{"id":4881,"date":"2014-10-20T07:55:23","date_gmt":"2014-10-20T10:55:23","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=4881"},"modified":"2014-10-20T14:21:48","modified_gmt":"2014-10-20T17:21:48","slug":"trabalho-precisa-de-amor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/trabalho-precisa-de-amor\/","title":{"rendered":"Trabalho precisa de amor?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>A ideia de que \u00e9 preciso ser apaixonado pelo trabalho para ter sucesso virou um mantra. Mas esse assunto exige mais discuss\u00e3o<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/trabalho-precisa-de-amor\/\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone wp-image-5126 size-full\" src=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Imagem-Padrao-123-Blog.jpg\" alt=\"Imagem Padrao 123 Blog\" width=\"540\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Imagem-Padrao-123-Blog.jpg 540w, https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2014\/10\/Imagem-Padrao-123-Blog-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Anna Carolina Rodrigues da Voc\u00ea S\/A<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2005, Steve Jobs fez um discurso emocionante para 23.000 alunos da Universidade Stanford, na Calif\u00f3rnia, numa cerim\u00f4nia de formatura. De l\u00e1 para c\u00e1, o v\u00eddeo do evento j\u00e1 foi assistido mais de 20 milh\u00f5es de vezes no YouTube.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em determinado momento de sua fala, Jobs crava: \u201cVoc\u00ea tem de encontrar o que voc\u00ea ama. A \u00fanica maneira de fazer um excelente trabalho \u00e9 amar o que faz. Se voc\u00ea ainda n\u00e3o encontrou, continue procurando, e n\u00e3o se acomode\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto do genial fundador da Apple serviu como um grande refor\u00e7o para a ideia de que associar trabalho \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o \u00e9 um componente essencial do sucesso. Muita gente toma esse racioc\u00ednio como verdade absoluta, mas ele n\u00e3o explica algumas quest\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por exemplo: o que fazer com os milh\u00f5es de profissionais que s\u00e3o \u00f3timos fazendo um trabalho que detestam? E como explicar aqueles que adoram o que fazem, mas t\u00eam um desempenho ruim? Talvez seja preciso investigar melhor o discurso da paix\u00e3o pelo fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi o que fez Cal Newport, professor de ci\u00eancia da computa\u00e7\u00e3o na Universidade de Georgetown, em Washington. Em 2010, ele ficou obcecado pela ideia de responder a uma pergunta simples: \u201cPor que algumas pessoas acabam amando sua carreira e outras n\u00e3o?\u201d. O professor foi investigar profissionais que faziam o que amavam nas mais variadas atividades \u2014 agricultores, m\u00fasicos, roteiristas, investidores de risco, programadores.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cal tinha a tese de que seguir uma voca\u00e7\u00e3o inicial n\u00e3o era exatamente o caminho mais eficaz para ter amor pelo trabalho. O resultado da investiga\u00e7\u00e3o est\u00e1 no livro So Good They Can\u2019t Ignore You (\u201cT\u00e3o bom que eles n\u00e3o podem ignor\u00e1-lo\u201d, numa tradu\u00e7\u00e3o livre, in\u00e9dito no Brasil, 26 d\u00f3lares na Amazon).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cEssa premissa do fa\u00e7a o que voc\u00ea ama \u00e9 muito sedutora, mas \u00e9 falsa porque a maioria das pessoas n\u00e3o \u00e9 programada para amar determinado tipo de trabalho\u201d, diz Cal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ao estudar pessoas que acabaram apaixonadas pela carreira, o professor percebeu que na maior parte dos casos o amor pelo trabalho se desenvolve ao longo do tempo, conforme as pessoas moldam a vida profissional de maneira significativa. O processo de constru\u00e7\u00e3o seria, portanto, mais importante para a satisfa\u00e7\u00e3o do que a escolha inicial com base em uma suposta prefer\u00eancia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A opini\u00e3o de Cal \u00e9 semelhante \u00e0 de outros especialistas como Rafael Alcadipani, professor da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas de S\u00e3o Paulo. \u201cOs motivos para uma pessoa ficar insatisfeita com o trabalho s\u00e3o diversos, mas a satisfa\u00e7\u00e3o raramente tem a ver com alguma inclina\u00e7\u00e3o preexistente\u201d, afirma Rafael.