{"id":20552,"date":"2018-07-06T10:48:36","date_gmt":"2018-07-06T13:48:36","guid":{"rendered":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=20552"},"modified":"2018-07-06T10:48:36","modified_gmt":"2018-07-06T13:48:36","slug":"japao-quer-um-mercado-de-trabalho-com-idosos-mais-fortes","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/japao-quer-um-mercado-de-trabalho-com-idosos-mais-fortes\/","title":{"rendered":"Jap\u00e3o quer um mercado de trabalho com idosos mais fortes"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"s1\">Localizada em Sumida, na regi\u00e3o metropolitana de T\u00f3quio,<\/span>\u00a0a Hamano Products, pequena ind\u00fastria de metalmec\u00e2nica, parece uma janela para o futuro. Uma de suas principais apostas \u00e9 uma parceria para desenvolver uma turbina e\u00f3lica com um novo design, atualmente em fase de testes. A empresa acredita que seu modelo \u00e9 \u00e0 prova de tuf\u00e3o, sonha com uma fatia do mercado japon\u00eas e, quem sabe, do mundial. Mas, independentemente do que venha a ocorrer com a turbina, a Hamano j\u00e1 \u00e9 uma empresa, digamos assim, \u00e0 frente de seu tempo. Quase 20% de sua m\u00e3o de obra tem mais de 50 anos de idade. Em 2011, a procura por um novo operador para uma das m\u00e1quinas de estampagem de metal de sua linha acabou quando encontraram Noboru Saito, na \u00e9poca com 69 anos. No 1<span class=\"s2\"><sup>o<\/sup><\/span>\u00a0andar da f\u00e1brica da Hamano, onde um aspirador \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o deixa claro que nem a poeira \u00e9 permitida ali, Saito faz suas tarefas e serve de consultor para os colegas mais novos. Ainda disposto e forte aos 76 anos, Saito n\u00e3o tem a menor ideia de quando vai se aposentar.<\/p>\n<p><span class=\"s3\">O\u00a0<strong>Jap<\/strong><strong>\u00e3<\/strong><strong>o<\/strong><a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/noticias-sobre\/japao\/\">\u00a0<\/a>est\u00e1 na vanguarda da onda do cabelo branco. A expectativa de vida, de 83,7 anos, \u00e9 a maior do mundo. \u201cOs japoneses est\u00e3o vivendo mais gra\u00e7as a fatores como um sistema de\u00a0<strong>sa\u00fade<\/strong>\u00a0universal, eficiente e relativamente acess\u00edvel\u201d, diz Andrew Gordon, professor de hist\u00f3ria do Jap\u00e3o na Universidade Harvard, nos Estados Unidos. A perman\u00eancia de pessoas mais velhas no\u00a0<strong>mercado de trabalho<\/strong>\u00a0tamb\u00e9m tem rela\u00e7\u00e3o com a cont\u00ednua queda da taxa de natalidade. No final dos anos 70, nasciam cerca de 2 milh\u00f5es de crian\u00e7as japonesas por ano. Em 2016, o n\u00famero de nascimentos caiu para menos de 1 milh\u00e3o pela primeira vez em d\u00e9cadas, e a previs\u00e3o \u00e9 que a queda continue. L\u00edder em longevidade e, ao mesmo tempo, integrante do pelot\u00e3o dos pa\u00edses de baixa natalidade, o Jap\u00e3o fica devendo no c\u00e1lculo da demografia.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"s3\">A popula\u00e7\u00e3o japonesa est\u00e1 encolhendo desde o come\u00e7o desta d\u00e9cada, quando atingiu o pico de 128 milh\u00f5es. Pelas estimativas do Instituto Nacional de Pesquisa da Popula\u00e7\u00e3o e de Seguridade Social do Jap\u00e3o, os japoneses ser\u00e3o 88 milh\u00f5es em 2065. Sabendo que h\u00e1 um limite para o uso de express\u00f5es do tipo \u201cos 80 anos s\u00e3o os novos 70, os 70 anos s\u00e3o os novos 60 e os 60 s\u00e3o os novos 50\u201d, muitos especialistas apontam a necessidade de o Jap\u00e3o recorrer \u00e0 imigra\u00e7\u00e3o. Mas essa parece ser uma op\u00e7\u00e3o politicamente inaceit\u00e1vel num pa\u00eds onde a unidade \u00e9tnica \u00e9 vista como uma virtude. O influxo anual de imigrantes est\u00e1 na casa dos 50 000 e inclui estudantes e trabalhadores tempor\u00e1rios. Para recuperar a popula\u00e7\u00e3o j\u00e1 perdida e estabilizar o encolhimento, o pa\u00eds precisaria atrair imigrantes permanentes e o fluxo teria de ser quase dez vezes maior.