{"id":3117,"date":"2013-06-24T12:13:38","date_gmt":"2013-06-24T15:13:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=3117"},"modified":"2013-06-24T12:13:38","modified_gmt":"2013-06-24T15:13:38","slug":"profissionais-de-fora-da-area-de-ti-aprendem-a-programar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/profissionais-de-fora-da-area-de-ti-aprendem-a-programar\/","title":{"rendered":"Profissionais de fora da \u00e1rea de TI aprendem a programar"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Steve Jobs, fundador da Apple, defendia que todo mundo deveria aprender a programar um computador, porque isso &#8220;ensina voc\u00ea a pensar&#8221;. Ele n\u00e3o era o \u00fanico: criadores de grandes companhias como Facebook, Twitter, Microsoft e Google tamb\u00e9m levantam essa bandeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa tend\u00eancia j\u00e1 chegou ao Brasil. Profissionais que n\u00e3o t\u00eam carreiras diretamente ligadas a tecnologia come\u00e7aram a descobrir que decifrar c\u00f3digos e linhas de programa\u00e7\u00e3o pode ser \u00fatil.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 o caso do analista de compras Dhiego Spinillo, 28, formado em administra\u00e7\u00e3o de empresas. H\u00e1 tr\u00eas anos, ele decidiu fazer cursos sobre o tema por acreditar que esse conhecimento poderia ajud\u00e1-lo em reuni\u00f5es com a equipe de tecnologia durante a implanta\u00e7\u00e3o de projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Quando eu trabalhava em uma varejista de telefonia m\u00f3vel, debati muitas vezes com o setor de TI, porque eles falavam que n\u00e3o era poss\u00edvel desenvolver algumas coisas, mas eu sabia que dava&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 um ano em uma start-up (empresa iniciante de base tecnol\u00f3gica), ele continua aproveitando esse conhecimento nas reuni\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Fui um dos respons\u00e1veis por acompanhar toda a implanta\u00e7\u00e3o do sistema de gest\u00e3o de e-commerce da empresa&#8221;, conta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele diz que, no futuro, esse conhecimento vai ajud\u00e1-lo a &#8220;colocar em pr\u00e1tica alguma ideia genial&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 a mesma realidade da gerente de projetos Luciana de Melo Guedes, 39, tamb\u00e9m formada em administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Convivo muito com os programadores e fiz uma oficina para conhecer melhor o assunto&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela diz que a programa\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m ajuda a resolver problemas pr\u00e1ticos.<br \/>\nGuedes conta que, \u00e0s vezes, precisa consultar listas enormes para conseguir informa\u00e7\u00f5es. Criar um software que separa os dados dos quais ela realmente precisa pode facilitar essa consulta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Voc\u00ea pode fazer isso no Excel, mas com um programa fica muito mais f\u00e1cil.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Carlos Lopes Fernandes, professor do curso de An\u00e1lise de Desenvolvimento de Sistemas da Fatec S\u00e3o Caetano, diz que esse tipo de conhecimento pode melhorar o trabalho em \u00e1reas que n\u00e3o s\u00e3o intimamente ligadas \u00e0 tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um professor pode programar para criar jogos educativos e um advogado pode elaborar uma agenda que fique sincronizada com o tablet e o celular para organizar suas atividades&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>ONDE COME\u00c7AR<\/strong><br \/>\nJ\u00e1 d\u00e1 para fazer projetos sabendo o b\u00e1sico, pontua Lopes. Alguns sites permitem que os interessados no assunto experimentem como \u00e9 programar em linguagens como HTML, usada para a internet, e em plataformas voltadas a anima\u00e7\u00e3o (veja ao lado).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Fernandes diz que dois aprendizados s\u00e3o essenciais: algoritmos, que, em computa\u00e7\u00e3o, \u00e9 a sequ\u00eancia de passos para resolver um problema ou executar uma tarefa e l\u00f3gica de programa\u00e7\u00e3o (m\u00e9todo para comunicar instru\u00e7\u00f5es para um computador).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Um programa \u00e9 formado por linhas, como um texto. Se voc\u00ea aprende uma linguagem espec\u00edfica, sem saber algoritmos e l\u00f3gica de programa\u00e7\u00e3o, n\u00e3o ter\u00e1 no\u00e7\u00e3o do que vai acontecer ao final dos c\u00f3digos&#8221;, afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Fernando Meirelles, professor da FGV, \u00e9 sempre v\u00e1lido fazer um curso para se reciclar. &#8220;Mas \u00e9 preciso ter o perfil adequado e n\u00e3o fazer s\u00f3 porque est\u00e1 na moda.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com ele, \u00e9 importante saber resolver problemas matem\u00e1ticos, ter boa capacidade de racioc\u00ednio e ser paciente, j\u00e1 que o trabalho envolve fazer testes para ver se os sistemas est\u00e3o funcionando.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>BE-A-B\u00c1<\/strong><br \/>\nAna de Oliveira Rodrigues, professora de programa\u00e7\u00e3o de computadores e laborat\u00f3rio de neg\u00f3cios do Ibmec, defende que esse aprendizado deveria come\u00e7ar na inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Hoje h\u00e1 muitos programas para ensinar crian\u00e7as, como o Hopscotch. \u00c9 uma forma de o c\u00e9rebro aprender a pensar diferente&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para ela, os c\u00f3digos est\u00e3o por toda a parte, sem que as pessoas percebam. &#8220;Muita gente aprende a programar dentro do Excel. Quando voc\u00ea usa a fun\u00e7\u00e3o soma, isso \u00e9 um tipo de programa\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A grande vantagem que os profissionais podem ter ao fazer esse tipo de curso \u00e9 poder atender demandas do trabalho de forma mais simples.