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amar o of\u00edcio talvez seja mais simples para quem ocupa um cargo de destaque ou tem um neg\u00f3cio de sucesso \u2014 o que explicaria a cren\u00e7a de Steve Jobs. Mas, para grande parte dos trabalhadores mortais, a rela\u00e7\u00e3o entre prazer e fazer \u00e9 mais conflituosa. \u201cPara a maioria das pessoas, a possibilidade de fazer o que ama \u00e9 limitada pela obriga\u00e7\u00e3o de ter de ganhar dinheiro para sobreviver\u201d, diz Rafael.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As biografias de Jobs mostram que o plano inicial dele e de seu s\u00f3cio, Steve Wozniak, era vender 100 placas de circuito para uma loja local de inform\u00e1tica em Mountain View, na Calif\u00f3rnia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A expectativa era ter um lucro de 1.000 d\u00f3lares. Jobs entrou descal\u00e7o no local e ofereceu as placas. O empres\u00e1rio recusou, mas disse que tinha interesse em 50 computadores completos, uma novidade na \u00e9poca. E pagaria 500 d\u00f3lares cada um. O acordo foi fechado, e assim surgiu a Apple Computer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa fase da vida, Jobs estava meio desnortea\u00addo em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 pr\u00f3pria carreira. Tinha largado os estudos e passava boa parte do tempo meditando. Se ele tivesse seguido o conselho que deu aos formandos de Stanford, talvez n\u00e3o tivesse criado a Apple, mas algum templo zen.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O principal problema \u00e9 que amar o trabalho tornou-se praticamente uma obriga\u00e7\u00e3o nos \u00faltimos anos, como se fosse o \u00fanico caminho para o sucesso. \u201cH\u00e1 um romantismo ing\u00eanuo\u201d, diz Eduardo Ferraz, consultor de gest\u00e3o de pessoas e autor do livro Seja a Pessoa Certa no Lugar Certo (Gente, 25 reais). \u201cParece uma falha moral a pessoa trabalhar para sobreviver.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem defenda que a busca de uma atividade que proporcione prazer \u00e9 positiva quando incentiva algu\u00e9m a deixar um emprego ruim ou a experimentar mais na carreira. Mas em ouvidos errados pode ser um conselho perigoso. Uma m\u00e1 interpreta\u00e7\u00e3o dessa ideia pode levar a uma escolha de carreira pouco planejada, como calcular mal a remunera\u00e7\u00e3o ou a carga de trabalho de um emprego tido como ideal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPode ser frustrante quando a pessoa n\u00e3o encontra o trabalho perfeito\u201d, diz Cal. Mais importante do que trabalhar com o que se ama \u00e9 pensar em fazer algo que pode gerar crescimento e, eventualmente, satisfa\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c0s vezes, n\u00e3o conseguimos come\u00e7ar fazendo o que amamos, mas temos de ter foco para encontrar o que nos faz crescer e, ent\u00e3o, nos aproximarmos do que nos faz feliz profissionalmente\u201d, diz Guilherme Gatti, diretor de marketing para a Am\u00e9rica Latina da FedEx, empresa de log\u00edstica, de S\u00e3o Paulo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Boa parte do discurso da paix\u00e3o pela profiss\u00e3o traz embutida uma imagem estilizada de trabalho, em geral mais agrad\u00e1vel do que a realidade cotidiana. O profissional sup\u00f5e que em um trabalho prazeroso ser\u00e1 mais f\u00e1cil ser feliz ou ficar rico, o que nem sempre \u00e9 verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cAcho que \u00e9 preciso questionar mais esse modelo