<\/span><\/p>\n<figure class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/longe-ja-21.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;strip=info\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" border=\"0\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Velhinho produtivo: aos 76 anos, Noburu Saito segue firme como operador de m\u00e1quina na metal\u00fargica Hamano, perto de T\u00f3quio | Eduardo Salgado<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"s3\">O envelhecimento visto no Jap\u00e3o \u00e9 uma pr\u00e9via do que est\u00e1 por vir, em menor ou maior medida, em v\u00e1rias partes do mundo. A popula\u00e7\u00e3o mundial est\u00e1 ficando velha. Em 2015, apenas uma pessoa tinha 60 anos ou mais em cada grupo de oito. Na metade deste s\u00e9culo, a propor\u00e7\u00e3o chegar\u00e1 a uma para cinco, segundo prev\u00ea a Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas. Em 2030, o mundo ter\u00e1 mais idosos do que crian\u00e7as de at\u00e9 9 anos. O quadro \u00e9 atualmente mais agudo em pa\u00edses ricos \u2014 al\u00e9m do Jap\u00e3o, It\u00e1lia, Alemanha, Finl\u00e2ndia e Portugal enfrentam essa quest\u00e3o. Mas esse fen\u00f4meno ser\u00e1 sentido tamb\u00e9m em pa\u00edses em desenvolvimento. \u201cEm termos demogr\u00e1ficos, o Jap\u00e3o hoje \u00e9 parecido com o que o Brasil ser\u00e1 daqui a algumas d\u00e9cadas\u201d, diz o m\u00e9dico brasileiro Alexandre Kalache, presidente da Alian\u00e7a Global de Centros Internacionais da Longevidade, uma rede de estudos. A fatia de pessoas com 60 anos ou mais na popula\u00e7\u00e3o brasileira dever\u00e1 sair dos atuais 13% para 29% em 2050 pelos c\u00e1lculos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica. Nem todos os pa\u00edses que est\u00e3o ficando mais velhos v\u00e3o ver o encolhimento da popula\u00e7\u00e3o. Para que isso ocorra \u00e9 preciso que o n\u00famero de nascimentos e a imigra\u00e7\u00e3o caiam a um n\u00edvel inferior ao de mortes. As Na\u00e7\u00f5es Unidas estimam que nas pr\u00f3ximas tr\u00eas d\u00e9cadas esse vai ser o caso de 51 pa\u00edses, entre os quais Bulg\u00e1ria, Cro\u00e1cia, Pol\u00f4nia e Ucr\u00e2nia. No Brasil, o encolhimento vai demorar um pouco mais para ocorrer. A popula\u00e7\u00e3o brasileira deve continuar crescendo at\u00e9 2050, alcan\u00e7ando 232 milh\u00f5es. Olhando mais para a frente \u00e9 que o n\u00famero come\u00e7a a cair e pode chegar a 190 milh\u00f5es no final do s\u00e9culo.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"s3\">Numa escala global, o envelhecimento \u00e9 resultado da vit\u00f3ria da civiliza\u00e7\u00e3o. \u00c9 um claro sinal de mais acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, a oportunidades de emprego e a servi\u00e7os de sa\u00fade muito mais tecnol\u00f3gicos e eficientes do que nossos pais e av\u00f3s tiveram. Ao mesmo tempo, tamb\u00e9m \u00e9 verdade que a conquista da longevidade traz novos desafios. Que o diga o Jap\u00e3o. A propor\u00e7\u00e3o de japoneses em idade de trabalho em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 dos