{"id":6988,"date":"2015-10-21T10:31:09","date_gmt":"2015-10-21T13:31:09","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=6988"},"modified":"2016-10-27T17:15:42","modified_gmt":"2016-10-27T20:15:42","slug":"crise-leva-geracao-y-a-enfrentar-desemprego-pela-primeira-vez","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/carreira\/crise-leva-geracao-y-a-enfrentar-desemprego-pela-primeira-vez\/","title":{"rendered":"Crise leva gera\u00e7\u00e3o Y a enfrentar desemprego pela primeira vez"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>Jovens consideram que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho pioraram bastante.<\/em><\/p>\n<p>Acostumados a trocar de emprego em busca de desafios e desenvolvimento profissional constantes, a chamada gera\u00e7\u00e3o Y \u2013 jovens nascidos entre as d\u00e9cadas de 80 e 90 \u2013 come\u00e7a a se deparar com o fantasma do desemprego, que come\u00e7ou a bater \u00e0 porta dos brasileiros com mais intensidade este ano.<\/p>\n<p>Esses jovens cresceram em um per\u00edodo de prosperidade econ\u00f4mica. Pelo fato de mudarem constantemente de emprego, levaram at\u00e9 as empresas a pensar em estrat\u00e9gias para segurar talentos. Mas agora eles enfrentam a alta na taxa de desemprego no pa\u00eds, que aumenta principalmente entre os jovens.<\/p>\n<p>Entre maio do ano passado e maio deste ano, o desemprego subiu de 4,9% para 6,7%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE). E a intensidade desse crescimento foi mais forte entre os jovens de 18 a 24 anos. Nesta faixa de idade, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o passou de 12,3% em maio de 2014 para 16,4% em 2015. Ainda segundo o IBGE, em maio deste ano, o grupo de 18 a 24 anos representava 32% da popula\u00e7\u00e3o desocupada, e o de 25 a 49 anos, 51,1%.<\/p>\n<p>E a rotatividade entre os jovens, antes pesadelo das empresas, come\u00e7ou a cair. Segundo dados do Minist\u00e9rio do Trabalho, em 2011, o \u00edndice entre os jovens de 18 a 29 anos que mudavam frequentemente de emprego era de 55%, ante 44% entre toda a popula\u00e7\u00e3o empregada formalmente. O cen\u00e1rio, entretanto, mudou, com a redu\u00e7\u00e3o no ritmo de cria\u00e7\u00e3o de vagas ao longo de 2014. No ano passado, o \u00edndice de rotatividade nesse grupo foi de 49%, bem pr\u00f3ximo do \u00edndice geral, de 44%.<\/p>\n<p><strong>Uma semana no emprego<\/strong><\/p>\n<p>Renato Della Colleta, de 32 anos, se encaixa no perfil inquieto dos jovens da gera\u00e7\u00e3o Y \u2013 ele j\u00e1 mudou de emprego 11 vezes em cerca de 10 anos por melhores oportunidades profissionais e sal\u00e1rios. S\u00f3 no m\u00eas passado, ele pediu demiss\u00e3o duas vezes. Em seu \u00faltimo emprego, o graduado em propaganda e marketing ficou apenas uma semana.<\/p>\n<p>Ele conta que pediu demiss\u00e3o do emprego anterior, onde havia permanecido por um ano e 7 meses, para finalmente realizar seu sonho de ser gestor. No entanto, ele reclama que as empresas est\u00e3o enxugando o quadro de pessoal. Assim, menos pessoas fazem as mesmas atividades feitas anteriormente por mais gente. \u201cMe demiti da empresa anterior, pois teria a chance de alcan\u00e7ar um cargo maior, mas n\u00e3o tinha ideia de que esse novo cargo era para no m\u00ednimo duas pessoas e, em uma semana de trabalho, fui cobrado por resultados que era imposs\u00edvel obter nesse curto per\u00edodo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Colleta acredita que as condi\u00e7\u00f5es de mercado de trabalho hoje s\u00e3o as piores dos \u00faltimos anos. \u201cAntes de decidir aceitar a \u00faltima proposta e pedir demiss\u00e3o eu senti muito medo, a cada dia vemos mais amigos e conhecidos serem demitidos e nos cadernos de empregos dos jornais \u00e9 deprimente. Nas \u00faltimas tr\u00eas semanas surgiram duas vagas na \u00e1rea de cria\u00e7\u00e3o, com cargos e sal\u00e1rios inferiores. A m\u00e9dia antes era quase o triplo de vagas\u201d, lamenta. E se v\u00ea pessimista ante o futuro do pa\u00eds. \u201cAcredito que a situa\u00e7\u00e3o deve piorar, a economia do pa\u00eds parou de crescer, tornando inevit\u00e1vel o fechamento de vagas ou, at\u00e9 pior, o de empresas.\u201d<\/p>\n<p>Agora, Colleta pensa em mudar de profiss\u00e3o e ir para a \u00e1rea de beleza. Ele pretende fazer um curso profissionalizante e, assim, seguir a carreira dos seus pais, que s\u00e3o cabeleireiros.