{"id":14783,"date":"2017-08-08T11:26:18","date_gmt":"2017-08-08T14:26:18","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=14783"},"modified":"2017-08-08T11:26:18","modified_gmt":"2017-08-08T14:26:18","slug":"como-o-trabalho-vai-mudar-com-mais-gente-vivendo-ate-100-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/vagas-de-emprego\/como-o-trabalho-vai-mudar-com-mais-gente-vivendo-ate-100-anos\/","title":{"rendered":"Como o trabalho vai mudar com mais gente vivendo at\u00e9 100 anos"},"content":{"rendered":"<p>No mundo, h\u00e1 cerca de 450 mil pessoas com mais de 100 anos. Nos\u00a0Estados Unidos, s\u00e3o 72 mil centen\u00e1rios e, em 2050, esse n\u00famero deve chegar a meio milh\u00e3o. Segundo o especialista em demografia James Vaupel e sua equipe de pesquisadores, 50% dos beb\u00eas nascidos em 2007 no pa\u00eds t\u00eam uma expectativa de vida de 104 anos \u2013 ou mais. A mesma previs\u00e3o pode se estender ao\u00a0Reino Unido,\u00a0Alemanha,\u00a0Fran\u00e7a,\u00a0It\u00e1lia\u00a0e\u00a0Canad\u00e1. No\u00a0Jap\u00e3o, na mesma compara\u00e7\u00e3o, a expectativa de vida salta para 107 anos. Pensar nesse novo cen\u00e1rio \u00e9 pensar em quest\u00f5es variadas que perpassam desde o sistema de aposentadoria, incluindo a sobrecarga ao sistema de sa\u00fade, at\u00e9 em novos modelos de pens\u00f5es. Mas as quest\u00f5es s\u00e3o muito mais complexas, defende Lynda Gratton, professora da cadeira &#8220;Futuro do Trabalho&#8221; na London Business School.<\/p>\n<div class=\"box-noticias-semanais\">\u00a0Em\u00a0<a href=\"https:\/\/hbr.org\/2016\/06\/how-work-will-change-when-most-of-us-live-to-100\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">artigo publicado na Harvard Business Review<\/a>, Lynda defende que viver mais traz implica\u00e7\u00f5es em todos os aspectos da vida \u2013 n\u00e3o apenas nas quest\u00f5es que surgem a partir do envelhecimento. &#8220;Se muitas pessoas v\u00e3o viver mais, e de forma mais saud\u00e1vel, isso implica inevitavelmente em um redesenho das nossas vidas e dos nossos trabalhos&#8221;, afirma. &#8220;H\u00e1 uma verdade importante por tr\u00e1s dos clich\u00eas: \u00b4os 70 s\u00e3o os novos 60` e os \u00b440 s\u00e3o os novos 30`. Se as pessoas envelhecem de forma mais lenta, mas durante um longo per\u00edodo, \u00e9 como se tivessem mais jovens por mais tempo \u2013 e n\u00e3o o contr\u00e1rio&#8221;. Ela explica as consequ\u00eancias disso.<\/div>\n<div>\n<p>Uma primeira quest\u00e3o \u00e9 refletir sobre o momento de vida em que as pessoas decidem assumir compromissos, digamos, mais s\u00e9rios. A hora de comprar uma casa, casar, ter filhos ou de come\u00e7ar ou mudar de carreira. S\u00e3o decis\u00f5es que ter\u00e3o impacto pelo resto de suas vidas. Em 1962, por exemplo, 50% dos americanos se casavam aos 21 anos. Em 2014, a m\u00e9dia j\u00e1 tinha saltado para 29 anos. Por tr\u00e1s dessa e de outras mudan\u00e7as, segundo Lynda, est\u00e1 a prerrogativa de que os jovens sabem que possivelmente viver\u00e3o mais. E isso torna menos atraente a possibilidade de assumir um compromisso cedo. &#8220;Antes, os compromissos acompanhavam a chegada \u00e0 vida adulta. Agora, s\u00e3o postergados&#8221;, diz a pesquisadora. &#8220;Surgem novos padr\u00f5es de comportamento para determinar qual fase da vida aquela pessoa est\u00e1 ou quais novos par\u00e2metros definem a fase dos \u00b420 anos` &#8220;.<\/p>\n<p>A longevidade retarda tamb\u00e9m a idade de aposentadoria. A menos que as pessoas estejam preparadas, desde cedo, a poupar mais, as previs\u00f5es de Lynda Gratton sugerem que se voc\u00ea est\u00e1 na casa dos 40 e poucos anos, \u00e9 prov\u00e1vel que tenha de trabalhar at\u00e9 os 70 anos. Se voc\u00ea est\u00e1 com 20 e poucos anos, h\u00e1 uma chance grande de trabalhar at\u00e9 o final dos 70 anos e, provavelmente, passar dos 80 anos. Mas se as pessoas s\u00e3o capazes de bancar uma aposentadoria a partir dos 65 anos, uma vida de inatividade e sem trabalho pode ser prejudicial \u00e0 sua vitalidade emocional e cognitiva. Ou seja: muitas pessoas podem n\u00e3o querer ficar paradas, pois isso far\u00e1 mal \u00e0 sa\u00fade delas.<\/p>\n<p>N\u00e3o significa que todos vamos viver mais e estender nossas carreiras por muitos anos. Segundo Lynda, o corpo humano pode n\u00e3o aguentar uma vida com tanto tempo concentrado em uma mesma tarefa. Ser\u00e1 preciso buscar outro tipo de atividade. A mesma premissa vale para o campo da educa\u00e7\u00e3o. \u00c9 imposs\u00edvel, seguindo a an\u00e1lise da estudiosa, que uma educa\u00e7\u00e3o concedida no come\u00e7o da vida adulta seja suficiente para sustentar uma carreira por 60 anos ou mais. &#8220;Se voc\u00ea levar em considera\u00e7\u00e3o as mudan\u00e7as tecnol\u00f3gicas previstas para os pr\u00f3ximos anos, vai concluir que suas habilidades podem se tornar redundantes ou ent\u00e3o obsoletas na ind\u00fastria que atua. Isso significa que em algum momento de sua vida, todos ter\u00e3o que reinventar por completo suas habilidades&#8221;.