{"id":35039,"date":"2021-04-22T13:17:18","date_gmt":"2021-04-22T16:17:18","guid":{"rendered":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=35039"},"modified":"2021-04-25T13:20:38","modified_gmt":"2021-04-25T16:20:38","slug":"maior-fabricante-de-cimento-do-mundo-anuncia-que-deixara-o-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/noticias\/maior-fabricante-de-cimento-do-mundo-anuncia-que-deixara-o-brasil\/","title":{"rendered":"Maior fabricante de cimento do mundo anuncia que deixar\u00e1 o Brasil"},"content":{"rendered":"\n<h4 class=\"wp-block-heading\" id=\"noticia-olho\">LafargeHolcim \u00e9 a quinta multinacional que encerrar\u00e1 produ\u00e7\u00f5es no pa\u00eds<\/h4>\n\n\n\n<p>Maior fabricante de cimento do mundo, o grupo franco-su\u00ed\u00e7o&nbsp;<strong>LafargeHolcim<\/strong>&nbsp;se prepara para deixar o Brasil e espera vender seus ativos no pa\u00eds, que valeriam cerca de US$ 1,5 bilh\u00e3o (o equivalente a R$ 8,35 bilh\u00f5es), segundo informa\u00e7\u00f5es da ag\u00eancia de not\u00edcias&nbsp;<em>Bloomberg<\/em>&nbsp;.<\/p>\n\n\n\n<p>O grupo tem opera\u00e7\u00f5es em nove estados nas regi\u00f5es Sudeste (S\u00e3o Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Esp\u00edrito Santo), Nordeste (Bahia, Pernambuco, Para\u00edba e Rio Grande do Norte) e Centro-Oeste (Goi\u00e1s). Segundo o site da empresa, s\u00e3o dez plantas industriais e 1.400 funcion\u00e1rios no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>Jos\u00e9 Carlos Martins, presidente da&nbsp;C\u00e2mara&nbsp;Brasileira de&nbsp;Ind\u00fastria da Constru\u00e7\u00e3o (Cbic), ficou surpreendido com o an\u00fancio da sa\u00edda da&nbsp;LafargeHolcim&nbsp;do Brasil.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu realmente n\u00e3o consigo entender. Nunca o cimento vendeu tanto, nunca a expectativa futura de faturamento do setor foi t\u00e3o boa&#8221;, disse.?<\/p>\n\n\n\n<p>Segundo a Bloomberg, a LafargeHolcim contratou o banco Ita\u00fa BBA para fazer o desinvestimento, com a venda dos ativos locais a um comprador.<\/p>\n\n\n\n<p>Se concretizada, a sa\u00edda se soma ao&nbsp;movimento de outras multinacionais de diversos setores, como&nbsp;<strong>Sony<\/strong>&nbsp;,&nbsp;<strong>Ford<\/strong>&nbsp;,&nbsp;<strong>LG<\/strong>&nbsp;e&nbsp;<strong>Mercedes-Benz<\/strong>&nbsp;, que anunciaram desinvestimentos no Brasil nos \u00faltimos meses em meio \u00e0 crise econ\u00f4mica no pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;N\u00e3o d\u00e1 para apostar no crescimento de longo prazo do Brasil. As empresas n\u00e3o t\u00eam tempo a perder, v\u00e3o privilegiar locais com crescimento mais forte.\u00a0O Brasil est\u00e1 atrasado no processo de reformas e infraestrutura. As concess\u00f5es t\u00eam acontecido com muito pouco crescimento\u00a0de constru\u00e7\u00e3o, de aeroportos\u00a0prontos, sem um\u00a0empuxo mais significativo para constru\u00e7\u00e3o pesada.\u00a0Brasil empobreceu e ficou caro&#8221;, diz Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados.<\/p>\n\n\n\n<p>O atual diretor-executivo global do grupo, Jan Jenisch, tem adotado uma estrat\u00e9gia de vender ativos para a redu\u00e7\u00e3o dos n\u00edveis de endividamento da companhia, ainda de acordo com a ag\u00eancia de not\u00edcias.<\/p>\n\n\n\n<p>Desde 2018, por exemplo, a empresa vendeu uma s\u00e9rie de ativos seus fora da Europa, como os localizados em Indon\u00e9sia e Mal\u00e1sia.<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Concentra\u00e7\u00e3o de mercado<\/h3>\n\n\n\n<p>Atualmente, a LafargeHolcim \u00e9 uma das maiores fabricantes de cimento do pa\u00eds. Uma venda da opera\u00e7\u00e3o para um concorrente poderia ter dificuldade de passar no Cade (\u00f3rg\u00e3o antitruste brasileiro), que j\u00e1 agiu no passado para evitar a concentra\u00e7\u00e3o de mercado e cart\u00e9is no setor.