{"id":21148,"date":"2018-08-07T12:38:46","date_gmt":"2018-08-07T15:38:46","guid":{"rendered":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=21148"},"modified":"2018-08-07T12:38:46","modified_gmt":"2018-08-07T15:38:46","slug":"a-crise-no-mercado-de-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/a-crise-no-mercado-de-trabalho\/","title":{"rendered":"A crise no mercado de trabalho"},"content":{"rendered":"<h6 class=\"n--noticia__subtitle\">Era previs\u00edvel que, em algum momento, a persist\u00eancia da crise \u2013 com a atividade econ\u00f4mica em desacelera\u00e7\u00e3o, a infla\u00e7\u00e3o em alta e a credibilidade do governo cada vez mais corro\u00edda por sua incompet\u00eancia pol\u00edtica e administrativa \u2013 acabaria por romper a resist\u00eancia do mercado de trabalho, que continuava a apresentar bons indicadores. O que n\u00e3o se podia prever \u00e9 que, rompida como foi essa resist\u00eancia, a deteriora\u00e7\u00e3o fosse t\u00e3o r\u00e1pida e ampla como est\u00e1 sendo. O grande temor \u00e9 o de que, mantida a tend\u00eancia atual por um per\u00edodo longo, se percam os avan\u00e7os observados entre 2004 e 2014, em termos de emprego, renda, condi\u00e7\u00f5es de trabalho e melhora das condi\u00e7\u00f5es de vida de milh\u00f5es de brasileiros.<\/h6>\n<p>Dados que, desde o in\u00edcio de sua apura\u00e7\u00e3o na d\u00e9cada de 1990, mostravam aumento do n\u00famero de empregados e da parcela protegida pela legisla\u00e7\u00e3o trabalhista, passaram a registrar crescimento cada vez mais r\u00e1pido do desemprego e do desalento da popula\u00e7\u00e3o. A renda do trabalho, que vinha crescendo em valores reais h\u00e1 v\u00e1rios anos, o que estimulava o consumo e, assim, sustentava o crescimento da economia, agora cai. E, segundo alguns c\u00e1lculos, a queda \u00e9 mais acentuada do que a registrada em 2003, no in\u00edcio do primeiro governo petista \u2013 o de Luiz In\u00e1cio Lula da Silva \u2013, quando a economia estava estagnada e a infla\u00e7\u00e3o era de 9% ao ano, como hoje, mas o desemprego era muito maior.<\/p>\n<p>Quanto ao emprego, o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) do Minist\u00e9rio do Trabalho, que desde 1999 registra o n\u00famero de empregos com registro em carteira profissional, aponta pela primeira vez na sua s\u00e9rie saldos mensais negativos e sucessivos. S\u00f3 neste ano, at\u00e9 maio, foram fechados 593,4 mil postos de trabalhos formais. \u00c9 poss\u00edvel que o total de empregos formais extintos em 2015 alcance 900 mil.<\/p>\n<p>O dado do Caged vai al\u00e9m da estat\u00edstica, por si s\u00f3 j\u00e1 suficiente para mostrar a piora acentuada do mercado de trabalho. Ele aponta tamb\u00e9m para a deteriora\u00e7\u00e3o da qualidade do mercado, pois \u00e0 redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de empregos formais, que asseguram direitos e d\u00e3o garantias aos trabalhadores, corresponde, em alguma medida, o aumento do n\u00famero de trabalhadores informais, que n\u00e3o disp\u00f5em de nenhuma garantia e, muitas vezes, trabalham em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias.<\/p>\n<p>Outro indicador da piora da qualidade do emprego \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o, h\u00e1 anos, do n\u00famero de trabalhadores na ind\u00fastria, mesmo quando outros setores contratavam. Por suas caracter\u00edsticas, a ind\u00fastria demanda profissionais mais preparados aos quais, por isso, oferece sal\u00e1rios em geral mais altos do que os pagos por outros setores e tenta preservar em seus quadros enquanto suportar.<\/p>\n<p>Mas o desemprego alcan\u00e7a com intensidade tamb\u00e9m o setor de servi\u00e7os, o que mostra seu alcance e sua virul\u00eancia.<\/p>\n<p>O desemprego s\u00f3 n\u00e3o \u00e9 maior em alguns segmentos, como a ind\u00fastria automobil\u00edstica, porque empresas e empregados fizeram acordos que permitem afastamento tempor\u00e1rio, redu\u00e7\u00e3o de jornada com redu\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m do sal\u00e1rio, entre outros mecanismos que evitam a demiss\u00e3o pura e simples. Mas mesmo empresas que recorreram a esses acordos come\u00e7am a ser pressionadas pela necessidade de reduzir a folha.<\/p>\n<p>O resultado \u00f3bvio, embora n\u00e3o imediato, \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o da renda real de quem continuou empregado e da massa de sal\u00e1rio real, isto \u00e9, o total de sal\u00e1rios pagos. A queda de rendimento \u00e9 impressionante. A Pesquisa Mensal de Emprego (PME) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) mostrou que, em maio, a renda m\u00e9dia do trabalhador foi 5% menor do que a de maio do ano passado.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 massa salarial real, a queda entre novembro de 2014, quando alcan\u00e7ou seu maior valor em v\u00e1rios anos, e maio \u00faltimo (sem incluir o d\u00e9cimo terceiro sal\u00e1rio) foi de 10%, como mostrou o jornal Valor. Na crise de 2003, queda dessa propor\u00e7\u00e3o s\u00f3 foi registrada num per\u00edodo de oito meses. Nem mesmo na crise de 2009 houve redu\u00e7\u00e3o t\u00e3o intensa.<\/p>\n<p>Para alguns economistas, os efeitos do desemprego e da queda da renda real sobre o consumo ainda est\u00e3o subestimados. Se eles estiverem certos, o quadro ruim tende a piorar.<\/p>\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/opiniao.estadao.com.br\/noticias\/geral,a-crise-no-mercado-de-trabalho,1718986\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ESTAD\u00c3O<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Era previs\u00edvel que, em algum momento, a persist\u00eancia da crise \u2013 com a atividade econ\u00f4mica em desacelera\u00e7\u00e3o, a infla\u00e7\u00e3o em alta e a credibilidade do governo cada vez mais corro\u00edda por sua incompet\u00eancia pol\u00edtica e administrativa \u2013 acabaria por romper a resist\u00eancia do mercado de trabalho, que continuava a apresentar bons indicadores. 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