{"id":7009,"date":"2015-10-28T08:00:25","date_gmt":"2015-10-28T11:00:25","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=7009"},"modified":"2016-10-27T16:56:56","modified_gmt":"2016-10-27T19:56:56","slug":"fazer-melhor-e-bom-fazer-o-bem-e-melhor-fazer-as-duas-coisas-e-o-que-ha-de-melhor","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/administracao\/fazer-melhor-e-bom-fazer-o-bem-e-melhor-fazer-as-duas-coisas-e-o-que-ha-de-melhor\/","title":{"rendered":"\u201cFazer melhor \u00e9 bom. Fazer o bem \u00e9 melhor. Fazer as duas coisas \u00e9 o que h\u00e1 de melhor\u201d"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>O conceito, reproduzido por William Boulding, reitor da escola de neg\u00f3cios da Universidade de Duke, faz parte do que ele enxerga como um novo perfil de l\u00edderes que est\u00e1 emergindo para mudar o mundo &#8211; de prefer\u00eancia, com participa\u00e7\u00e3o do Brasil.<\/em><\/p>\n<p>William Boulding, o reitor da Escola de Neg\u00f3cios da Universidade de Duke, na Carolina do Norte, Estados Unidos, \u00e9 um homem que acredita piamente que os neg\u00f3cios s\u00e3o o motor do s\u00e9culo 21. Cinco minutos ap\u00f3s iniciar a conversa por telefone com \u00c9poca NEG\u00d3CIOS, ele j\u00e1 havia afirmado que \u201cos desafios que enfrentamos coletivamente v\u00e3o ajudar o mundo a ir de bom para melhor, e n\u00e3o de bom para pior\u201d. Otimista assumido, ele acredita no poder de transforma\u00e7\u00e3o que a jun\u00e7\u00e3o certa de pessoas diferentes, de forma\u00e7\u00f5es variadas, mas com um sentido comum de prop\u00f3sito e valores pode trazer. E, nunca \u00e9 demais frisar, para o bem do mundo.<\/p>\n<p>Ele cita como exemplo a companhia mais valiosa do mercado, a Apple, e sua ambi\u00e7\u00e3o de criar produtos para \u201cmelhorar a vida\u201d das pessoas. Seu CEO, Tim Cook, n\u00e3o por acaso, divide essas cren\u00e7as \u2013 ele \u00e9 o ex-aluno mais famoso da Escola de Neg\u00f3cios Fuqua e continua a mostrar seu apoio. A Apple est\u00e1 na lista das dez empresas que mais contratam alunos que passaram pelos cursos da escola. Outras companhias tamb\u00e9m est\u00e3o de olho nesses candidatos, principalmente depois que a institui\u00e7\u00e3o apareceu na primeira posi\u00e7\u00e3o do ranking da Bloomberg Businessweek para neg\u00f3cios educacionais em novembro do ano passado, batendo Wharton (da Universidade da Pensilv\u00e2nia) e Booth (da Universidade de Chicago).<\/p>\n<p>\u00c9 para promover esse curso que Boulding visita o Brasil esta semana.* De fala pausada e ideias claras, ele espera ampliar o raio de a\u00e7\u00e3o da Fuqua no pa\u00eds para incorporar mais brasileiros \u00e0 \u201cnova ra\u00e7a de l\u00edderes\u201d que est\u00e1 emergindo. A defini\u00e7\u00e3o engloba profissionais talentosos e preocupados tamb\u00e9m em deixar uma marca positiva no planeta, seja ao colocar como meta uma produ\u00e7\u00e3o mais sustent\u00e1vel ou desenvolver plataformas que interconectam inova\u00e7\u00e3o e sa\u00fade. \u201cSe uma companhia quer os melhores talentos do mercado de trabalho, ter\u00e1 de reconhecer n\u00e3o apenas a import\u00e2ncia de atingir resultados financeiros, mas o impacto de criar melhores oportunidades para os consumidores, para as comunidades em que vive, e que tudo isso ser\u00e1 ainda mais importante no futuro\u201d, diz.<\/p>\n<p>A conversa, entretanto, come\u00e7a por outro tema caro a Boulding, para quem \u00e9 necess\u00e1rio repensar modelos de gest\u00e3o e encontrar maneiras de recuperar a confian\u00e7a nos empres\u00e1rios e, consequentemente, nas empresas \u2013 abaladas por crises financeiras e gest\u00e3o ineficiente.