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse \u00e9 o temor de Otto\u00a0Nagami, professor do\u00a0Insper. Ele alerta para o risco de a concentra\u00e7\u00e3o do setor aumentar com a sa\u00edda da empresa do Brasil, a terceira maior do mercado, o que pode favorecer a forma\u00e7\u00e3o de oligop\u00f3lios.\u00a0 Ele cita o d\u00e9ficit p\u00fablico com um fator a inibir a a\u00e7\u00e3o das empresas do setor no Brasil.\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O d\u00e9ficit p\u00fablico compromete a destina\u00e7\u00e3o da poupan\u00e7a\u00a0dom\u00e9stica\u00a0para o\u00a0investimento em infraestrutura&#8221;, afirma.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Rafael&nbsp;Cagnin, economista do Instituto de Estudos de Desenvolvimento Industrial (Iedi), afirma que a falta de crescimento&nbsp;da economia, com a constru\u00e7\u00e3o pesada desorganizada desde os esc\u00e2ndalos de corrup\u00e7\u00e3o, pode ter pesado na decis\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Por mais que tenha constru\u00e7\u00e3o civil urbana, o eixo mobilizador \u00e9 a constru\u00e7\u00e3o pesada, \u00e9 isso que mobiliza. E n\u00e3o tem investimento p\u00fablico em infraestrutura&#8221;.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Desvaloriza\u00e7\u00e3o do real<\/h3>\n\n\n\n<p>Cagnin&nbsp;cita tamb\u00e9m a desvaloriza\u00e7\u00e3o do real que tira lucro em d\u00f3lar ou euro das multinacionais, que poderia ser compensado com crescimento, que n\u00e3o \u00e9 o caso do Brasil.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Al\u00e9m disso, economias maduras, como Estados Unidos, Uni\u00e3o Europeia, Reino Unido est\u00e3o anunciando investimentos pesados em infraestrutura, tecnologia. \u00c9 um momento crucial, delicado e estrat\u00e9gico de reposicionamento das empresas globais&#8221;, ressalta.<\/p>\n\n\n\n<p>O mercado da constru\u00e7\u00e3o civil voltou a crescer em 2019 e se manteve em alta no ano passado em meio \u00e0 pandemia, em boa medida devido ao pagamento do aux\u00edlio emergencial. Segundo o\u00a0<strong>Sindicato Nacional da Ind\u00fastria do Cimento (Snic)<\/strong>\u00a0, o mercado cresceu 11% em 2020. A alta foi de 19% no primeiro trimestre deste ano, na compara\u00e7\u00e3o com o mesmo per\u00edodo do ano passado.<\/p>\n\n\n\n<p>Claudio&nbsp;Frischtak, da&nbsp;Inter.B&nbsp;Consultoria, afirma que a inseguran\u00e7a jur\u00eddica aumentou no Brasil, al\u00e9m da instabilidade macroecon\u00f4mica e&nbsp;pol\u00edtica:&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Isso pode explicar o motivo de se deixar um mercado do tamanho do Brasil, com excesso de demanda por resid\u00eancia nos pr\u00f3ximos 20, 30 anos. N\u00e3o parece uma decis\u00e3o (de sair do pa\u00eds) \u00f3bvia&#8221;, afirma Frischtak.&nbsp; &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A reportagem\u00a0procurou a LafargeHolcim por meio de dois diretores, mas eles n\u00e3o se manifestaram a respeito da decis\u00e3o da empresa.<\/p>\n\n\n\n<p>Fonte: <a href=\"https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-04-22\/lafargeholcim-deixara-brasil.html\">https:\/\/economia.ig.com.br\/2021-04-22\/lafargeholcim-deixara-brasil.html<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>LafargeHolcim \u00e9 a quinta multinacional que encerrar\u00e1 produ\u00e7\u00f5es no pa\u00eds Maior fabricante de cimento do mundo, o grupo franco-su\u00ed\u00e7o&nbsp;LafargeHolcim&nbsp;se prepara para deixar o Brasil e espera vender seus ativos no pa\u00eds, que valeriam cerca de US$ 1,5 bilh\u00e3o (o equivalente a R$ 8,35 bilh\u00f5es), segundo informa\u00e7\u00f5es da ag\u00eancia de not\u00edcias&nbsp;Bloomberg&nbsp;. 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