{"id":14415,"date":"2017-07-14T10:00:57","date_gmt":"2017-07-14T13:00:57","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=14415"},"modified":"2017-07-13T12:48:00","modified_gmt":"2017-07-13T15:48:00","slug":"como-lidar-com-a-demissao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/dicas\/como-lidar-com-a-demissao\/","title":{"rendered":"Como lidar com a demiss\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p>Depois de meses (ou anos) de dedica\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos e muitas horas passadas um ao lado do outro vem a frase \u201cacho que n\u00e3o est\u00e1 mais dando certo\u201d. O sentimento, num primeiro momento, \u00e9 de incredulidade, depois vem a raiva e, por \u00faltimo, a depress\u00e3o. Perdemos noites de sono em busca do que fizemos errado. Esse cen\u00e1rio pode parecer com o do t\u00e9rmino de um relacionamento amoroso \u2014 mas \u00e9, tamb\u00e9m, muito semelhante com o de uma\u00a0<strong>demiss\u00e3o<\/strong>. E, ao que tudo indica, perder o emprego \u00e9 muito mais dif\u00edcil do que perder o c\u00f4njuge.<\/p>\n<p>\u00c9 o que revelou uma pesquisa da Universidade de East Anglia e do What Works Center for Wellbeing (\u00f3rg\u00e3o independente criado pelo governo do Reino Unido). Para isso, os pesquisadores entrevistaram 4 000 pessoas e descobriram que, no caso de uma separa\u00e7\u00e3o amorosa, os indicadores de sa\u00fade mental, autoestima e contentamento com a vida levam de dois a quatro anos para voltar ao normal. Mas, quando o assunto \u00e9 a demiss\u00e3o, os \u00edndices continuam caindo mesmo depois desse per\u00edodo. \u201cDependendo do tempo que se passa em uma empresa a rela\u00e7\u00e3o que se estabelece \u00e9 semelhante ao casamento. Quando termina, a pessoa se sente tra\u00edda\u201d, diz Silvana Barros, consultora de carreira da Randstad, empresa de recrutamento de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p>Al\u00e9m do sentimento de trai\u00e7\u00e3o, um processo de demiss\u00e3o suscita outra emo\u00e7\u00e3o que \u00e9 muito dif\u00edcil de lidar: a rejei\u00e7\u00e3o. O ser humano \u00e9 social por natureza e quando se \u00e9 exclu\u00eddo de determinado grupo, independentemente do tipo de relacionamento, acende o sinal vermelho da falta de adequa\u00e7\u00e3o. \u201cH\u00e1 uma sensa\u00e7\u00e3o de \u2018o que h\u00e1 de errado comigo?\u2019, em seguida v\u00eam a culpa e a certeza de que se falhou ou se deixou a desejar\u201d, diz Karen Vogel, psic\u00f3loga cl\u00ednica e professora na The School of Life, de S\u00e3o Paulo. \u00c9 dif\u00edcil afastar esse pensamento at\u00e9 quando as justificativas da companhia parecem fazer sentido \u2014 num corte amplo de pessoas, por exemplo, por causa de algum problema externo. \u201cMesmo que n\u00e3o seja algo pessoal, voc\u00ea acaba se perguntando: \u2018Por que eu, e n\u00e3o o cara do lado?\u2019\u201d, afirma Karen. Tudo isso \u00e9 natural, mas, para seguir em frente, voc\u00ea precisa adotar algumas atitudes de supera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Vida sem crach\u00e1<\/strong><br \/>\nEm 2016, o executivo Andre Schamburg, de 41 anos, teve de enfrentar um furac\u00e3o em sua carreira. Formado em tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, ele ocupava um cargo na diretoria da Cielo, empresa de pagamentos de S\u00e3o Paulo, desde 2014. Havia entrado na companhia recebendo quase o dobro do que ganhava em seu antigo emprego para desenvolver um projeto. A meta foi cumprida com sucesso. Mas, no fim do ano passado, veio o susto: a empresa iria deslig\u00e1-lo. A explica\u00e7\u00e3o era um corte de custos. Como as festas de fim de ano estavam chegando, ele aproveitou as f\u00e9rias for\u00e7adas para viajar com a fam\u00edlia e escapar da \u00e9poca inicial de frustra\u00e7\u00e3o. Quando voltou, o baque do desemprego caiu como um tijolo. \u201cSempre busquei projetos desafiadores e era o \u2018Andre sobrenome da empresa\u2019. Ficar parado em casa foi muito dif\u00edcil\u201d, diz. At\u00e9 os primeiros meses de 2017, o profissional ainda mantinha uma expectativa de que seria chamado de volta pela Cielo, mas esse pedido nunca veio. Cansado de esperar, resolveu montar uma fintech e hoje \u2014 superado o trauma \u2014 Andre at\u00e9 enxerga pontos positivos. \u201cTalvez eu n\u00e3o tivesse conhecido meu s\u00f3cio nem tido coragem de empreender.