{"id":13504,"date":"2017-02-24T10:00:00","date_gmt":"2017-02-24T13:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=13504"},"modified":"2017-02-21T12:14:41","modified_gmt":"2017-02-21T15:14:41","slug":"a-importancia-da-cultura-de-feedback-para-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/rh-inteligente\/a-importancia-da-cultura-de-feedback-para-o-brasil\/","title":{"rendered":"A import\u00e2ncia da cultura de feedback para o Brasil"},"content":{"rendered":"<p>\u201cComo posso te ajudar?\u201d Quando ouvimos essa pergunta, uma das \u00faltimas situa\u00e7\u00f5es que pensamos \u00e9 a de um l\u00edder se colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de um colaborador da empresa. \u00c9 uma quest\u00e3o cultural no Brasil, com origens bem antigas.<\/p>\n<p>Aqui, diferente de outros lugares, o gestor ocupa uma posi\u00e7\u00e3o na qual ele apenas demanda, mas n\u00e3o \u00e9 demandado pela sua equipe. Esse comportamento gera uma linha de comunica\u00e7\u00e3o de m\u00e3o \u00fanica e a equipe fica receosa de solicitar ao gestor ajuda em determinadas atividades ou at\u00e9 de compartilhar afli\u00e7\u00f5es do dia a dia.<\/p>\n<p>Nessa din\u00e2mica, o feedback se torna um ponto ainda mais sens\u00edvel, principalmente quando \u00e9 vindo do time para o gestor. O feedback, em si, n\u00e3o \u00e9 algo dif\u00edcil. Se a escrevermos no Google Tradutor teremos a palavra traduzida como \u201ccoment\u00e1rios\u201d. Ao pesquisar em dicion\u00e1rios de L\u00edngua Portuguesa, as defini\u00e7\u00f5es ser\u00e3o algo como \u201cretorno de uma informa\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p>Em ingl\u00eas, as defini\u00e7\u00f5es s\u00e3o semelhantes. Em resumo, feedback \u00e9 o coment\u00e1rio que podemos fazer em rela\u00e7\u00e3o a algum comportamento, material produzido ou a\u00e7\u00e3o realizada. Moleza? N\u00e3o \u00e9 moleza, n\u00e3o!<\/p>\n<p>O sentido que as pessoas atribuem a palavra feedback depende de como \u00e9 definida a rela\u00e7\u00e3o de trabalho entre gestores e colaboradores dentro da empresa. Tem quem entenda o feedback como positivo ou negativo.<\/p>\n<p>Tem neg\u00f3cios que institucionalizam o feedback para ser apenas um momento de di\u00e1logo entre os envolvidos a cada seis meses, ou cada tr\u00eas meses ou a cada m\u00eas. Eu, na verdade, dou feedback o tempo todo para minha equipe e tamb\u00e9m recebo feedback o tempo inteiro. Para mim, esse momento \u00e9 extremamente construtivo.<\/p>\n<p><strong>Feedback no Brasil<\/strong><\/p>\n<p>Sou americano e venho de um mercado onde a cultura do feedback \u00e9 diferente. Nos Estados Unidos, somos acostumados a conversar uns com os outros o tempo inteiro sobre os resultados do trabalho. Somos diretos e em geral n\u00e3o temos problemas em rela\u00e7\u00e3o aos feedbacks.<\/p>\n<p>Enxergamos que ele \u00e9 um exerc\u00edcio importante para a constru\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio e para o desenvolvimento das pessoas. Esse comportamento pode parecer estranho para o mercado brasileiro.<\/p>\n<p>Minha experi\u00eancia no Brasil me mostrou que o feedback aqui se relaciona com sentimentos como medo e m\u00e1goa. Percebo que as pessoas t\u00eam muito receio em criticar o trabalho dos colegas e mago\u00e1-los.<\/p>\n<p>Note que, quando falo de cr\u00edtica, me refiro a algo que \u00e9 construtivo. N\u00e3o adianta apontarmos para a\u00e7\u00f5es da equipe ou dos colegas sem trazer uma ou mais alternativas que podem ser trabalhadas. Eu incentivo tamb\u00e9m o feedback entre pares.<\/p>\n<p>As pessoas que est\u00e3o na mesma equipe devem conversar o tempo inteiro sobre como podem otimizar o seu trabalho e o papel de cada um no dia a dia, afinal todos est\u00e3o juntos para alcan\u00e7ar o mesmo resultado.<\/p>\n<p>Acredito tamb\u00e9m que o trabalho de feedback est\u00e1 intrinsecamente ligado \u00e0 cultura e aos valores da empresa. Uma empresa com dez anos de exist\u00eancia, por exemplo, n\u00e3o pode querer incentivar a troca de ideias na rotina de um dia para o outro se nunca fez isso na sua hist\u00f3ria.<\/p>\n<p>O feedback funciona muito bem se ele nasce com a empresa. Se as pessoas costumam conversar abertamente umas com as outras, ele n\u00e3o \u00e9 visto como algo ruim.<\/p>\n<p><strong>Uma espiadinha dentro do VivaReal<\/strong><\/p>\n<p>No VivaReal temos uma cultura forte e um trabalho que destaca os valores da empresa no dia a dia. Quando come\u00e7amos o neg\u00f3cio, eu, Thomas Floracks, meu s\u00f3cio alem\u00e3o, e Diego Simon, meu s\u00f3cio brasileiro, decidimos desde sempre manter um trabalho de transpar\u00eancia.