{"id":7125,"date":"2015-12-11T08:00:29","date_gmt":"2015-12-11T11:00:29","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=7125"},"modified":"2015-12-10T16:57:13","modified_gmt":"2015-12-10T19:57:13","slug":"quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/comportamento\/quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz\/","title":{"rendered":"Qu\u00e3o feliz voc\u00ea se sente fazendo o que faz?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: center;\"><em>N\u00e3o \u00e9 nos diplomas, na conta banc\u00e1ria nem no status que est\u00e1 o verdadeiro sentido do sucesso, mas nas realiza\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: center;\"><a href=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-7127\" src=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/blog-quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz.jpg\" alt=\"blog-quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz\" width=\"540\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/blog-quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz.jpg 540w, https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2015\/12\/blog-quao-feliz-voce-se-sente-fazendo-o-que-faz-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Na minha inf\u00e2ncia, tive a grande sorte de ter sofrido dois graves acidentes e ter sa\u00eddo vivo para contar a hist\u00f3ria. Fui atropelado aos seis e voei pelo para-brisa do carro aos oito.<\/p>\n<p>Sorte? Como assim? Bom, al\u00e9m da d\u00e1diva da vida, fui presenteado com longos meses em casa, fora do sistema escolar. Talvez por isso eu tenha me tornado o doidinho que nunca se enquadrou \u00e0s normas e rotinas do col\u00e9gio.<\/p>\n<p>Sem internet, computador nem canais de TV a cabo para ocupar o tempo, passava os dias na frente de livros, gibis e de uma preciosa \u2013 e barulhenta \u2013 m\u00e1quina de escrever Remington 33l &#8211; o melhor presente que meus pais j\u00e1 me deram.<\/p>\n<p>Foi nessa \u00e9poca, e utilizando essa m\u00e1quina de escrever como principal instrumento de trabalho, que criei meu primeiro neg\u00f3cio: o Clube Misto Quente. Funcionava da seguinte forma: eu \u201canunciava\u201d o clubinho nas se\u00e7\u00f5es de cartas das revistas da Disney e do Maur\u00edcio de Sousa, tipo Tio Patinhas, Cebolinha, etc; crian\u00e7as do Brasil inteiro me escreviam de volta querendo fazer parte do clube. A partir da\u00ed recebiam uma carteirinha de s\u00f3cio e, mensalmente, o incr\u00edvel Jornal Misto Quente, que eu escrevia na boa e velha m\u00e1quina. Voc\u00ea a\u00ed do outro lado pode estar pensando: \u201cputz, que coisa mais sem gra\u00e7a\u201d. Mas se me perguntassem naqueles dias \u201cLeandro, o que \u00e9 felicidade?\u201d, eu responderia sem pestanejar: felicidade \u00e9 esperar o carteiro por volta das 4 horas da tarde e se dar conta de que, das 15 correspond\u00eancias daquele dia, 14 s\u00e3o para voc\u00ea. Eu gostava tanto disso que s\u00f3 fui parar com essa hist\u00f3ria de clubinho l\u00e1 pelos 12 anos, mas com grande pesar no cora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>A prop\u00f3sito, os pais e as pr\u00f3prias crian\u00e7as tendem a supervalorizar a import\u00e2ncia da escola, como se o caminho para o conhecimento passasse unicamente pelos bancos escolares. Esquecem que em seu quintal, em sua estante de livros e em uma folha de papel em branco existe um universo de possibilidades muito mais poderosas. Vou al\u00e9m: fora da escola a gente se d\u00e1 conta de que \u201cidade certa\u201d para aprender determinado conte\u00fado \u00e9 uma grande fal\u00e1cia. A curiosidade n\u00e3o respeita tarjas do tipo \u201cpara crian\u00e7as a partir de 10 anos\u201d.