que s\u00e3o dependentes est\u00e1 caindo, o que significa menos gente para pagar as contas de aposentadorias e servi\u00e7os de sa\u00fade e fazer a economia crescer. Em conversas no banco central do Jap\u00e3o, economistas n\u00e3o escondem a preocupa\u00e7\u00e3o. Analistas do setor privado concordam. \u201cOlhando para a frente, o envelhecimento da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 o maior desafio econ\u00f4mico do Jap\u00e3o\u201d, diz Takahiro Sekido, estrategista em T\u00f3quio do banco japon\u00eas MUFG, parte do Mitsubishi UFJ Financial Group, um dos mais importantes grupos do setor financeiro no pa\u00eds.<\/span><a href=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/ex116_japao_12.png\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/ex116_japao_13.png\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" border=\"0\" \/><\/a><\/p>\n<p><span class=\"s3\">Como demografia \u00e9 destino, no sentido de que as tend\u00eancias n\u00e3o s\u00e3o revertidas rapidamente, a op\u00e7\u00e3o \u00e9 acionar as for\u00e7as atualmente subutilizadas. Uma delas \u00e9 o grupo dos idosos. O pa\u00eds precisa de mais velhinhos que trabalhem, como Saito, o oper\u00e1rio da foto ao lado. No Jap\u00e3o, a aposentadoria \u00e9 aos 65 anos de idade, mas existe a percep\u00e7\u00e3o dentro do governo de que ser\u00e1 necess\u00e1rio aument\u00e1-la. Quase 30% dos homens com 65 ou mais anos continuam trabalhando. Na Alemanha, o percentual \u00e9 de 8%; e na Fran\u00e7a, de 3%. Como ressalta Yukihiro Matsuyama, diretor de pesquisa no Canon Institute for Global Studies, um centro de pesquisa com sede em T\u00f3quio, o problema \u00e9 que nem todo mundo concorda com as mudan\u00e7as. \u201cQuando se vive na \u2018democracia do cabelo branco\u2019, com muitos eleitores idosos, os pol\u00edticos relutam em alterar certos benef\u00edcios\u201d, diz Matsuyama.<\/span><\/p>\n<p><span class=\"s3\">\u00c0s margens do Rio Katsura, que corta a cidade de Kyoto, a 3 horas e meia de trem de T\u00f3quio, Katsuhito Matsumi faz uma pausa no trabalho de remo\u00e7\u00e3o de pedras com uma retroescavadeira e conta que contribui para a previd\u00eancia p\u00fablica e tamb\u00e9m para um fundo privado. Aos 53 anos, dono de uma microempresa de constru\u00e7\u00e3o com apenas quatro empregados, Matsumi diz que j\u00e1 fez as contas. Os dois fundos s\u00f3 v\u00e3o gerar uma renda que ele considera satisfat\u00f3ria se continuar trabalhando at\u00e9 os 80 anos. Matsumi n\u00e3o pretende parar at\u00e9 l\u00e1, mas se pergunta se ter\u00e1 sa\u00fade para continuar fazendo o trabalho pesado de molduras de madeira para concreto, sua especialidade. \u201cSe o governo aumentar a idade m\u00ednima da aposentadoria e eu n\u00e3o tiver for\u00e7a f\u00edsica para trabalhar, vou me sentir como se estivesse sendo morto\u201d, diz Matsumi.<\/span><\/p>\n<h3><b>Womenomics<\/b><\/h3>\n<p><span class=\"s3\">Ainda que o governo consiga levar situa\u00e7\u00f5es como a de Matsumi em conta, ven\u00e7a as resist\u00eancias a mudan\u00e7as e passe uma lei com uma nova idade m\u00ednima, o problema da falta de bra\u00e7os n\u00e3o estar\u00e1 resolvido. Outra meta igualmente importante \u00e9 elevar a presen\u00e7a das mulheres no mercado de trabalho. Atingindo os dois objetivos, a situa\u00e7\u00e3o muda de cara. \u201cSe a participa\u00e7\u00e3o de mulheres de 31 a 40 anos e de homens de 61 a 70 subir no mercado de 10 a 15 pontos percentuais, o tamanho da for\u00e7a de trabalho dever\u00e1 se estabilizar at\u00e9 2030\u201d, disse recentemente numa palestra nos Estados Unidos Atsushi Seike, professor de economia do trabalho e ex-presidente da Universidade Keiko.