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se tenho um problema para resolver, construo um aplicativo que fa\u00e7a isso por mim&#8221;, afirma Eduardo Casavella, professor da Intelectualle, institui\u00e7\u00e3o especializada em cursos de programa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele diz que cada vez mais profissionais de outros setores se interessam pelo tema.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os alunos v\u00eam aqui querendo criar projetos, lan\u00e7ar produtos. S\u00e3o pessoas que t\u00eam uma ideia e gostariam de transform\u00e1-la em um site ou em algo novo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Programar e promover eventos que ensinassem as pessoas a entrar nesse mundo se tornou uma das tarefas da jornalista Daniela Silva, 27.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela \u00e9 uma das fundadoras da comunidade Transpar\u00eancia Hacker, que trabalha para deixar mais simples e claros os dados disponibilizados por governos na rede.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se antes eu s\u00f3 dava a ideia e via a coisa pronta, com esse aprendizado pude entender o processo de produ\u00e7\u00e3o e contribuir para o desenvolvimento dos projetos&#8221;, diz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas ela n\u00e3o via muitas outras mulheres com esses conhecimentos. Por isso decidiu criar um evento voltado ao p\u00fablico feminino interessado no assunto, a RodAda Hacker S\u00e3o Paulo, cuja primeira edi\u00e7\u00e3o aconteceu em mar\u00e7o deste ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mais de 30 mulheres participaram do evento, que durou um dia. E a maioria, segundo a organizadora, n\u00e3o era ligada \u00e0 \u00e1rea de TI. Entre elas a engenheira civil Haydee Svab, 31.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para aprimorar o conhecimento, ela tamb\u00e9m se inscreveu em cursos on-line de programa\u00e7\u00e3o para aprender linguagens como phyton, que, entre outras coisas, pode ajudar a criar recursos avan\u00e7ados de manipula\u00e7\u00e3o de textos, listas e outras estruturas de dados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As experi\u00eancias t\u00eam trazido um bom resultado. &#8220;As empresas valorizam esse conhecimento. No setor de constru\u00e7\u00e3o civil \u00e9 um diferencial, porque d\u00e1 mais autonomia sobre as decis\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela conta que na sua \u00e1rea, as companhias geralmente pedem conhecimento de softwares espec\u00edficos e o fato de saber programar pode mostrar que o profissional ter\u00e1 mais facilidade para aprend\u00ea-los, caso desconhe\u00e7a esses programas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Saber programar mostra que voc\u00ea tem habilidades para migrar mais rapidamente para outros programas com os quais nunca tenha tido contato.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>&#8216;TILT&#8217;<\/strong><br \/>\nApesar de todo esse coro a favor da programa\u00e7\u00e3o, especialistas em recursos humanos dizem que, hoje, esse aprendizado ainda n\u00e3o \u00e9 valorizado pelo mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o vejo como isso poderia ajudar o desempenho [do funcion\u00e1rio]. Se um profissional de marketing tiver interesse em tecnologia, \u00e9 melhor que ele fa\u00e7a um curso de gest\u00e3o de redes sociais&#8221;, opina Jairo Okret, s\u00f3cio-diretor da consultoria Korn\/Ferry.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com ele, algu\u00e9m que n\u00e3o \u00e9 da \u00e1rea de TI precisa apenas conhecer os tipos de tecnologia existentes e pedir para um profissional especializado desenvolver o projeto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Jo\u00e3o Paulo Camargo, diretor da consultoria ASAP, partilha de opini\u00e3o parecida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;N\u00e3o vejo como tend\u00eancia. Dif\u00edcil ver um profissional que n\u00e3o \u00e9 de TI estudar e fazer isso, uma vez que ele pode contratar algu\u00e9m para fazer.&#8221; Para ele, se o profissional quer fazer um curso para desenvolver o racioc\u00ednio, \u00e9 melhor optar pelo Kumon (m\u00e9todo japon\u00eas que forma alunos autodidatas).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">De acordo com os especialistas, um profissional pode optar por um curso como esse para ter um plano B para a carreira. Algo interessante para o Brasil hoje, dada a falta de m\u00e3o de obra no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O mercado est\u00e1 absorvendo gente com menos qualifica\u00e7\u00e3o por necessidade. Muitas empresas acabam formando as pessoas&#8221;, diz Anderson Figueiredo, gerente de pesquisa da consultoria IDC.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma pesquisa feita neste ano pela empresa indica que, at\u00e9 2015, o pa\u00eds ter\u00e1 117 mil profissionais a menos do que o necess\u00e1rio no setor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por causa disso, forma\u00e7\u00f5es acad\u00eamicas em ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o e sistemas de informa\u00e7\u00e3o, por exemplo, est\u00e3o sendo substitu\u00eddas pela forma\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica oferecida pelas empresas.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Folha.com<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Steve Jobs, fundador da Apple, defendia que todo mundo deveria aprender a programar um computador, porque isso &#8220;ensina voc\u00ea a pensar&#8221;. Ele n\u00e3o era o \u00fanico: criadores de grandes companhias como Facebook, Twitter, Microsoft e Google tamb\u00e9m levantam essa bandeira. 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