{"id":14218,"date":"2017-06-23T10:00:24","date_gmt":"2017-06-23T13:00:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=14218"},"modified":"2017-06-22T13:19:03","modified_gmt":"2017-06-22T16:19:03","slug":"maior-participacao-feminina-no-mercado-traria-r-382-bi-a-economia-ate-2025-diz-oit","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/vagas-de-emprego\/maior-participacao-feminina-no-mercado-traria-r-382-bi-a-economia-ate-2025-diz-oit\/","title":{"rendered":"Maior participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado traria R$ 382 bi \u00e0 economia at\u00e9 2025, diz OIT"},"content":{"rendered":"<p>O Brasil pode expandir sua economia em at\u00e9 R$ 382 bilh\u00f5es ao longo de oito anos se aumentar a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho em um quarto at\u00e9 2025, estima a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT).<\/p>\n<p>Diminuir em 25% a desigualdade de g\u00eanero no mercado de trabalho at\u00e9 2025 \u00e9 um compromisso dos pa\u00edses-membros do G20, do qual o pa\u00eds faz parte. Segundo a OIT, isso traria um incremento acumulado de 3,3% ao Produto Interno Bruto brasileiro ao longo do per\u00edodo.<\/p>\n<p>As estimativas apontam que se a participa\u00e7\u00e3o feminina crescesse 5,5 pontos percentuais, o mercado de trabalho brasileiro ganharia uma m\u00e3o de obra de 5,1 milh\u00f5es de mulheres.<\/p>\n<p>Os dados foram divulgados junto ao relat\u00f3rio global sobre a participa\u00e7\u00e3o feminina no mercado de trabalho, publicado nesta quarta-feira.<\/p>\n<p>A inser\u00e7\u00e3o das mulheres na economia levaria ao aumento no poder de consumo de bens e servi\u00e7os das fam\u00edlias, bem como ao aumento de recolhimentos de tributos sobre renda. A OIT estima que a inje\u00e7\u00e3o de capital resultante da inser\u00e7\u00e3o feminina na economia possa acrescentar R$ 131 bilh\u00f5es em receita tribut\u00e1ria \u00e0 Uni\u00e3o brasileira ao longo dos oito anos em quest\u00e3o.<\/p>\n<p>Em entrevista \u00e0 BBC Brasil, a t\u00e9cnica da OIT em princ\u00edpios e direitos fundamentais do trabalho,Tha\u00eds Dum\u00eat Faria, afirmou que o estudo atesta que \u00e9 poss\u00edvel gerar riqueza por meio de inclus\u00e3o social. &#8220;Um pa\u00eds consegue se desenvolver numa situa\u00e7\u00e3o de igualdade e justi\u00e7a social e ganha tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o a produtividade e PIB&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Faria diz que \u00e9 poss\u00edvel incluir as mulheres no mercado de trabalho por meio de iniciativas p\u00fablicas e privadas. &#8220;\u00c9 importante focar na escolaridade, porque sabemos que muitas meninas abandonam a escola por quest\u00e3o de gravidez ou problemas familiares. Isso ainda \u00e9 uma realidade. \u00c9 importante tamb\u00e9m ter projetos, como f\u00f3runs de empresas. S\u00e3o iniciativas empresariais que buscam fazer um diagn\u00f3stico no seu quadro de funcion\u00e1rios e identificar onde est\u00e3o as maiores disparidades.&#8221;<\/p>\n<p><b>MAIS DO QUE N\u00daMEROS<\/b><\/p>\n<p>Para ela, &#8220;n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 uma quest\u00e3o num\u00e9rica, (mas sim) de inclus\u00e3o realmente na sua forma integral. \u00c9 poss\u00edvel que haja 50% de homens e 50% de mulheres em uma empresa, mas que as mulheres ocupem cargos menores, sem acesso aos cargos de dire\u00e7\u00e3o. Isso n\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o de igualdade&#8221;, exemplifica.<\/p>\n<p>O documento da OIT avaliou que apenas 56% das mulheres em idade economicamente ativa est\u00e3o empregadas no Brasil. Em contraste, por exemplo, 78,2% dos homens est\u00e3o trabalhando. No resto do mundo a participa\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 de 49,4% e a masculina de 79,1%. A diferen\u00e7a entre g\u00eaneros em pontos percentuais arredondados \u00e9 menor no Brasil (22) do que no mundo (26).<\/p>\n<p>Para conseguir o incremento de renda, Faria e a OIT recomendam adotar pol\u00edticas que garantam maior seguran\u00e7a social e acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o para mulheres e seus dependentes. &#8220;Elas n\u00e3o t\u00eam nenhum tipo de prote\u00e7\u00e3o social. Se adoecem, elas n\u00e3o t\u00eam nenhum benef\u00edcio, porque n\u00e3o contribuem, ent\u00e3o &#8211; como s\u00e3o chefes de fam\u00edlia &#8211; a fam\u00edlia inteira fica desamparada e voc\u00ea acaba fortalecendo um ciclo de pobreza&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;S\u00e3o exatamente essas mulheres que deveriam estar inseridas no mercado de trabalho formal, com todas as garantias trabalhistas: em caso doen\u00e7a, de acidente, de morte. Enfim, elas t\u00eam os filhos para cuidar, se considerarmos que 41,5% delas s\u00e3o chefes de fam\u00edlia&#8221;, conclui.