<\/span><\/p>\n<figure class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/longe-ja-31.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;strip=info\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" border=\"0\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Ikumen: assim s\u00e3o chamados os homens que est\u00e3o se envolvendo mais na cria\u00e7\u00e3o dos filhos | Issei Kato\/Reuters<\/figcaption><\/figure>\n<p>A executiva Mika Matsuo chefia o setor de recursos humanos da AIG, multinacional americana do setor de seguros, no Jap\u00e3o e na Coreia do Sul, \u00e0 frente de uma equipe de 80 funcion\u00e1rios. Depois de terminar a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o nos Estados Unidos nos anos 80, ela voltou para o Jap\u00e3o. Quando casou, combinou com o marido que n\u00e3o deixaria de investir na carreira mesmo ap\u00f3s o nascimento do filho. Trabalhou por mais de uma d\u00e9cada no Citibank, foi para o JP -Morgan Chase, outro banco americano, passou pela ag\u00eancia de avalia\u00e7\u00e3o de risco Moody\u2019s e pelo banco Tokyo Star \u2014 a maior parte do tempo em cargos do alto escal\u00e3o. Um dos problemas do Jap\u00e3o \u00e9 que trajet\u00f3rias como a de Mika s\u00e3o rar\u00edssimas. As mulheres s\u00e3o metade da popula\u00e7\u00e3o, mas ocupam menos de 20% dos cargos da ger\u00eancia para cima. O \u00edndice \u00e9 baixo em compara\u00e7\u00e3o ao de Estados Unidos, boa parte da Europa e tamb\u00e9m do Brasil \u2014 todos acima de 35%. As japonesas tamb\u00e9m s\u00e3o sub-representadas nos chamados \u201cempregos para toda vida\u201d das grandes corpora\u00e7\u00f5es e acabam tendo uma fatia desproporcionalmente grande dos empregos mal pagos de meio turno. No quesito igualdade de pagamento para homens e mulheres com a mesma posi\u00e7\u00e3o, o Jap\u00e3o fica na posi\u00e7\u00e3o n\u00famero 52 no mundo, de acordo com o mais recente relat\u00f3rio sobre as dist\u00e2ncias entre g\u00eaneros do F\u00f3rum Econ\u00f4mico Mundial, com sede na Su\u00ed\u00e7a. \u00c9 melhor do que o Brasil, na 114<span class=\"s2\"><sup>a<\/sup><\/span>\u00a0posi\u00e7\u00e3o, mas ainda assim \u00e9 um papel\u00e3o em compara\u00e7\u00e3o com outros pa\u00edses ricos. \u201cPor causa do problema do envelhecimento, o governo tem tentado mudar essa situa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Mika.<\/p>\n<figure class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/ex116_japao_22.png\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/ex116_japao_23.png\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" border=\"0\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Toque para ampliar.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"s3\">Em 2015, o primeiro-ministro Shinzo Abe lan\u00e7ou a ideia de \u201cativar\u201d a participa\u00e7\u00e3o das mulheres. O objetivo de Abe era incentivar a entrada feminina no mercado de trabalho e sua ascens\u00e3o profissional. Pela nova lei aprovada no Parlamento naquele mesmo ano, as empresas com mais de 300 empregados passaram a ter a obriga\u00e7\u00e3o de analisar sua situa\u00e7\u00e3o em \u00e1reas como n\u00famero de mulheres recrutadas, fatia feminina nos cargos de ger\u00eancia e n\u00famero de horas trabalhadas por todos os funcion\u00e1rios. Para pelo menos uma das \u00e1reas, as empresas tiveram de tra\u00e7ar uma meta. Parte delas escolheu a redu\u00e7\u00e3o da carga hor\u00e1ria. Fazia todo o sentido. \u201cUma das raz\u00f5es que explicam o baixo n\u00famero de gerentes mulheres \u00e9 a cultura de jornadas longas\u201d, diz Makiko Tachimori, presidente da Harmony Jinzai, empresa de procura de executivas com sede em T\u00f3quio.