<\/p>\n<p><strong>Desempregado desde maio<\/strong><\/p>\n<p>Leonardo Marchetti, 32 anos, j\u00e1 trocou de emprego em busca de novos desafios, mas atualmente sofre com o desemprego que bateu \u00e0 sua porta, depois que a empresa em que trabalhava ter promovido um corte de vagas.<\/p>\n<p>Desde maio, ele tem sentido dificuldade em voltar ao mercado. Formado em gest\u00e3o de com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, ele n\u00e3o considera que tenha havido diminui\u00e7\u00e3o de vagas. \u201cMas muitas empresas est\u00e3o buscando pessoas menos qualificadas para reduzir os sal\u00e1rios. Acredito que a crise que estamos enfrentando no pa\u00eds contribui, e muito, para isso acontecer. O que causa um medo nas pessoas de perder seus empregos, aceitando fazer hora extra, por exemplo\u201d, diz.<\/p>\n<p>Marchetti compartilha da opini\u00e3o de Colleta, de que as empresas est\u00e3o atribuindo mais fun\u00e7\u00f5es aos funcion\u00e1rios em consequ\u00eancia da redu\u00e7\u00e3o do quadro de funcion\u00e1rios. \u201cIsso aconteceu comigo e n\u00e3o houve valoriza\u00e7\u00e3o por eu ter dado conta de otimizar processos e aumentar a receita do setor\u201d, diz.<\/p>\n<p>Marchetti n\u00e3o acha que as pessoas da sua gera\u00e7\u00e3o tendem a parar de querer mudar de emprego com o aumento do desemprego por medo de n\u00e3o conseguir trabalho t\u00e3o facilmente como antes. \u201cAcredito que elas s\u00f3 n\u00e3o est\u00e3o se arriscando a ficar sem emprego at\u00e9 chegar a um que satisfa\u00e7a seus objetivos profissionais aliados \u00e0 satisfa\u00e7\u00e3o pessoal\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Ele continua na busca por um emprego, mas cogita passar a trabalhar por conta pr\u00f3pria, abrindo uma microempresa. Al\u00e9m do com\u00e9rcio eletr\u00f4nico, Marchetti tem experi\u00eancia como analista de estilo e de marketing e em produ\u00e7\u00e3o de conte\u00fado para redes sociais. \u201cDez em cada 10 profissionais pensam em trabalhar por conta pr\u00f3pria, por faltar realiza\u00e7\u00e3o profissional na maioria das empresas hoje em dia. Vagas que subestimam a capacidade das pessoas. O bom \u00e9 que trabalha menos e ganha o mesmo tanto ou mais, h\u00e1 flexibilidade de hor\u00e1rios e voc\u00ea trabalha pra voc\u00ea\u201d, defende.<\/p>\n<p><strong>Aceitou sal\u00e1rio menor<\/strong><\/p>\n<p>Camilla Freitas Nogueira Barbosa, de 33 anos, foi demitida duas semanas antes de sair de f\u00e9rias por corte de vagas em sua empresa. Logo depois de voltar da viagem que j\u00e1 estava marcada antes da demiss\u00e3o, fez uma entrevista e foi escolhida para outra vaga. A analista de marketing confessa que n\u00e3o esperava encontrar emprego t\u00e3o rapidamente. Mas ela tentou negociar com a nova empresa para receber pelo menos o mesmo sal\u00e1rio do emprego anterior, mas acabou aceitando um valor mais baixo.<\/p>\n<p>\u201cAceitei, pois achei uma boa empresa, um \u00f3timo desafio, voltei a fazer o que gosto e tamb\u00e9m fiquei com medo de recusar por causa do sal\u00e1rio e ficar sem emprego por muito tempo\u201d, conta.<\/p>\n<p>A especialista em marketing diz que j\u00e1 trocou de emprego quatro vezes, por propostas melhores de crescimento profissional e sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Camilla acha que as empresas est\u00e3o cada vez mais sobrecarregando os funcion\u00e1rios de trabalho. \u201cNa pen\u00faltima empresa, sa\u00edram duas pessoas da minha \u00e1rea e eu absorvi todo o trabalho, sem que eles contratassem mais gente, e n\u00e3o aumentaram o meu sal\u00e1rio. Na \u00faltima empresa isso acontecia direto, n\u00e3o comigo, mas em v\u00e1rios departamentos\u201d, conta.<\/p>\n<p>Para Camilla, &#8220;os jovens da gera\u00e7\u00e3o Y n\u00e3o arriscam mais sair de um trabalho, ficar em casa e procurar outro. Elas preferem procurar outro trabalho trabalhando&#8221;.<\/p>\n<p>Apesar do cen\u00e1rio desanimador, a analista acha que essa fase ruim da economia vai melhorar. \u201cComo todas as outras que j\u00e1 vivemos. Sempre achamos que a crise atual \u00e9 a pior. Quando ela passa, a maioria das pessoas nem lembram mais. Ent\u00e3o, bola pra frente, fazer as coisas darem certo e pensar que vai melhorar\u201d.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">Por Marta Cavallini \/ Fonte: G1<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jovens consideram que as condi\u00e7\u00f5es de trabalho pioraram bastante. 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