<\/p>\n<p>Dessa forma, \u00e9 prov\u00e1vel que o tradicional padr\u00e3o de vida dividido em tr\u00eas fases precisar\u00e1 se transformar em um esquema m\u00faltiplo, contendo duas, tr\u00eas ou at\u00e9 mais carreiras diferentes. Cada uma dessas fases poderia ter um foco distinto. A primeira, por exemplo, estaria centrada na constru\u00e7\u00e3o do sucesso financeiro e na realiza\u00e7\u00e3o pessoal. A segunda viria para criar um equil\u00edbrio entre vida pessoal e trabalho. Uma outra poderia explorar novas \u00e1reas ou o envolvimento com trabalhos de forma mais complexa. Voc\u00ea poderia, veja s\u00f3, se tornar um profissional que busca contribui\u00e7\u00f5es sociais atrav\u00e9s de seus trabalho. Esse modo de fases m\u00faltiplas levaria as pessoas a transitarem por diversos setores, novas cidades e at\u00e9 a desenvolver uma s\u00e9rie ampla de habilidades. &#8220;As transi\u00e7\u00f5es entre cada uma dessas fases poderiam ser marcadas por sab\u00e1ticos para que as pessoas tivessem um \u00b4respiro`, cuidando da sa\u00fade, reinvestindo em suas rela\u00e7\u00f5es e melhorando suas habilidades. Em alguns casos, essas paradas ser\u00e3o determinadas e decididas pelas pessoas. Em outros, por\u00e9m, ser\u00e3o for\u00e7adas a realiz\u00e1-las \u2013 se o trabalho tiver se tornado obsoleto&#8221;, diz Lynda Gratton.<\/p>\n<p>Encarar a carreira com essa perspectiva \u00e9 fundamental em um mundo no qual as pessoas vivem mais e as mudan\u00e7as s\u00e3o r\u00e1pidas e profundas. \u00c9 preciso adotar essa nova vis\u00e3o tamb\u00e9m para a vida. Uma habilidade essencial \u00e9 lidar \u2013 e abra\u00e7ar \u2013 as mudan\u00e7as que vir\u00e3o pela frente. Uma vida de tr\u00eas fases tem algumas transi\u00e7\u00f5es, uma vida de m\u00faltiplas fases tem muitas. \u00c9 por isso que conhecer seus pontos fortes, investir em uma rede de contatos poderosa e estar aberto a novas ideias s\u00e3o habilidades importantes para os novos tempos, ressalta Lynda.<\/p>\n<p>Uma vida de m\u00faltiplas fases tamb\u00e9m muda a associa\u00e7\u00e3o que fazemos entre nossas conquistas e nossa idade. Em uma vida comum de tr\u00eas fases, as pessoas deixam a universidade e tendem a iniciar suas carreiras, construir suas fam\u00edlias, avan\u00e7ar na carreira at\u00e9 chegar \u00e0 m\u00e9dia ger\u00eancia em idades pr\u00f3ximas \u2013 inclusive se aposentando com uma diferen\u00e7a m\u00ednima de idade. Em uma vida de m\u00faltiplas fases, as pessoas poderiam conquistar o diploma universit\u00e1rio aos 20, 40 ou 60 anos, se tornarem gestoras aos 30,50 ou 70 anos e se tornarem produtoras independentes em qualquer idade.<\/p>\n<p>Quando a idade, portanto, n\u00e3o \u00e9 mais o fator determinante, a vida de l\u00edderes, gestores e profissionais de recursos humanos muda substancialmente. Pessoas de diferentes gera\u00e7\u00f5es e idades ir\u00e3o trabalhar mais pr\u00f3ximas, misturando-se em maior escala dentro do ambiente de trabalho. Em \u00faltima an\u00e1lise, essas pessoas v\u00e3o compartilhar mais atividades.<\/p>\n<p>As estruturas atuais de vida, os planos de carreira estabelecidos, as normais sociais \u2013 tudo isso n\u00e3o bastar\u00e1 para regular uma sociedade em que se viver\u00e1 por (muito) mais tempo. O conselho de Lynda Gratton \u00e9 esquecer o padr\u00e3o de em tr\u00eas fases, com trabalho cont\u00ednuo e regular, a aposentadoria que se segue aos anos produtivos. Pensar em longevidade n\u00e3o \u00e9 imaginar que viveremos por mais anos. Como Lynda Gratton defende em sua tese: trata-se de viver mais tempo, sendo jovem por um per\u00edodo maior e envelhecendo bem mais tarde. Os \u00b440 s\u00e3o os novos 30` e os \u00b470 s\u00e3o os novos 60`, lembra?<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"http:\/\/epocanegocios.globo.com\/Carreira\/noticia\/2017\/08\/como-o-trabalho-vai-mudar-com-mais-gente-vivendo-ate-100-anos.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">\u00c9poca Neg\u00f3cios<\/a><\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No mundo, h\u00e1 cerca de 450 mil pessoas com mais de 100 anos. Nos\u00a0Estados Unidos, s\u00e3o 72 mil centen\u00e1rios e, em 2050, esse n\u00famero deve chegar a meio milh\u00e3o. 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