<\/span><\/p>\n<p>Quando o assunto \u00e9 hora extra, os japoneses s\u00e3o um p\u00e1reo duro. De acordo com a economista Yoko Tanaka, professora de estudos japoneses na Universidade de Tsukuba, que faz pesquisas por amostras mais detalhadas do que as conduzidas pelo governo, a m\u00e9dia de horas trabalhadas por semana est\u00e1 em 53, imposs\u00edvel para mulheres com filhos que n\u00e3o contam com a ajuda do marido, situa\u00e7\u00e3o que \u00e9 quase uma regra no Jap\u00e3o. De um grupo de sete pa\u00edses ricos, que inclui Jap\u00e3o, Estados Unidos, Inglaterra, Fran\u00e7a, Alemanha, Su\u00e9cia e Noruega, os japoneses s\u00e3o os pais de filhos pequenos que menos ajudam a mulher nas tarefas dom\u00e9sticas e nos cuidados com a crian\u00e7a \u2014 em m\u00e9dia, 1 hora e meia por dia. Os franceses, os mais pr\u00f3ximos, ajudam o dobro do tempo. Num pa\u00eds onde impera a hora extra, o papel destinado ao homem \u00e9 trabalhar e se desconectar das coisas da casa.<\/p>\n<p><span class=\"s3\">Como \u00e0s vezes ocorre, as regras mudam, mas a cultura \u00e9 mais forte. Uma das novas palavras surgidas depois de come\u00e7arem as tentativas de reduzir as horas extras foi\u00a0<i>furarimen<\/i>. \u00c9 a fus\u00e3o de duas outras express\u00f5es.\u00a0<i>Furari frurari<\/i>, que significa \u201ccaminhar de forma tr\u00f4pega\u201d, e\u00a0<i>sararimen<\/i>, uma corruptela do ingl\u00eas \u2013<i>salary men<\/i>, que no Jap\u00e3o \u00e9 sin\u00f4nimo de \u201chomens provedores que trabalham longas horas\u201d. Embaladas pela nova lei, empresas come\u00e7aram a apagar as luzes e a expulsar os funcion\u00e1rios dos escrit\u00f3rios. Mas boa parte deles, em vez de ir para casa dividir com a mulher os afazeres dom\u00e9sticos, passou a encher os bares ou a tomar bebidas alco\u00f3licas em parques. Com os\u00a0<i>sararimen<\/i>\u00a0caminhando de forma meio\u00a0<i>furari frurari\u00a0<\/i>ao sair de bares e parques, n\u00e3o demorou a surgir a nova palavra. H\u00e1 ainda outro fen\u00f4meno chamado \u2013<i>mochikaeri-zangyo<\/i>. S\u00e3o funcion\u00e1rios de empresas que reduziram as horas, mas n\u00e3o a carga de trabalho. Esses acabam enchendo os caf\u00e9s ou v\u00e3o para casa trabalhar.<\/span><\/p>\n<figure class=\"wp-caption alignnone\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/longe-ja-41.jpg?quality=70&amp;strip=info&amp;strip=info\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" border=\"0\" \/><figcaption class=\"wp-caption-text\">Caminhos ainda desiguais: o Jap\u00e3o est\u00e1 entre os pa\u00edses em que a presen\u00e7a de mulheres em cargos executivos \u00e9 muito inferior \u00e0 de homens | Xavier Arnau\/Getty Images<\/figcaption><\/figure>\n<p>Mesmo com todos os percal\u00e7os, a reforma de Abe costuma ser elogiada por grupos de feministas. Eles argumentam que os pap\u00e9is de homens e mulheres n\u00e3o mudam de uma hora para a outra. E dizem que algumas transforma\u00e7\u00f5es come\u00e7am a ser sentidas. Em mar\u00e7o, a Toyota anunciou Teiko Kudo, alta executiva do Sumitomo Mitsui Banking Corp, uma institui\u00e7\u00e3o financeira, como a primeira mulher a ter lugar em seu conselho de administra\u00e7\u00e3o. O n\u00famero de funcion\u00e1rios p\u00fablicos que passaram a fazer uso da licen\u00e7a-paternidade tamb\u00e9m est\u00e1 subindo. De quase nada chegou a 10% no ano passado. \u00c9 uma vit\u00f3ria dos\u00a0<i>ikumen<\/i>, neologismo criado para descrever uma nova gera\u00e7\u00e3o de homens que se envolvem ativamente na cria\u00e7\u00e3o dos filhos. A esperan\u00e7a \u00e9 que um maior apoio dos homens torne a maternidade menos assustadora e ajude as m\u00e3es a n\u00e3o abandonar a carreira profissional.