{"id":3363,"date":"2014-01-09T14:02:49","date_gmt":"2014-01-09T17:02:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=3363"},"modified":"2023-05-29T18:29:15","modified_gmt":"2023-05-29T21:29:15","slug":"aprenda-a-se-defender-do-assedio-moral-no-trabalho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/dicas\/aprenda-a-se-defender-do-assedio-moral-no-trabalho\/","title":{"rendered":"Aprenda a se defender do ass\u00e9dio moral no trabalho"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Por 11 anos, o engenheiro de alimentos Ricardo Martinez, de 47 anos, foi executivo da DSM, empresa de produtos nutricionais de Campinas, em S\u00e3o Paulo. Ingressou como gerente, manteve o cargo durante uma fus\u00e3o, chegou a diretor \u2014 primeiro no Brasil, depois na Am\u00e9rica Latina \u2014 e, por fim, tornou-se respons\u00e1vel tamb\u00e9m pela opera\u00e7\u00e3o da \u00c1sia.\u00a0Durante sete anos, foi o emprego\u00a0ideal. Vieram ent\u00e3o uma expatria\u00e7\u00e3o frustrada e uma chefe tirana, e a carreira desabou. Primeiro, diz Ricardo, a empresa o transferiu para Singapura, o que obrigou sua esposa, dentista, a desmontar o consult\u00f3rio e fez seu filho perder um ano escolar. A experi\u00eancia no Oriente durou poucos dias.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mal havia chegado, Ricardo foi comunicado que tinha uma nova chefe e que deveria voltar ao Brasil. A frustra\u00e7\u00e3o trouxe danos para a fam\u00edlia. Meses depois, o casamento acabou e Ricardo atribui \u00e0 expatria\u00e7\u00e3o malsucedida a culpa pelo div\u00f3rcio. A rela\u00e7\u00e3o com a chefe\u00a0foi mais danosa.\u00a0Em tr\u00eas anos, o executivo narra um hist\u00f3rico de confitos, objetivos irrealiz\u00e1veis, amea\u00e7as e uma promo\u00e7\u00e3o a diretor que n\u00e3o foi registrada em sua carteira de trabalho. O resultado \u00e9 um processo de ass\u00e9dio moral\u00a0que Ricardo move contra a empresa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois de tr\u00eas anos sendo amea\u00e7ado, Ricardo tentou se defender. Terminado um ano fiscal em que conseguiu atingir os resultados, ele foi reclamar com o presidente da empresa das amea\u00e7as que recebia. Se a queixa surtiu algum efeito, foi o contr\u00e1rio do esperado. A empresa decidiu rebaix\u00e1-lo: deixaria de ser diretor e voltaria a gerente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 prevendo o desfecho, resolveu pegar pesado na avalia\u00e7\u00e3o anual. &#8220;Registrei que vinha sendo assediado e que a empresa n\u00e3o havia se posicionado sobre o assunto&#8221;, diz Ricardo. Finalmente, a demiss\u00e3o ocorreu.<\/p>\n<p>No processo que corre em primeira inst\u00e2ncia, Martinez acusa a DSM de:<\/p>\n<p>1) Preju\u00edzos psicol\u00f3gicos, com depress\u00e3o diagnosticada.<br \/>\n2) Rebaixamento de cargo.<br \/>\n3) Aus\u00eancia de registro de promo\u00e7\u00e3o a diretor na carteira profissional.<br \/>\n4) Amea\u00e7as constantes de demiss\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Por todo o estresse que passei e pelas amea\u00e7as, decidi processar a empresa&#8221;, diz Ricardo. A DSM informou que n\u00e3o se manifesta sobre processos em tr\u00e2mite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>De quem \u00e9 a responsabilidade?