{"id":7353,"date":"2016-03-16T13:51:48","date_gmt":"2016-03-16T16:51:48","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=7353"},"modified":"2016-04-06T13:19:16","modified_gmt":"2016-04-06T16:19:16","slug":"quando-problemas-pessoais-comecam-a-afetar-seu-desempenho","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/comportamento\/quando-problemas-pessoais-comecam-a-afetar-seu-desempenho\/","title":{"rendered":"Quando problemas pessoais come\u00e7am a afetar seu desempenho"},"content":{"rendered":"<h4><em>Eventos como separa\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as graves e morte t\u00eam impacto no desempenho no trabalho. Saiba o que dizem os especialistas para encarar esses problemas<\/em><\/h4>\n<p>Deixe os problemas do lado de fora da empresa. Durante anos, essa frase pertenceu ao corol\u00e1rio de boas maneiras no trabalho. O escrit\u00f3rio, diziam muitos l\u00edderes, n\u00e3o \u00e9 lugar para discutir quest\u00f5es pessoais. S\u00f3 que h\u00e1 uma verdade inconveniente a respeito dessa ideia: as pessoas carregam seus problemas para dentro da companhia. Cientes disso, os RHs criaram programas para auxiliar os funcion\u00e1rios mais estressados.<\/p>\n<p>Atualmente, cerca de 30% das grandes organiza\u00e7\u00f5es no Brasil oferecem aos empregados servi\u00e7os de apoio psicol\u00f3gico, jur\u00eddico e financeiro. Mas mesmo esses bons programas t\u00eam dificuldade para cobrir as quest\u00f5es mais importantes da vida, como paternidade, separa\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as graves e morte. N\u00e3o existe regra para tratar desses eventos, que podem ter efeito imprevis\u00edvel sobre o desempenho profissional, o que torna dif\u00edcil para chefes e colegas lidar com gente nessa situa\u00e7\u00e3o. Em boas empresas, uma sa\u00edda dos RHs tem sido encaminhar o colaborador a coaches ou terapeutas ocupacionais. O objetivo \u00e9 mant\u00ea-lo no prumo enquanto atravessa uma mudan\u00e7a radical.<\/p>\n<p>Embora cada ser humano reaja de forma particular \u00e0 dor e \u00e0 alegria, \u00e9 poss\u00edvel identificar comportamentos semelhantes diante de determinados per\u00edodos da vida. Em momentos de luto provocados por perdas, verifica-se tristeza, apatia, compuls\u00e3o, diminui\u00e7\u00e3o da autoestima, altera\u00e7\u00f5es no sono e recolhimento. &#8220;No luto, tem-se menos energia para interagir com familiares, amigos e colegas de trabalho porque \u00e9 necess\u00e1rio empreg\u00e1-la para cuidar da ferida emocional&#8221;, diz Lindinaura Canosa, vice-presidente da Sociedade de Psican\u00e1lise do Rio de Janeiro. A produtividade n\u00e3o cair\u00e1, obrigatoriamente, durante ou depois de uma situa\u00e7\u00e3o dolorosa. \u00c0s vezes, a rea\u00e7\u00e3o \u00e9 oposta: o rendimento at\u00e9 aumenta porque a percep\u00e7\u00e3o fica mais acurada e o trabalho acaba servindo como v\u00e1lvula de escape.<\/p>\n<p>Diante de situa\u00e7\u00f5es extremas, em especial doen\u00e7a grave &#8211; pr\u00f3pria ou de pessoas pr\u00f3ximas -, o profissional pode rever seus valores e adquirir um novo comportamento. Objetivos previamente estabelecidos pela empresa podem deixar de fazer sentido. H\u00e1 um risco de queda no desempenho e \u00e9 preciso tomar cuidado para mant\u00ea-lo em n\u00edveis adequados. &#8220;Um novo ser humano ir\u00e1 \u00e0 companhia, mas as metas j\u00e1 definidas t\u00eam de ser entregues&#8221;, diz Carlos Boschetti, que fez carreira executiva em empresas como Audi, Embratel e AT&amp;T e hoje atua como coach. O designer Vitor Mendon\u00e7a, de 31 anos, teve altos e baixos de produtividade durante o per\u00edodo em que o pai lutou contra um c\u00e2ncer. Morando em Nova York, longe da fam\u00edlia, seu desempenho at\u00e9 aumentou.