<\/p>\n<figure class=\"wp-caption alignnone\"><a href=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/ex116_japao_32.png\"><img decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/abrilexame.files.wordpress.com\/2018\/07\/ex116_japao_33.png\" alt=\"\" width=\"\" height=\"\" border=\"0\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-caption-text\">Toque para ampliar.<\/figcaption><\/figure>\n<p><span class=\"s3\">A resposta sobre se o Jap\u00e3o conseguir\u00e1 enfrentar os desafios do envelhecimento e o encolhimento da popula\u00e7\u00e3o vai depender de v\u00e1rios embates na sociedade. Um deles \u00e9 entre idosos como o oper\u00e1rio de 76 anos, ainda na ativa na f\u00e1brica em T\u00f3quio, e profissionais como o dono da pequena construtora em Kyoto, contr\u00e1rio \u00e0 mudan\u00e7a da idade m\u00ednima para aposentadoria. H\u00e1 tamb\u00e9m a disputa entre mulheres e chefes machistas, que pagam mais a homens no mesmo cargo. E, sim, existe ainda o embate entre os pais ativos na cria\u00e7\u00e3o dos filhos e os tr\u00f4pegos alcoolizados. Pelo ganho poss\u00edvel, todas s\u00e3o batalhas que vale a pena enfrentar.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/exame.abril.com.br\/revista-exame\/velhos-e-fortes\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">EXAME<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Localizada em Sumida, na regi\u00e3o metropolitana de T\u00f3quio,\u00a0a Hamano Products, pequena ind\u00fastria de metalmec\u00e2nica, parece uma janela para o futuro. Uma de suas principais apostas \u00e9 uma parceria para desenvolver uma turbina e\u00f3lica com um novo design, atualmente em fase de testes. A empresa acredita que seu modelo \u00e9 \u00e0 prova de tuf\u00e3o, sonha com [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":52,"featured_media":20553,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"om_disable_all_campaigns":false,"inline_featured_image":false,"_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[34,5,153],"tags":[15,1204,2065],"post_folder":[],"class_list":["post-20552","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-carreira","category-noticias","category-mercado-de-trabalho","tag-emprego","tag-idosos","tag-japao"],"aioseo_notices":[],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20552","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/users\/52"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20552"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20552\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20554,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20552\/revisions\/20554"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media\/20553"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20552"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20552"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20552"},{"taxonomy":"post_folder","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-json\/wp\/v2\/post_folder?post=20552"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}