<br \/>\n<\/strong><br \/>\nDe acordo com a Organiza\u00e7\u00e3o Internacional do Trabalho, 42% dos brasileiros j\u00e1 sofreram ass\u00e9dio moral no trabalho. Em qualquer caso, o culpado \u00e9 quem pratica. Pode ser uma pessoa ou um grupo, mas sempre h\u00e1 um respons\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa discuss\u00e3o, existe um aspecto menos discutido: at\u00e9 que ponto as v\u00edtimas relaxam a guarda e permitem que o ataque ocorra. Atribuir qualquer responsabilidade \u00e0 v\u00edtima seria uma segunda injusti\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas, sem querer punir novamente quem j\u00e1 sofreu demais, \u00e9 preciso avan\u00e7ar na quest\u00e3o e verifcar que precau\u00e7\u00f5es podem ser tomadas para evitar situa\u00e7\u00f5es de ass\u00e9dio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A primeira atitude defensiva \u00e9 conhecer a cabe\u00e7a de quem pratica ass\u00e9dio. Como na selva, predadores t\u00eam crit\u00e9rios para defnir suas v\u00edtimas. &#8220;Os assediadores costumam mirar quem est\u00e1 mais fr\u00e1gil ou quem aparece como amea\u00e7a&#8221;, diz Pamela Magalh\u00e3es, psic\u00f3loga cl\u00ednica de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrat\u00e9gia de prote\u00e7\u00e3o contra o ass\u00e9dio passa, portanto, por adotar uma postura confiante e otimista e reagir de maneira firme diante da primeira agress\u00e3o moral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muita gente \u00e9 incapaz de se impor, mesmo que seja competente&#8221;, diz Pamela. Muitos casos de ass\u00e9dio moral levam tempo para ser percebidos. \u00c9 comum uma v\u00edtima considerar que os maustratos fazem parte de um jogo e demorar a pedir ajuda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O algoz tamb\u00e9m joga com o medo do alvo de perder o emprego. &#8220;Quem tem dificuldade de lidar com a possibilidade de demiss\u00e3o est\u00e1 mais exposto \u00e0 manipula\u00e7\u00e3o\u201d, diz Waleska Farias, coach do Rio de Janeiro. Em qualquer caso, n\u00e3o h\u00e1 solu\u00e7\u00e3o sem preju\u00edzo. Permanecer no emprego deixa de ser uma op\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser visto como amea\u00e7a \u00e9 outra situa\u00e7\u00e3o que provoca ass\u00e9dio. S\u00e3o chefes e colegas que invejam a v\u00edtima por alguma raz\u00e3o. Mostrar bons resultados \u00e9 fundamental para crescer. Mas \u00e9 preciso tratar chefes e colegas com delicadeza. \u201c\u00c9 necess\u00e1rio ter tato com chefes inseguros\u201d, diz Pamela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nesses casos, o melhor \u00e9 fcar na sua e demonstrar que voc\u00ea \u00e9 um bom profissional, mas sem deixar que o chefe morra de medo de perder o emprego por sua causa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Ambientes T\u00f3xicos<br \/>\n<\/strong><br \/>\nQualquer ambiente pode ter o v\u00edrus do ass\u00e9dio moral, mas em alguns a prolifera\u00e7\u00e3o \u00e9 mais r\u00e1pida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Empresas que estimulam a competitividade e departamentos em que os resultados s\u00e3o mais imediatos, como vendas, t\u00eam mais problemas&#8221;, diz Celso Bazzola, consultor de RH, de S\u00e3o Paulo. Duas condena\u00e7\u00f5es recentes por danos morais aconteceram em empresas em que essas \u00e1reas s\u00e3o fortes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Brasil Kirin, fabricante de bebidas, foi processada em agosto de 2013 por ass\u00e9dio moral coletivo, ao amea\u00e7ar demitir funcion\u00e1rios da \u00e1rea de vendas que n\u00e3o cumprissem as metas. A indeniza\u00e7\u00e3o foi de 700.000 reais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A rede de supermercados Walmart tamb\u00e9m foi condenada, em outubro deste ano, a pagar 22,3 milh\u00f5es de reais por dano moral coletivo aos promotores de vendas, que alegam jornada excessiva de trabalho e humilha\u00e7\u00f5es. Ambos os casos s\u00e3o condena\u00e7\u00f5es em primeira inst\u00e2ncia e cabem recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m dos locais com metas competitivas, ambientes informais, como ag\u00eancias de publicidade ou startups de tecnologia, tamb\u00e9m propiciam o ass\u00e9dio. &#8220;O que costuma acontecer s\u00e3o brincadeiras excessivas entre colegas&#8221;, diz Waleska. Quando informalidade e agressividade se misturam, os problemas aparecem.