{"id":6903,"date":"2015-09-24T08:00:07","date_gmt":"2015-09-24T11:00:07","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=6903"},"modified":"2016-10-26T16:36:45","modified_gmt":"2016-10-26T19:36:45","slug":"as-primeiras-experiencias-profissionais-moldam-o-seu-futuro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/as-primeiras-experiencias-profissionais-moldam-o-seu-futuro\/","title":{"rendered":"As primeiras experi\u00eancias profissionais moldam o seu futuro"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">Em entrevista, o professor Andr\u00e1s Tilcsik, da escola de neg\u00f3cios Rotman, do Canad\u00e1, fala sobre como nossas primeiras experi\u00eancias de emprego podem ajudar a formar nosso perfil como profissionais e afetar nosso futuro em outras empresas. Ele fez um estudo e viu que come\u00e7ar em uma empresa que est\u00e1 em um bom momento nos faz desenvolver compet\u00eancias diferentes do que se come\u00e7amos a carreira em uma \u00e9poca de dificuldades para os neg\u00f3cios, por exemplo. Confira na entrevista a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Como suas primeiras experi\u00eancias podem marcar sua trajet\u00f3ria profissional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Seu primeiro emprego pode dizer muito sobre quais habilidades voc\u00ea ir\u00e1 desenvolver. O professor Andr\u00e1s Tilcsik, pesquisador da Escola de Neg\u00f3cios de Rotman, no Canad\u00e1, descobriu que pessoas que t\u00eam sua primeira experi\u00eancia profissional em uma empresa que est\u00e1 em um extremo &#8211; indo muito bem ou indo muito mal &#8211; s\u00e3o bem mais marcados por esse per\u00edodo do que imaginam.<br \/>\nQuem come\u00e7a a carreira em empresas que est\u00e3o em um momento n\u00e3o t\u00e3o bom assim, por exemplo, tende a ser mais anal\u00edtico e a buscar recursos diferentes com mais facilidade. J\u00e1 quem come\u00e7a em um lugar que est\u00e1 com tudo pode ter mais facilidade com ambientes acelerados. \u201cN\u00e3o \u00e9 nem bom nem ruim, o que importa mais \u00e9 se depois os ambientes profissionais ser\u00e3o parecidos com o primeiro para haver uma combina\u00e7\u00e3o\u201d, Andr\u00e1s afirma.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O que importa para seu desempenho futuro, ent\u00e3o, n\u00e3o \u00e9 como foi o primeiro emprego, mas sim se suas experi\u00eancias posteriores ser\u00e3o similares ao ambiente em que voc\u00ea teve suas primeiras experi\u00eancias profissionais?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Sim, em v\u00e1rias das primeiras pesquisas as pessoas se focavam apenas em olhar as primeiras experi\u00eancias profissionais, mas o que eu mostro \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 somente qual a sua primeira experi\u00eancia que importa, como voc\u00ea disse, mas sim esse jogo entre suas experi\u00eancias formativas, o ambiente econ\u00f4mico da empresa em que voc\u00ea come\u00e7a a trabalhar e as futuras empresas em que voc\u00ea trabalhar\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O senhor diria que gerentes e diretores de recursos humanos deveriam levar isso em considera\u00e7\u00e3o ao contratar algu\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Acho que essa \u00e9 uma das implica\u00e7\u00f5es. Mas quero deixar claro \u00e9 que no meu artigo os resultados v\u00eam da observa\u00e7\u00e3o de pessoas dentro de uma \u00fanica organiza\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o eu n\u00e3o tive a oportunidade de acompanhar as pessoas quando elas entraram em um novo emprego e sa\u00edram de uma empresa para outra.\u00a0Mas certamente pode-se imaginar ou assumir que se as pessoas podem levar consigo as marcas do emprego anterior, conforme elas mudam de empresa, ent\u00e3o quem contrata deveria levar isso em considera\u00e7\u00e3o. As primeiras experi\u00eancias deles podem ter deixado uma marca neles e que podem estar determinando como eles encaram o trabalho e como eles pensam sobre o trabalho. Essa pode ser uma ferramenta \u00fatil para gerentes porque voc\u00ea sabe quando pode esperar um bom desempenho de uma pessoa em particular.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Ent\u00e3o uma pessoa deveria procurar empregos de acordo com as experi\u00eancias anteriores para assegurar seu melhor desempenho tamb\u00e9m?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">As pessoas em geral deveriam procurar por empregos que t\u00eam certa compatibilidade entre seus talentos e os desafios do novo emprego. Um aspecto importante nessa compatibilidade \u00e9 que temos habilidades e costumes que correspondem a trabalhar em uma determinada configura\u00e7\u00e3o de disponibilidade de recursos, isto \u00e9, se a empresa est\u00e1 em um bom momento economicamente ou n\u00e3o.<br \/>\nE esse n\u00e3o \u00e9 o tipo de coisa sobre a qual costumamos pensar, normalmente a gente pensa em termos de habilidades t\u00e9cnicas ou na cultura das organiza\u00e7\u00f5es, tem outros aspectos importantes em termos de compatibilidade no que diz respeito ao cen\u00e1rio de disponibilidade de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O que os gerentes de jovens em primeiros empregos poderiam fazer para minimizar essa marca da primeira experi\u00eancia profissional?