<\/p>\n<p><strong>H\u00e1 quatro d\u00e9cadas, os consumidores se sentiam seguros com grandes marcas e companhias porque elas haviam constru\u00eddo um nome e experi\u00eancia no mercado. Muitas cometeram v\u00e1rios erros, mas seguiram em frente. Nos \u00faltimos 20 a 30 anos, por\u00e9m, o processo de cria\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o das empresas ficou mais r\u00e1pido e passou a ter um alcance global. Ent\u00e3o, o erro que aconteceu h\u00e1 muito tempo \u00e9 praticamente esquecido. Essa postura do consumidor de deixar para l\u00e1 incentiva o erro nas empresas? Como fica a quest\u00e3o da credibilidade?<\/strong><\/p>\n<p>O conceito de ativo de marca (brand equity) adquirido por algumas companhias certamente existe. Mas o mundo est\u00e1 se movendo muito mais r\u00e1pido e h\u00e1 uma quantidade grande de interdepend\u00eancia nos neg\u00f3cios, j\u00e1 que algo que acontece do outro lado do mundo pode afetar meu modelo de neg\u00f3cio e consumidores. Estamos conectados inevitavelmente. As pessoas t\u00eam acesso a mais informa\u00e7\u00f5es, novas tecnologias e, consequentemente, uma companhia n\u00e3o pode achar que sua reputa\u00e7\u00e3o vai continuar intacta da mesma maneira que aconteceria h\u00e1 20 anos. Se olharmos para os fatos, \u00e9 poss\u00edvel perceber que a confian\u00e7a em l\u00edderes de neg\u00f3cios tem erodido consideravelmente e isso muda a maneira com que as pessoas olham para as coisas. Eu acredito que os neg\u00f3cios podem ser o motor de transforma\u00e7\u00e3o do s\u00e9culo 21 e, quando digo isso, estou pensando que os neg\u00f3cios ser\u00e3o feitos para o bem do mundo. Os problemas mundiais, os desafios que enfrentamos coletivamente v\u00e3o ajudar o mundo a ir de bom para melhor, e n\u00e3o de bom para pior.<\/p>\n<p><strong>Devemos, ent\u00e3o, esperar que as companhias tenham essa preocupa\u00e7\u00e3o, uma consci\u00eancia de que fazer algo bom faz bem aos neg\u00f3cios?<\/strong><\/p>\n<p>Algumas das grandes companhias t\u00eam um prop\u00f3sito e ambi\u00e7\u00e3o de melhorar vidas. Se voc\u00ea perguntar o que motiva as pessoas que trabalham na Apple, que \u00e9 a companhia mais valiosa do mundo, certamente ouvir\u00e1 entre as respostas usar produtos da Apple para melhorar a vida das pessoas. Se fizer o mesmo na Unilever, vai ver que eles est\u00e3o preocupados em fazer com que tenhamos um futuro sustent\u00e1vel. S\u00e3o pessoas que se importam com as consequ\u00eancias de seus produtos no meio ambiente e no futuro que estamos criando. E eles se importam tanto com isso quanto com o lucro da empresa. H\u00e1 pouco tempo ouvi algo muito interessante: \u00e9 esse conceito transformado de forma bem simples, em tr\u00eas senten\u00e7as. De que \u201cfazer melhor \u00e9 bom\u201d, \u201cfazer o bem \u00e9 melhor\u201d e \u201cfazer os dois \u00e9 o que h\u00e1 de melhor\u201d. E isso, na minha opini\u00e3o, sintetiza a nova ra\u00e7a de l\u00edderes que estamos vendo emergir no mundo hoje. Essa lideran\u00e7a sabe que a press\u00e3o das companhias por resultados e por melhorar seu desempenho n\u00e3o vai desaparecer, mas ao mesmo tempo entende que precisa ser uma for\u00e7a para fazer o bem e deixar uma marca positiva para a sociedade. Se voc\u00ea olhar para a pr\u00f3xima gera\u00e7\u00e3o que est\u00e1 chegando ao mercado de trabalho, ver\u00e1 que eles querem ser parte de algo que fa\u00e7a a diferen\u00e7a e possa mudar o mundo para melhor. Por isso quando penso nos neg\u00f3cios como motor de transforma\u00e7\u00e3o, eu tenho uma vis\u00e3o positiva.