<\/p>\n<p>No Brasil, o grupo de mulheres que enfrenta maior vulnerabilidade \u00e9 o das trabalhadoras dom\u00e9sticas. &#8220;Temos dados de 2014 que mostram que 92% dos trabalhadores dom\u00e9sticos s\u00e3o mulheres, dessas 60% s\u00e3o negras e 41,5% s\u00e3o chefes de fam\u00edlia e 40% s\u00e3o diaristas, ou seja, o n\u00edvel de informalidade dessas mulheres dos grupos mais pobres \u00e9 muito maior&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Existe um recorte racial muito grande, que refor\u00e7a a pobreza de um grupo social&#8221;, prossegue ela, explicando que, nesse ciclo de pobreza, filhos de trabalhadores em situa\u00e7\u00e3o prec\u00e1ria precisam trabalhar para ajudar no sustento da fam\u00edlia e, sem estudo, veem-se sem op\u00e7\u00f5es de ascens\u00e3o social.<\/p>\n<p><b>PONTO POSITIVO EM MEIO AO DESEMPREGO<\/b><\/p>\n<p>Na regi\u00e3o das Am\u00e9ricas o estudo afirma que, entre 1997 e 2017, a inclus\u00e3o se deu pelo vi\u00e9s do desemprego. N\u00e3o foram gerados muitos novos empregos para mulheres &#8211; elas simplesmente foram menos demitidas do que os homens. Especialmente na \u00faltima d\u00e9cada, 2007-2017, as taxas de desemprego masculino subiram mais rapidamente do que o feminino, afirma a OIT.<\/p>\n<p>A escassez de trabalho, que no Brasil se reflete em um \u00edndice de desemprego de quase 14%, \u00e9 preocupa\u00e7\u00e3o mundial. &#8220;Sublinhando a discrep\u00e2ncia de g\u00eanero, h\u00e1 uma tend\u00eancia negativa de taxa de participa\u00e7\u00e3o para ambos homens e mulheres. Entre 1997 e 2017 a taxa de emprego de ambos os sexos caiu em aproximadamente 3 pontos percentuais&#8221;, l\u00ea-se no relat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Mas apesar de haver menos empregos, a diferen\u00e7a entre homens e mulheres diminuiu proporcionalmente nas \u00faltimas d\u00e9cada. A tend\u00eancia para 2018-2021 nas Am\u00e9ricas, entretanto, \u00e9 de estagna\u00e7\u00e3o na melhora de igualdade e um recuo no n\u00famero total de trabalhadores empregados.<\/p>\n<p>Dados do Ipea, Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica Aplicada, divulgados nesta quarta corroboram a an\u00e1lise da OIT. O desemprego masculino cresceu &#8220;de 44% para 50% no per\u00edodo de 2012 a 2017, refletindo n\u00e3o s\u00f3 uma contra\u00e7\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o entre os homens (-0,9%), mas tamb\u00e9m uma expans\u00e3o de 3,7% da ocupa\u00e7\u00e3o feminina&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;No Brasil a participa\u00e7\u00e3o feminina \u00e9 um pouco maior que a m\u00e9dia geral. A diferen\u00e7a entre homens e mulheres brasileiros \u00e9 menor que a m\u00e9dia global. Ent\u00e3o, isso \u00e9 um ponto que podemos considerar positivo, no sentido de aumento de inser\u00e7\u00e3o da mulher no mercado de trabalho, mas a gente n\u00e3o est\u00e1 aqui analisando a qualidade desse trabalho&#8221;, diz Faria.<\/p>\n<p>&#8220;Isso tamb\u00e9m \u00e9 importante: estamos analisando aqui somente a taxa de ocupa\u00e7\u00e3o no mercado de trabalho, sem necessariamente avaliar as diferen\u00e7as salariais ou a qualidade desse trabalho. Para a OIT \u00e9 fundamental que todo trabalho seja considerado decente&#8221;.<\/p>\n<p><b>COMPROMISSO<\/b><\/p>\n<p>Em 2014, l\u00edderes do G20 &#8211; grupo das 20 maiores economias do mundo que inclui o Brasil &#8211; se comprometeram com a meta &#8220;25 em 25&#8221;, que significa reduzir em 25% a diferen\u00e7a de g\u00eanero at\u00e9 2025.<\/p>\n<p>Se atingida, ela gerar\u00e1 a inclus\u00e3o de 189 milh\u00f5es de mulheres no mercado de trabalho mundial, 5,1 milh\u00f5es dessas posi\u00e7\u00f5es somente no Brasil. A proje\u00e7\u00e3o espera que a maioria dos empregos (162 milh\u00f5es) sejam gerados em pa\u00edses emergentes, devido ao tamanho de seus mercados e potencial de avan\u00e7o feminino, mas o cen\u00e1rio de incerteza econ\u00f4mica amea\u00e7a essa meta, acredita Faria.<\/p>\n<p>&#8220;Quase um ter\u00e7o das mulheres e homens trabalhando em pa\u00edses emergentes e em desenvolvimento n\u00e3o ganham suficientemente para tirar suas fam\u00edlias da pobreza&#8221;, constata o documento da OIT.<\/p>\n<p><small>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/brasil\" target=\"_blank\">BBC Brasil<\/a><\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Brasil pode expandir sua economia em at\u00e9 R$ 382 bilh\u00f5es ao longo de oito anos se aumentar a inser\u00e7\u00e3o das mulheres no mercado de trabalho em um quarto at\u00e9 2025, estima a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho (OIT). 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