de felicidade e buscar rela\u00e7\u00f5es de trabalho melhores\u201d, afirma B\u00e1rbara Castro, soci\u00f3loga e professora da Funda\u00e7\u00e3o Escola de Sociologia e Pol\u00edtica de S\u00e3o Paulo, que questiona at\u00e9 que ponto esse trabalho ideal pode virar um meio de sustento concreto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA pessoa n\u00e3o precisa se resignar e ficar em um trabalho infeliz para sempre, mas precisa ser cr\u00edtica quanto \u00e0s possibilidades de mudan\u00e7a de profiss\u00e3o\u201d, diz B\u00e1rbara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A import\u00e2ncia do esfor\u00e7o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditar no sucesso pela paix\u00e3o tem tamb\u00e9m o problema de diminuir a import\u00e2ncia do m\u00e9rito e do esfor\u00e7o para construir uma carreira. Fazer o que ama \u00e9 \u00f3timo, mas n\u00e3o se pode ter a ilus\u00e3o, ou a falsa esperan\u00e7a, de que basta ter a coragem de mudar para uma atividade amada que o sucesso vir\u00e1 a reboque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cGostar do que faz \u00e9 essencial, mas \u00e9 preciso estar muito bem preparado para que as expectativas encontrem as oportunidades\u201d, diz Roger Ingold, presidente da consultoria Accenture, de S\u00e3o Paulo. Para Rafael Alcadipani, da FGV-SP, fazer o que ama \u00e9 um pouco de acaso e bastante de no\u00e7\u00e3o sobre as pr\u00f3prias limita\u00e7\u00f5es. \u201cTem gente que ama tocar piano, mas nunca poderia fazer isso profissionalmente.\u201d, diz Rafael.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de Cal, o melhor caminho para vir a amar o trabalho \u00e9 se aperfei\u00e7oar. Primeiro, diz o professor, escolha algo interessante e que ofere\u00e7a op\u00e7\u00f5es de crescimento conforme voc\u00ea for amadurecendo \u2014 uma op\u00e7\u00e3o mais vi\u00e1vel do que ir em busca de um amor verdadeiro. Em segundo lugar, \u00e9 importante tornar-se um profissional valioso para a empresa e na \u00e1rea em que atua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPor fim, use suas habilidades como alavanca para moldar sua carreira em dire\u00e7\u00f5es que proporcionem satisfa\u00e7\u00e3o no longo prazo\u201d, afirma Cal. Esse processo leva tempo, mas, segundo o especialista, vai gui\u00e1-lo para um trabalho que voc\u00ea ame de forma consistente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trabalho ocupa, sim, uma parcela importante da vida de cada um e \u00e9 fundamental buscar atividades que d\u00e3o prazer. Mas tem de ser cr\u00edtico nas decis\u00f5es de carreira. O profissional deve afastar a ideia ing\u00eanua de que uma mudan\u00e7a traz felicidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E tamb\u00e9m deve evitar se sentir culpado ou infeliz por exercer um trabalho pouco prazeroso. Na verdade, a melhor estrat\u00e9gia \u00e9 enxergar o trabalho como parte de um plano de vida, que tenha m\u00faltiplas fontes de satisfa\u00e7\u00e3o al\u00e9m da profissional.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cQuando temos um prop\u00f3sito de vida bem definido, faremos coisas que verdadeiramente amamos e outras que nem tanto, mas que dever\u00e3o ser realizadas com a mesma energia e dedica\u00e7\u00e3o para que o objetivo maior seja alcan\u00e7ado\u201d, diz Carlos Morassutti, vice-presidente de recursos humanos da Volvo, de Curitiba, no Paran\u00e1. Pense nisso da pr\u00f3xima vez que estiver infeliz com a carreira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fonte: Revista Voc\u00ea S\/A\u00a0| \u00a0Exame<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A ideia de que \u00e9 preciso ser apaixonado pelo trabalho para ter sucesso virou um mantra. Mas esse assunto exige mais discuss\u00e3o Por Anna Carolina Rodrigues da Voc\u00ea S\/A Em 2005, Steve Jobs fez um discurso emocionante para 23.000 alunos da Universidade Stanford, na Calif\u00f3rnia, numa cerim\u00f4nia de formatura. 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