<\/p>\n<p>O VivaReal come\u00e7ou pequeno e a cada crescimento faz\u00edamos, e ainda fazemos, as pessoas se sentirem donas do neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Tudo isso fez com que as rela\u00e7\u00f5es entre as pessoas sempre fosse muito transparente. Al\u00e9m disso, compartilhamos resultados com toda a empresa e explicamos em que momento o neg\u00f3cio est\u00e1 e os passos que queremos dar para o futuro.<\/p>\n<p>Com a transpar\u00eancia \u00e9 uma das nossas principais caracter\u00edsticas, todos que entram na equipe j\u00e1 se acostumam a cultura do di\u00e1logo.<\/p>\n<p>Claro que quando \u00e9ramos tr\u00eas, quatro, dez, at\u00e9 mesmo cinquenta pessoas, era f\u00e1cil manter essa caracter\u00edstica; hoje somos 500 e n\u00e3o consigo mais estar presente em todos os lugares, mas como desde o in\u00edcio prezamos que todos estivessem alinhados com a cultura, hoje os pr\u00f3prios colaboradores passam para os novos colaboradores o nosso comportamento.<\/p>\n<p>Essa estrutura nos permite ter pessoas conscientes de que o feedback pode acontecer o tempo inteiro, com gestores e colaboradores que conversam sem medo. Nossa equipe est\u00e1 aberta a cr\u00edticas, contanto que tragam solu\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Para n\u00f3s n\u00e3o adianta falar que o trabalho n\u00e3o est\u00e1 bom. Por que n\u00e3o est\u00e1 bom? Que sugest\u00e3o voc\u00ea me d\u00e1 para que eu possa deix\u00e1-lo alinhado com a expectativa da empresa? Esse \u00e9 o tipo de feedback ideal, aquele que acrescenta algo para quem est\u00e1 recebendo.<\/p>\n<p><strong>O feedback como desenvolvimento profissional<\/strong><\/p>\n<p>Os l\u00edderes do VivaReal n\u00e3o t\u00eam salas. Nos nossos andares todo mundo trabalho junto. \u00c9 costume inclusive do CEO e Vice-Presidentes sentarem em lugares diferentes de tempos em tempos.<\/p>\n<p>Essa configura\u00e7\u00e3o, junto a cultura da empresa, torna o feedback algo natural. As conversas sobre as a\u00e7\u00f5es fluem naturalmente, mas na empresa tamb\u00e9m temos a\u00e7\u00f5es do RH que envolvem feedback e desenvolvimento profissional.<\/p>\n<p>A cada seis meses, os colaboradores fazem auto-avalia\u00e7\u00e3o e avaliam seus pares e gestores. Os gestores tamb\u00e9m avaliam o time, al\u00e9m de si mesmos. Nessa parte o RH tem um papel fundamental, trabalhando com processos que levam os gestores a n\u00e3o terem percep\u00e7\u00f5es enviesadas dos colaboradores.<\/p>\n<p>Por fim, s\u00e3o realizadas conversas com o objetivo de desenvolver o time. A proposta dessa avalia\u00e7\u00e3o \u00e9 melhorar pontos de cada um da equipe que ajudar\u00e3o eles mesmos e o neg\u00f3cio.<\/p>\n<p>Na nossa estrutura, o RH \u00e9 bastante presente. Nossa VP de Pessoas reporta diretamente ao CEO da empresa. Isso \u00e9 algo importante e sempre me faz lembrar de uma frase do Jack Welch, ex-CEO de General Electric: \u201cO RH \u00e9 a for\u00e7a motriz por tr\u00e1s do que faz uma equipe vencedora. Acreditamos que a equipe que coloca os melhores jogadores em campo ganha. O RH tem como objetivo nos fazer ter certeza que colocamos em campo os melhores jogadores\u201d.<\/p>\n<p>No Viva Real, cada \u00e1rea da empresa tem um consultor de recursos humanos que colabora com o desenvolvimento de todo o time. Esse profissional auxilia no momento dessa avalia\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m est\u00e1 dispon\u00edvel para conversar com as pessoas quando elas sentirem necessidade.<\/p>\n<p>Acreditamos que \u00e9 preciso ter uma conversa profissional, mais institucionalizada, mas, ao mesmo tempo, vivemos uma cultura de feedback informal, como comentei. N\u00e3o somos a favor do criticar por criticar.<\/p>\n<p>Por mais que a cultura de feedback n\u00e3o seja a mesma que vivi l\u00e1 fora, acredito que os feedbacks, seja de gestor para colaborador ou entre colaboradores, devam ser uma forma de evoluir as pessoas e o neg\u00f3cio. Por isso, quanto mais feedback, melhor!<\/p>\n<p><small>Fonte: <a href=\"http:\/\/revistapegn.globo.com\/\" target=\"_blank\">PEGN<\/a><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>\u201cComo posso te ajudar?\u201d Quando ouvimos essa pergunta, uma das \u00faltimas situa\u00e7\u00f5es que pensamos \u00e9 a de um l\u00edder se colocando \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o de um colaborador da empresa. \u00c9 uma quest\u00e3o cultural no Brasil, com origens bem antigas. 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