou vivem de bicos, Brasil ficou com o sexto maior porcentual entre 31 na\u00e7\u00f5es e \u00e0 frente de pa\u00edses com renda semelhante, como Turquia e M\u00e9xico. 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