\u201d<\/p>\n<p><strong>1. Aceite o luto<\/strong><br \/>\nLuto \u00e9 uma tristeza profunda pela perda de algu\u00e9m. Embora a tend\u00eancia seja associ\u00e1-lo \u00e0 morte, n\u00e3o \u00e9 apenas nesse contexto que esse estado se instala. Todo mundo que passa por uma etapa de rompimento sofre com a aus\u00eancia do que n\u00e3o est\u00e1 presente. O primeiro passo para atravessar esse cen\u00e1rio \u00e9 compreend\u00ea-lo e analisar os sentimentos que est\u00e3o surgindo, os quais, em geral, s\u00e3o de frustra\u00e7\u00e3o, raiva e tristeza. \u201cPrestar aten\u00e7\u00e3o nos sentimentos ajuda a compreender e a interferir nessas posturas. Quanto maior a abertura, maior o enfrentamento da situa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Karen. O per\u00edodo para superar esse processo costuma variar de pessoa para pessoa, mas, no geral, todos n\u00f3s enfrentamos cinco etapas (veja quadro). \u201cVoc\u00ea pode abrir um espa\u00e7o psicol\u00f3gico que compreenda esse tempo, mas varia bastante. Tem gente que vai se recolocar mais r\u00e1pido, ent\u00e3o poder\u00e1 se recuperar antes. Por\u00e9m, existem outros que, mesmo em um novo emprego, continuam enroscados na situa\u00e7\u00e3o\u201d, diz Karen. A medida \u00e9 perceber de que maneira a demiss\u00e3o ainda afeta voc\u00ea. Seria como entender quanto encontrar um ex na rua geraria desequil\u00edbrio emocional.<\/p>\n<p><strong>2. Assuma o momento<\/strong><br \/>\nAlgumas pessoas se isolam completamente ou chegam a mentir por vergonha de assumir o desemprego. Isso \u00e9 um perigo que coloca em risco at\u00e9 sua recoloca\u00e7\u00e3o. \u201cSe voc\u00ea n\u00e3o revelar para sua fam\u00edlia ou amigos, como vai enfrentar um processo seletivo?\u201d, diz Rubens Prata, CEO da Stato, consultoria de recrutamento, de S\u00e3o Paulo. Afinal, o recrutador, durante a entrevista de emprego, certamente questionar\u00e1 seu hist\u00f3rico \u2014 e vai perguntar o que aconteceu em sua \u00faltima passagem. \u201cHoje em dia ningu\u00e9m \u00e9 demitido, todo mundo tira um sab\u00e1tico. Demonstrar que voc\u00ea aceitou a situa\u00e7\u00e3o e explicar as condi\u00e7\u00f5es mostra que refletiu sobre o assunto e est\u00e1 vivendo o luto da melhor forma poss\u00edvel\u201d, afirma Rubens. Pega mal s\u00f3 enumerar os defeitos do antigo empregador sem trazer para si mesmo a parcela de responsabilidade. \u201c\u00c0s vezes, o sentimento \u00e9 t\u00e3o latente que a pessoa passa a entrevista inteira reclamando do ex-chefe. Isso \u00e9 ruim porque o recrutador imagina que, se ela est\u00e1 falando mal do antigo l\u00edder, pode falar do headhunter tamb\u00e9m\u201d, diz Silvana, da Randstad.<\/p>\n<p><strong>3. Ocupe seu tempo<\/strong><br \/>\nQuando se est\u00e1 desempregado, surge uma falsa sensa\u00e7\u00e3o de tempo livre. Voc\u00ea tem a chance, se quiser, de acordar tarde, mas a motiva\u00e7\u00e3o para isso pode ser um pouco deprimente: sentir que n\u00e3o \u00e9 preciso sair da cama porque n\u00e3o h\u00e1 nada para ser feito. Quando isso acontece, al\u00e9m de questionar seu desempenho, voc\u00ea passa a acreditar que est\u00e1 desperdi\u00e7ando um tempo valioso e se transformando num completo in\u00fatil. \u201c\u00c9 preciso estabelecer uma nova rotina, sen\u00e3o a semana escorre pelo ralo\u201d, diz Rosana Daniele Marques, gerente de recursos humanos da Crowe Horwath, consultoria de S\u00e3o Paulo. Isso pode ser feito com uma programa\u00e7\u00e3o que tem como objetivo ajudar em sua recoloca\u00e7\u00e3o com, por exemplo, a inser\u00e7\u00e3o de tarefas como cursos de atualiza\u00e7\u00e3o (que podem ser online), participa\u00e7\u00e3o em palestras e momentos de net\u00adworking. Nessa nova rotina, h\u00e1 espa\u00e7o tamb\u00e9m para inserir atividades prazerosas e que eram deixadas de lado quando voc\u00ea estava empregado, como a pr\u00e1tica de um exerc\u00edcio f\u00edsico ou a participa\u00e7\u00e3o em um grupo de interesse. Al\u00e9m disso, \u00e9 poss\u00edvel pensar em fazer algo que n\u00e3o demande crach\u00e1 e que gere uma renda extra. \u201cVoc\u00ea pode dar aula ou prestar consultoria, atividades que ajudam a ampliar as compet\u00eancias, conseguir um novo emprego no futuro e, at\u00e9, ter alguma remunera\u00e7\u00e3o\u201d, diz Rubens, da Stato.