<\/p>\n<p>&#8220;O que fiz foi me empenhar ao m\u00e1ximo para mandar not\u00edcias boas para ele, mergulhei nos estudos e no trabalho&#8221;, diz. Ap\u00f3s a morte do pai, Vitor caiu em depress\u00e3o e sua produtividade foi l\u00e1 embaixo. Ele precisou mudar de faculdade devido ao fraco rendimento e teve de reduzir sua jornada de trabalho. Para dar a volta por cima, Vitor contou com os amigos, os familiares e um terapeuta. &#8220;A maior li\u00e7\u00e3o foi aprender a pedir ajuda e a tirar proveito disso de maneira positiva.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Casos graves<\/strong><\/p>\n<p>Ao deparar com uma situa\u00e7\u00e3o imprevis\u00edvel, como doen\u00e7as graves ou morte, o profissional deve manter a calma e informar o chefe, os colegas e a equipe do ocorrido. Nesse caso, n\u00e3o vale a pena esconder as informa\u00e7\u00f5es, at\u00e9 porque voc\u00ea poder\u00e1 ter de se ausentar da empresa e precisar\u00e1 justificar a falta. Tamb\u00e9m \u00e9 interessante tentar prever quais consequ\u00eancias a situa\u00e7\u00e3o de emerg\u00eancia pode trazer para sua rotina. &#8220;\u00c9 necess\u00e1rio pensar quais tipos de impacto v\u00e3o ser criados na produtividade do profissional e dos colegas&#8221;, diz o coach Carlos Boschetti.<\/p>\n<p>Muitas vezes, h\u00e1 d\u00favidas sobre o quanto se deve falar para o chefe. N\u00e3o h\u00e1 regras a respeito desse assunto, por\u00e9m, antes de tomar a decis\u00e3o, o mais indicado \u00e9 mapear o ambiente. &#8220;Uma possibilidade \u00e9 lembrar como a companhia tratou casos semelhantes, o que as pessoas fizeram, como se expressaram e como o chefe se comportou&#8221;, diz Renata Kurtz, supervisora das disciplinas de Organiza\u00e7\u00f5es do IAG, escola de neg\u00f3cios da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica do Rio de Janeiro. &#8220;Observar \u00e9 uma forma de perceber a cultura organizacional na pr\u00e1tica.&#8221;<\/p>\n<p>E \u00e9 preciso aprender a reagir de maneira equilibrada porque h\u00e1 um limite para remoer situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis. Ainda que possa parecer duro, a capacidade de supera\u00e7\u00e3o \u00e9 uma qualidade e o per\u00edodo de dor \u00e9 um momento para o profissional observar a si pr\u00f3prio e aprender a lidar com a dificuldade. Por outro lado, se pensar apenas na dor n\u00e3o \u00e9 saud\u00e1vel, fugir do luto tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9. &#8220;Aqueles que desenvolvem compuls\u00e3o pelo trabalho para fugir da tristeza tendem a somatizar e, mais tarde, ter doen\u00e7as&#8221;, diz Dam\u00e1ris Vieira Novo, psic\u00f3loga e professora da \u00e1rea de gest\u00e3o de pessoas da Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-RJ).