<\/p>\n<p><strong>Situa\u00e7\u00f5es Insustent\u00e1veis<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que um profssional se proteja, \u00e0s vezes o ass\u00e9dio moral extrapola o limite do suport\u00e1vel. H\u00e1 sinais que mostram que a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 extrema: sensa\u00e7\u00e3o de impot\u00eancia, estresse alto, depress\u00e3o, absente\u00edsmo elevado, produtividade em queda e isolamento no ambiente de trabalho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se um bom profssional come\u00e7a a ter problemas com o trabalho, h\u00e1 altas chances de descobrir uma situa\u00e7\u00e3o de ass\u00e9dio moral&#8221;, diz Waleska. Quando isso acontece, muitos costumam se fechar, escondendo o problema dos colegas e dos familiares. \u00c9 um erro. A primeira coisa a ser feita \u00e9 falar sobre o assunto com algu\u00e9m de confian\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Verbalizar a situa\u00e7\u00e3o ajuda o profssional a se sentir querido e a entender se est\u00e1 mesmo sob ataque ou se \u00e9 s\u00f3 impress\u00e3o pessoal&#8221;, diz Waleska. Uma vez identifcado o ass\u00e9dio, \u00e9 hora de tentar conversar sobre o problema na empresa \u2014 seja com quem pratica, seja com \u00e1reas de apoio, como o RH. &#8220;\u00c9 importante reunir uma testemunha&#8221;, diz Bazzola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Falar sobre o assunto diretamente com quem est\u00e1 causando o dano \u00e9 importante, porque nem sempre o assediador se d\u00e1 conta. &#8220;As ofensas s\u00e3o muito pessoais, e cada um sabe qual \u00e9 o seu limite&#8221;, diz Andrea Bucharles, advogada do Mattos Filho Advogados, de S\u00e3o Paulo.\u00a0Embora as empresas estejam aumentando o cerco ao dano moral para n\u00e3o manchar sua imagem, nem sempre a conversa adianta.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em empresas familiares, por exemplo, o dono \u00e9 quem provoca o ass\u00e9dio moral, e os funcion\u00e1rios simplesmente n\u00e3o t\u00eam o que fazer sobre o assunto&#8221;, diz Remo Higashi Battaglia, advogado do escrit\u00f3rio Battaglia, Lourenzon &amp; Pedrosa, de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00ed \u00e9 hora de reunir provas sobre o ass\u00e9dio \u2014 valem e-mails de cobran\u00e7as indevidas, testemunhas que ouviram o chefe destratando o profissional em diversos momentos ou cr\u00edticas pesadas e infundadas na avalia\u00e7\u00e3o de desempenho. Laudos m\u00e9dicos atestando estresse e depress\u00e3o causados pelo trabalho tamb\u00e9m entram na lista.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Os ju\u00edzes costumam ser favor\u00e1veis a processos em que h\u00e1 vasta documenta\u00e7\u00e3o provando que o ass\u00e9dio moral era recorrente&#8221;, diz Andrea. &#8220;Mas as provas precisam ser concretas, pois 30% dos processos v\u00eam com pedidos de danos morais, e poucos t\u00eam fundamento&#8221;, afirma.<\/p>\n<p><strong>Fonte: Exame<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por 11 anos, o engenheiro de alimentos Ricardo Martinez, de 47 anos, foi executivo da DSM, empresa de produtos nutricionais de Campinas, em S\u00e3o Paulo. 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