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, os livros que mais atra\u00edam minha aten\u00e7\u00e3o eram justamente os que minha m\u00e3e colocava na \u00faltima prateleira da estante, aqueles que ela julgava inadequados para a minha idade. Sabe de nada, inocente! Com uns nove anos, pensei que iria dar boas risadas com um pesado e poeirento livro que se chamava A Divina Com\u00e9dia. Quando me dei conta de que era sobre a jornada de um poeta maluco pelo inferno, n\u00e3o consegui mais largar. Enquanto isso, minha professora da quarta s\u00e9rie deveria estar nos obrigando a decorar a tabuada dos nove.<\/p>\n<p>Bom, este n\u00e3o \u00e9 um artigo de \u201cabaixo a escola\u201d, nem uma releitura de Pink Floyd (Hey, teachers, leave them kids alone!). L\u00f3gico que a escola \u00e9 importante, mas as falhas do sistema escolar e a sua obsess\u00e3o pela formata\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o s\u00e3o amea\u00e7as terr\u00edveis para que as nossas crian\u00e7as descubram quem s\u00e3o de fato e para que desenvolvam os verdadeiros talentos que escondem por tr\u00e1s de seus sorrisos.<\/p>\n<p>J\u00e1 adulto, depois de ter me perdido v\u00e1rias vezes at\u00e9 encontrar meu caminho profissional (passei por simplesmente quatro cursos superiores antes de escolher Administra\u00e7\u00e3o), acabei criando um site na internet. Estava no terceiro per\u00edodo de Administra\u00e7\u00e3o, no ano 2000, logo ap\u00f3s a quebradeira das empresas pontocom. Claro que fui motivo de chacota entre colegas e amigos. Como acabei pulando muito de curso em curso, nessa altura j\u00e1 tinha v\u00e1rios amigos da minha idade formados e trabalhando em suas profiss\u00f5es. Quando sa\u00edamos, entre advogados, m\u00e9dicos e engenheiros, eu era o cara que tinha um site na internet. Piada pronta. O que ningu\u00e9m sabia era o prazer que eu sentia por fazer aquilo. Um dia eu me dei conta de que a minha antiga m\u00e1quina de escrever tinha cedido lugar a um computador Pentium 100, que as cartas que eu recebia agora se chamavam e-mails e que o Clube Misto Quente agora se chamava Administradores.com. Percebi que j\u00e1 adulto estava fazendo exatamente o que fazia quando crian\u00e7a, e descobri que a principal medida de sucesso deve ser uma resposta \u00e0 seguinte pergunta: qu\u00e3o feliz voc\u00ea se sente fazendo o que voc\u00ea faz?<\/p>\n<p>Como \u00e9 bom sentir aquela mesma felicidade.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">Por Leandro Vieira * \/ Fonte: Administradores.com<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: small;\">* Leandro Vieira \u00e9 Mestre em Administra\u00e7\u00e3o pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul e Certificado em Empreendedorismo pela Harvard Business School. Tem MBA em Marketing, pelo Instituto Portugu\u00eas de Administra\u00e7\u00e3o e Marketing (IPAM). Administrador de Empresas pela UFPB e bacharel em Direito pelo UNIP\u00ca. Foi professor da Escola de Administra\u00e7\u00e3o da UFRGS. Fundador e CEO do Portal Administradores.com. Em 2011, recebeu o Pr\u00eamio Honra ao M\u00e9rito em Administra\u00e7\u00e3o, categoria Jovem Administrador, outorgado pelo Conselho Federal de Administra\u00e7\u00e3o.\u00a0 Autor do livro Seu Futuro em Administra\u00e7\u00e3o (2011), publicado pela Editora Campus\/Elsevier.\u00a0 \u00c9 um dos organizadores do livro Gest\u00e3o da Mudan\u00e7a: Explorando o Comportamento Organizacional, lan\u00e7ado pela Editora Atlas em 2010.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>N\u00e3o \u00e9 nos diplomas, na conta banc\u00e1ria nem no status que est\u00e1 o verdadeiro sentido do sucesso, mas nas realiza\u00e7\u00f5es. Na minha inf\u00e2ncia, tive a grande sorte de ter sofrido dois graves acidentes e ter sa\u00eddo vivo para contar a hist\u00f3ria. Fui atropelado aos seis e voei pelo para-brisa do carro aos oito. Sorte? 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