<\/p>\n<p>&#8220;O indiv\u00edduo deve se perguntar quais alternativas tem para superar o problema depois de fazer um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o&#8221;, diz o coach Villela da Matta. A opini\u00e3o do especialista \u00e9 de que, quanto mais um profissional \u00e9 capaz de superar as pr\u00f3prias dificuldades, mais tem condi\u00e7\u00f5es de crescer na companhia. &#8220;Se ele lida bem com os pr\u00f3prios problemas, far\u00e1 o mesmo com os de seus liderados. Do contr\u00e1rio, n\u00e3o estar\u00e1 pronto para assumir um cargo de gest\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Boas-novas<\/strong><\/p>\n<p>Caso a mudan\u00e7a seja previs\u00edvel, como casamento ou nascimento de filho, o colaborador tem de saber se planejar. Assim, a correria dos preparativos n\u00e3o pode interferir no desempenho &#8211; exce\u00e7\u00e3o feita \u00e0 gesta\u00e7\u00e3o de risco. A analista de marketing Sylvia Bozzo, de 26 anos, do Rio de Janeiro, teve de desdobrar-se para conciliar sua agenda na empresa, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, preparativos do casamento e reforma de apartamento. Ela fez planilhas mensais com tudo que tinha de resolver a cada dia. Sylvia usava a hora do almo\u00e7o e o tempo livre \u00e0 noite para se dedicar a essas tarefas, pois n\u00e3o queria comprometer a rotina profissional com assuntos pessoais. &#8220;O maior erro de uma noiva \u00e9 pensar s\u00f3 na organiza\u00e7\u00e3o do casamento&#8221;, diz Sylvia. &#8220;Esse \u00e9 um evento pontual, j\u00e1 a carreira \u00e9 para a vida toda e as demandas corporativas continuam ocorrendo e merecem dedica\u00e7\u00e3o&#8221;, diz ela, que se casou em junho deste ano.<\/p>\n<p>Nem todas as empresas t\u00eam um ambiente prop\u00edcio \u00e0 revela\u00e7\u00e3o de emo\u00e7\u00f5es. &#8220;O n\u00edvel de competi\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o alto em algumas companhias que, para n\u00e3o se fragilizar diante dos colegas, os funcion\u00e1rios preferem enfrentar sozinhos a alegria ou a tristeza&#8221;, afirma Dam\u00e1ris, psic\u00f3loga da FGV-RJ. Se voc\u00ea est\u00e1 empregado em um lugar assim e est\u00e1 diante de uma situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, n\u00e3o hesite em recorrer ao RH ou a um psic\u00f3logo. &#8220;O pior a fazer \u00e9 deixar a vida te levar&#8221;, afirma Damaris.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>&#8220;Com a gravidez fiquei mais focada&#8221;<\/strong><\/p>\n<p>Karla Basile, de 31 anos, gerente s\u00eanior da Chemtech, empresa de servi\u00e7os para o mercado de petr\u00f3leo, no Rio de Janeiro, espera o segundo filho para os pr\u00f3ximos meses. A primeira gesta\u00e7\u00e3o, de Beatriz, de 3 anos, tornou a engenheira qu\u00edmica uma pessoa mais aberta, mais sens\u00edvel ao problema dos outros, mais compreensiva. &#8220;A experi\u00eancia da maternidade fez de mim uma gestora melhor&#8221;, diz Karla, respons\u00e1vel por uma equipe de 130 profissionais. Ela conta que est\u00e1 mais sens\u00edvel e emotiva devido \u00e0 nova gravidez, mas tenta manter intacto o desempenho no trabalho. Para isso, continua a estabelecer limites para os funcion\u00e1rios, a zelar pela entrega de projetos com a melhor qualidade poss\u00edvel e a cobrar o cumprimento dos prazos como antes. Desta vez, ela est\u00e1 menos ansiosa, aprendeu a lidar com os problemas com mais tranquilidade e passou a ser mais focada. &#8220;Com isso, minha produtividade aumentou&#8221;, comemora Karla.<br \/>\nFonte: Voc\u00ea S\/A<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eventos como separa\u00e7\u00e3o, doen\u00e7as graves e morte t\u00eam impacto no desempenho no trabalho. Saiba o que dizem os especialistas para encarar esses problemas Deixe os problemas do lado de fora da empresa. Durante anos, essa frase pertenceu ao corol\u00e1rio de boas maneiras no trabalho. 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