<\/p>\n<p><strong>E as empresas percebem isso?<\/strong><\/p>\n<p>Se uma companhia quer os melhores talentos do mercado de trabalho, ter\u00e1 de reconhecer n\u00e3o apenas a import\u00e2ncia de resultados financeiros, mas do impacto do que est\u00e1 fazendo em termos de criar melhores oportunidades para os consumidores, para as comunidades em que vive e que tudo isso ser\u00e1 ainda mais importante no futuro. O fato de que as for\u00e7as do mercado podem fazer a diferen\u00e7a ganhar\u00e1 um foco crescente nos neg\u00f3cios, ent\u00e3o vejo uma mudan\u00e7a na perspectiva do p\u00fablico em geral, que ir\u00e1 de \u201cn\u00e3o sei se confio nesta empresa\u201d para \u201ceu entendo que \u00e9 atrav\u00e9s dos neg\u00f3cios que podemos fazer a diferen\u00e7a no mundo, ent\u00e3o precisamos dos melhores talentos, das pessoas que realmente se importam\u201d.<\/p>\n<p><strong>Mesmo em tempos de crise, h\u00e1 muitas oportunidades a serem aproveitadas. Como \u00e9 poss\u00edvel perceber essas oportunidades e fazer algo positivo para a maioria das pessoas?<\/strong><\/p>\n<p>Pensando em lideran\u00e7as que fa\u00e7am as coisas acontecerem, \u00e9 preciso pensar nos atributos desse l\u00edder. A grande cr\u00edtica hoje aos l\u00edderes em neg\u00f3cios \u00e9 que eles s\u00e3o ego\u00edstas e s\u00f3 pensam em fazer dinheiro, muito mais para si mesmos do que para a empresa. Um desses atributos, portanto, \u00e9 que o novo l\u00edder tenha prop\u00f3sito e ambi\u00e7\u00e3o de fazer algo pelo bem dos outros. Outra coisa \u00e9 que ele precisa entender como \u201cdestravar\u201d o potencial humano que o cerca e entender que a chave para a inova\u00e7\u00e3o, para criar e implementar ideias para mudar o mundo para melhor \u00e9 a colabora\u00e7\u00e3o efetiva. E a maneira de fazer isso n\u00e3o \u00e9 ter uma pessoa dizendo a outras o que fazer, pois esse \u00e9 o modelo antigo, nem se cercar de gente que pensa da mesma maneira, porque isso n\u00e3o \u00e9 colabora\u00e7\u00e3o, \u00e9 clonagem. O valor real da colabora\u00e7\u00e3o \u00e9 se cercar de pessoas que s\u00e3o diferentes e construir pontes para compartilhar objetivos, de modo que possam dividir seus insights, ideias, experi\u00eancias e cocriar solu\u00e7\u00f5es para os desafios que enfrentamos. Precisamos de l\u00edderes que sejam grandes colaboradores e entendam como reunir pessoas de v\u00e1rios perfis e perspectivas diferentes para pensar juntos. Esse \u00e9 o futuro e, de novo, \u00e9 um futuro positivo para o mundo.<\/p>\n<p><strong>Mas n\u00e3o \u00e9 uma tarefa muito f\u00e1cil, n\u00e3o \u00e9 mesmo? Quer estejamos falando de estudantes ou profissionais, instigando essa concep\u00e7\u00e3o de tomar decis\u00f5es de maneira consequente pode ser um processo longo, imagino.<\/strong><\/p>\n<p>N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, de fato. \u00c9 por isso que sou t\u00e3o assertivo sobre sermos uma escola de neg\u00f3cios que procura educar as pessoas para que possam enfrentar desafios e descobrir seu potencial para atingir grandes objetivos.<\/p>\n<p><strong>E como se faz isso?