<\/p>\n<p><strong>4. Encare a ansiedade<\/strong><br \/>\nUm dos grandes desafios de quem est\u00e1 sem emprego \u00e9 lidar com a ansiedade. \u201cEsse sentimento \u00e9 uma expectativa exagerada em rela\u00e7\u00e3o ao futuro, uma incerteza sobre algo que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel controlar\u201d, diz Andr\u00e9 Franco, coach de alta performance, de S\u00e3o Paulo. A sensa\u00e7\u00e3o certamente vai surgir durante o desemprego, pois voc\u00ea tem muitas preocupa\u00e7\u00f5es com o futuro e n\u00e3o sabe, por exemplo, quanto tempo levar\u00e1 para uma proposta surgir ou qual ser\u00e1 a resposta de determinado processo seletivo. Nesse ponto, \u00e9 necess\u00e1rio tentar fazer o exerc\u00edcio de n\u00e3o concentrar esfor\u00e7os mentais em decis\u00f5es que est\u00e3o longe de suas m\u00e3os. \u201cAs pessoas n\u00e3o s\u00e3o ansiosas, elas est\u00e3o ansiosas. Quando voc\u00ea est\u00e1 nesse quadro, acaba depositando energia em fatores de uma zona fora de seu controle \u2014 energia que poderia ser canalizada para atividades mais produtivas, como o desenvolvimento pessoal\u201d, diz Rubens. Claro que nem sempre \u00e9 simples assim, ainda mais em momentos de instabilidade emocional (e at\u00e9 financeira), como \u00e9 o per\u00edodo ap\u00f3s uma demiss\u00e3o. A estrat\u00e9gia para lidar com a ansiedade que certamente surgir\u00e1 \u00e9 tentar gerir as expectativas. No caso de uma entrevista, pergunte ao recrutador quanto tempo levar\u00e1 para ter uma resposta. \u201cSe n\u00e3o houver feedback, entre em contato. Fa\u00e7a isso para administrar a quantidade de processos de que precisa participar\u201d, diz Silvana, da Randstad.<\/p>\n<p><strong>5. N\u00e3o tente voltar<\/strong><br \/>\n\u00c9 normal ter impulsos de retornar ao antigo empregador numa tentativa de recuperar o que foi perdido. O mais recomend\u00e1vel, no entanto, \u00e9 perceber que, em alguns casos, a demiss\u00e3o foi importante para colocar um ponto final em algo que j\u00e1 n\u00e3o ia bem. Para que o processo ajude em seu desenvolvimento, reflita antes de aceitar a primeira proposta de emprego que surgir. \u201cO impacto de um passo em falso \u00e9 bem pior. Come\u00e7ar algo sem dar tudo de si mesmo aumenta o risco de n\u00e3o ter o resultado que voc\u00ea esperava\u201d, diz Rosana, da Crowe Horwath. Se isso acontecer, outra demiss\u00e3o poder\u00e1 surgir. E enfrentar mais uma rejei\u00e7\u00e3o num curto per\u00edodo de tempo poder\u00e1 refor\u00e7ar o quadro anterior, que j\u00e1 era cr\u00edtico. O melhor \u00e9 se recuperar do trauma antes de se envolver com uma nova oportunidade \u2014 seja ela eterna enquanto durar.<\/p>\n<p><strong>As fases do luto<\/strong><br \/>\nNa d\u00e9cada de 60, a psic\u00f3loga su\u00ed\u00e7a Elisabeth K\u00fcbler-Ross estudou o processo do luto e percebeu que esse per\u00edodo passa por cinco etapas, que podem ocorrer de forma cronol\u00f3gica ou interdependente<\/p>\n<p><strong>Nega\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nEstado de choque, no qual o principal comportamento \u00e9 n\u00e3o acreditar no que est\u00e1 acontecendo.<\/p>\n<p><strong>Raiva<\/strong><br \/>\nSensa\u00e7\u00e3o de revolta total, em que a pessoa se volta contra a situa\u00e7\u00e3o que precisa enfrentar.<\/p>\n<p><strong>Barganha<\/strong><br \/>\nPor n\u00e3o aceitar o fato, h\u00e1 a tentativa de retornar ao estado anterior, buscando negociar.<\/p>\n<p><strong>Depress\u00e3o<\/strong><br \/>\nMomento em que se d\u00e1 conta do que foi perdido. A tristeza substitui as tentativas de recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Aceita\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nQuando, al\u00e9m de se dar conta do que perdeu, entende os motivos que levaram a isso e continua vivendo.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/exame.abril.com.br\/carreira\/como-lidar-com-a-demissao\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EXAME.com<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Depois de meses (ou anos) de dedica\u00e7\u00e3o, cria\u00e7\u00e3o de v\u00ednculos e muitas horas passadas um ao lado do outro vem a frase \u201cacho que n\u00e3o est\u00e1 mais dando certo\u201d. O sentimento, num primeiro momento, \u00e9 de incredulidade, depois vem a raiva e, por \u00faltimo, a depress\u00e3o. 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