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Seria uma ideia razo\u00e1vel tentar diversificar as experi\u00eancias pelas quais as pessoas passam no come\u00e7o. Acho que isso \u00e9 particularmente importante para quem est\u00e1 no come\u00e7o da carreira, que acabaram de sair da escola&#8230; essas pessoas s\u00e3o particularmente suscet\u00edveis a esse tipo de impacto.<br \/>\nMas esse tipo de interven\u00e7\u00e3o do gerente para diversificar as experi\u00eancias dos rec\u00e9m-chegados \u00e9 s\u00f3 realmente importante quando a empresa est\u00e1 em um cen\u00e1rio extremo, ent\u00e3o se a empresa est\u00e1 numa situa\u00e7\u00e3o mais normal ou mediana, e as experi\u00eancias que os rec\u00e9m-chegados est\u00e3o tendo s\u00e3o similares \u00e0s que eles ter\u00e3o mais tarde, ent\u00e3o isso n\u00e3o \u00e9 algo com que os gerentes precisem se preocupar muito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>O senhor acha que algu\u00e9m que ainda est\u00e1 no come\u00e7o deveria evitar uma companhia que se encontra em um desses estados extremos?<\/strong><br \/>\nEu n\u00e3o diria necessariamente evitar\u2026 Mas os empregados deveriam ir para empresa tendo em mente que esse primeiro per\u00edodo \u00e9 muito de forma\u00e7\u00e3o, se est\u00e3o no come\u00e7o da carreira.<br \/>\nN\u00e3o estou dizendo que eles devem evitar esses cen\u00e1rios, mas deveriam pelo menos estar cientes dos riscos de se tornar muito especializados, acostumados a certos tipos de trabalhos ligados a determinados cen\u00e1rios de disponibilidade de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Voc\u00ea poderia destacar o que voc\u00ea percebe como principais habilidades que uma pessoa pode desenvolver de acordo com um cen\u00e1rio rico ou pobre em recursos?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Eu acho que isso realmente depende do tipo de trabalho. Eu tenho investigado tecnologia da informa\u00e7\u00e3o que desenvolviam para firmas de consultoria.Vejo evid\u00eancias de que pessoas que v\u00eam de um per\u00edodo muito bom e s\u00e3o expostas a um ambiente mais acelerado, com muitos projetos, tendo que mover de projeto pra projeto, acabam aprendendo a usar atalhos e ser r\u00e1pidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao mesmo tempo eles se tornam menos focados nas rela\u00e7\u00f5es humanas, porque o ambiente demanda execu\u00e7\u00e3o, mais do que explorar para achar a melhor solu\u00e7\u00e3o. Este \u00e9 o conjunto de habilidades que vimos que eles desenvolvem. J\u00e1 para pessoas que v\u00eam de um ambiente menos fluido, uma das coisas que um per\u00edodo de crise demanda \u00e9 que as pessoas aprendam a cortar custos e sejam mais econ\u00f4micas com seus projetos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A crise incentiva a pessoa a aprender diferentes tipos de habilidades&#8230; Mas, de novo, quais tipos de habilidades vai depender da natureza do emprego. Mas n\u00f3s dever\u00edamos estar cientes de que o que acontece e como aprendemos e o que fazemos \u00e9 realmente afetado pelo cen\u00e1rio relativo \u00e0 disponibilidade de recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Como estamos num contexto de crise aqui no Brasil, o senhor acha ent\u00e3o que isso pode afetar o modo como as pessoas ir\u00e3o trabalhar no futuro?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Meu trabalho \u00e9 mais sobre o que acontece numa firma em particular, que pode ou n\u00e3o depender do contexto macroecon\u00f4mico. Mas existem pesquisas sugerindo que crises como essa ou um per\u00edodo de recess\u00e3o t\u00eam todo tipo de efeitos nas pessoas no longo prazo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tem uma pesquisa que descobriu que as pessoas que terminaram a gradua\u00e7\u00e3o na recess\u00e3o, comparadas com quem se formou em tempo de crescimento, em m\u00e9dia, tendem a ser mais satisfeitas com suas vidas, na verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Como elas t\u00eam menos chance de achar um emprego por conta da crise, quando elas acham, elas tendem menos a imaginar alternativas melhores. Elas n\u00e3o pensam \u201coh, poderia estar t\u00e3o melhor\u201d, porque elas sabem que elas v\u00eam desse per\u00edodo realmente ruim&#8230; no longo, prazo ser\u00e3o mais satisfeitas que seus colegas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><span style=\"font-size: small;\">Por B\u00e1rbara N\u00f3r, da Voc\u00ea S\/A \/ Fonte: Exame.com<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em entrevista, o professor Andr\u00e1s Tilcsik, da escola de neg\u00f3cios Rotman, do Canad\u00e1, fala sobre como nossas primeiras experi\u00eancias de emprego podem ajudar a formar nosso perfil como profissionais e afetar nosso futuro em outras empresas. 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