<\/strong><\/p>\n<p>Instintivamente, n\u00f3s fazemos as coisas de modo que achamos certo. Voc\u00ea pode achar que sabe o que fazer, ent\u00e3o agora \u00e9 s\u00f3 dizer aos outros. \u00c9 dif\u00edcil combater esse instinto, principalmente quando se trata de algu\u00e9m muito bem sucedido. A realidade \u00e9 que se compararmos o que um \u00fanico indiv\u00edduo \u00e9 capaz de fazer e o que um grupo pode atingir, sabemos por estudos que o resultado do grupo \u00e9 melhor. Temos de combater tamb\u00e9m um instinto muito arraigado no ser humano de se cercar de gente que pensa, age, sente e parece conosco. Fazemos isso porque \u00e9 mais confort\u00e1vel e se consegue realizar mais tarefas em um dia. S\u00f3 que assim voc\u00ea est\u00e1 se clonando. N\u00e3o vai conseguir insights inovativos. Essa \u00e9 a import\u00e2ncia de se cercar de pessoas diferentes. E a\u00ed \u00e9 preciso criar um ambiente no qual as pessoas n\u00e3o tenham medo de dizer o que pensam, trazendo sua experi\u00eancia pessoal, suas cren\u00e7as e ideias para o grupo.<\/p>\n<p><strong>Dizer o que se pensa nem sempre \u00e9 f\u00e1cil&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Muitas vezes, as pessoas t\u00eam medo de se mostrar como realmente s\u00e3o, de serem aut\u00eanticas e repartir suas ideias \u2013 porque na maioria dos casos, elas n\u00e3o s\u00e3o encorajadas a fazer isso nas empresas. \u00c9 preciso superar esse medo, juntamente com o de que pessoas diferentes s\u00e3o causa de aborrecimento. A verdade \u00e9 que quando algu\u00e9m faz as coisas de maneira diferente do que fazemos, n\u00f3s achamos isso irritante. E nosso primeiro instinto \u00e9 dizer: por que voc\u00ea n\u00e3o faz isso do meu jeito? S\u00f3 que assim se desfaz o aspecto positivo de reunir pessoas diferentes. \u00c9, portanto, uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, desenvolvimento e pr\u00e1tica para superar essas rea\u00e7\u00f5es naturais. E \u00e9 por isso que, como escola de neg\u00f3cios, n\u00f3s temos um papel t\u00e3o importante em produzir esse tipo de l\u00edder que o mundo tanto precisa.<\/p>\n<p><strong>Dentro do padr\u00e3o de lideran\u00e7a consequente (consequential leadership), que tipos de perguntas algu\u00e9m deve se fazer para ser um bom l\u00edder? O que esse profissional deve buscar?<\/strong><\/p>\n<p>Talvez a primeira pergunta seja qual \u00e9 a sua ambi\u00e7\u00e3o e como voc\u00ea gostaria de mudar o mundo, qual \u00e9 o seu prop\u00f3sito e como voc\u00ea pensa em fazer diferen\u00e7a. Minha opini\u00e3o \u00e9 de que as pessoas deveriam ter uma ambi\u00e7\u00e3o enorme de fazer do mundo um lugar melhor para se viver. Para isso, \u00e9 preciso humildade para perceber que n\u00e3o importa qu\u00e3o inteligente voc\u00ea seja, voc\u00ea n\u00e3o sabe de tudo. Ter humildade para aprender continuamente e se abrir \u00e0s ideias e experi\u00eancias dos outros. Isso leva ao segundo ponto: entender que voc\u00ea n\u00e3o far\u00e1 tudo sozinho, mas se quer mesmo alcan\u00e7ar grandes objetivos vai precisar de um grupo de pessoas. E a\u00ed se questionar como reunir essas pessoas, como aprender com elas e, mais importante, como n\u00f3s aprendemos uns com os outros para construir esse ambiente e dividir o reconhecimento de que juntos somos mais fortes, melhores, se formos diferentes. E voltamos \u00e0 necessidade de dividir prop\u00f3sitos, destravar o poder que existe na diferen\u00e7a e chegar \u00e0s solu\u00e7\u00f5es que buscamos.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">Por Soraia Yoshida \/ Fonte: \u00c9poca Neg\u00f3cios<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">* Originalmente publicado em 10\/08\/2015<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O conceito, reproduzido por William Boulding, reitor da escola de neg\u00f3cios da Universidade de Duke, faz parte do que ele enxerga como um novo perfil de l\u00edderes que est\u00e1 emergindo para mudar o mundo &#8211; de prefer\u00eancia, com participa\u00e7\u00e3o do Brasil. 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