{"id":7524,"date":"2016-04-13T10:53:22","date_gmt":"2016-04-13T13:53:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=7524"},"modified":"2016-04-13T11:07:44","modified_gmt":"2016-04-13T14:07:44","slug":"brasil-em-recessao-fui-demitido-e-agora","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/comportamento\/brasil-em-recessao-fui-demitido-e-agora\/","title":{"rendered":"Brasil em recess\u00e3o: fui demitido. E agora?"},"content":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-7525 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Brasil-em-recess\u00e3o-fui-demitido.-E-agora-300x169.jpg\" alt=\"Brasil em recess\u00e3o fui demitido. E agora\" width=\"465\" height=\"262\" srcset=\"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Brasil-em-recess\u00e3o-fui-demitido.-E-agora-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Brasil-em-recess\u00e3o-fui-demitido.-E-agora.jpg 660w\" sizes=\"auto, (max-width: 465px) 100vw, 465px\" \/><\/p>\n<p>Milhares de brasileiros t\u00eam feito a pergunta acima nos \u00faltimos meses, em fun\u00e7\u00e3o da queda no n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica.<\/p>\n<p>Segundo o instituto, o PIB de abril a junho teve uma contra\u00e7\u00e3o de 1,9% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre anterior, que, por sua vez, tinha registrado uma queda de 0,7% &#8211;o que nos coloca oficialmente em recess\u00e3o t\u00e9cnica.<\/p>\n<p>Mas recess\u00e3o significa muito mais que um n\u00famero negativo na planilha de economistas &#8211;e talvez a forma mais direta com que atinja a vida das pessoas seja mesmo pelo aumento do desemprego.<\/p>\n<p>Segundo a Pnad Cont\u00ednua, pesquisa sobre emprego do IBGE,\u00a0a taxa chegou a 8,3% no segundo trimestre<a href=\"http:\/\/economia.uol.com.br\/empregos-e-carreiras\/noticias\/redacao\/2015\/08\/25\/desemprego-sobe-a-83-no-segundo-trimestre-diz-ibge.htm\">\u00a0<\/a>deste ano, a maior desde o in\u00edcio da s\u00e9rie hist\u00f3rica, em 2012 &#8211;na Bahia, o \u00edndice superou os 12%.<\/p>\n<p>Desde o in\u00edcio do ano, mais de 350 mil brasileiros perderam seus trabalhos no setor privado, segundo dados do IBGE, que, nesse levantamento, leva em conta apenas os que tem carteira assinada.<\/p>\n<p>O que \u00e9 pior: hoje, consultorias econ\u00f4micas preveem pelo menos dois anos de PIB negativo &#8211;ou seja, outros milhares ainda podem perder seu ganha-p\u00e3o nos pr\u00f3ximos meses.<\/p>\n<p>Para ajudar na saga de quem est\u00e1 buscando um novo trabalho neste cen\u00e1rio nada animador, a BBC Brasil pediu para que leitores colocassem suas d\u00favidas sobre o tema em entrevistas e postagens nas redes sociais.<\/p>\n<p>Procuramos gestores de carreira e recrutadores para conseguir as respostas. Confira abaixo:<\/p>\n<h3>1. Vale a pena investir em qualifica\u00e7\u00e3o e idiomas?<\/h3>\n<p>H\u00e1 consenso entre especialistas consultados pela BBC Brasil que aprender ingl\u00eas \u00e9 essencial para quem busca uma recoloca\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o ter conhecimento de idiomas pode exclu\u00ed-lo de um processo seletivo&#8221;, diz F\u00e1bio Cunha, da empresa de recrutamento e sele\u00e7\u00e3o Michael Page.<\/p>\n<p>&#8220;Se voc\u00ea tiver condi\u00e7\u00f5es financeiras, talvez essa seja at\u00e9 a oportunidade que precisava para passar um tempo em um pa\u00eds estrangeiro e melhorar o ingl\u00eas&#8221;, diz Lucas Nogueira, da Robert Half, empresa especializada na busca de profissionais qualificados.<\/p>\n<p>Sobre os outros cursos de qualifica\u00e7\u00e3o, os especialistas dizem que \u00e9 preciso pesar bem custos e benef\u00edcios.<\/p>\n<p>Telma Guido, consultora s\u00eanior da Right, empresa ligada ao ManpowerGroup, ressalta que eles podem ser uma boa oportunidade para o profissional se atualizar em sua \u00e1rea ou at\u00e9 explorar uma \u00e1rea correlata.<\/p>\n<p>&#8220;Mas n\u00e3o \u00e9 qualquer qualifica\u00e7\u00e3o que vale a pena, o curso precisa estar bem alinhado com sua carreira. E \u00e9 preciso tomar cuidado especial com os muito caros, caso dos MBAs, mestrados e etc.&#8221;<\/p>\n<p>Cunha concorda. &#8220;Afinal, um curso pode at\u00e9 fazer a diferen\u00e7a em um ou outro caso espec\u00edfico, mas no geral \u00e9 apenas mais um entre muitos fatores a serem considerados na competi\u00e7\u00e3o por vagas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Para os especialistas, os cursos de mestrado e doutorado, em especial, seriam mais adequados para quem quer uma carreira acad\u00eamica. No mercado, seriam valorizados apenas em ocupa\u00e7\u00f5es espec\u00edficas.<\/p>\n<p>Sobre fazer um curso para mudar de \u00e1rea, os especialistas divergem. Para Guido, o profissional tem de considerar que, com a crise, ter\u00e1 de competir com outras pessoas que j\u00e1 t\u00eam experi\u00eancia nessa nova \u00e1rea.<\/p>\n<p>Nogueira acredita que o risco pode valer a pena. &#8220;Essa \u00e9, afinal, uma oportunidade para voc\u00ea avaliar os rumos de sua carreira. Voc\u00ea pode ir para uma \u00e1rea que lhe deixe mais feliz ou esteja resistindo melhor \u00e0 recess\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p>Para ele, quando o tema \u00e9 cursos de qualifica\u00e7\u00e3o, os contatos feitos na sala de aula s\u00e3o t\u00e3o importantes quanto os conte\u00fados ministrados.<\/p>\n<p>&#8220;O curso pode lhe agregar network (rede de relacionamentos). Voc\u00ea pode conhecer algu\u00e9m que sabe de um novo projeto em sua \u00e1rea, por exemplo. Se trabalha em vendas e faz um curso de marketing, vai encontrar gente dessa \u00e1rea. Ou se decidiu largar tudo e virar chef de cozinha, \u00e9 no curso que vai encontrar pessoas no mesmo caminho.&#8221;<\/p>\n<h3>2. E abrir um neg\u00f3cio pr\u00f3prio?<\/h3>\n<p>&#8220;N\u00e3o h\u00e1 receita de bolo, mas \u00e9 preciso cuidado com as propostas de retorno mirabolantes&#8221;, recomenda Nogueira.<\/p>\n<p>Ele diz que \u00e9 comum que uma pessoa que trabalhava de 8 a 10 horas por dia sonhando em ter uma pousada no litoral queira pegar o dinheiro recebido na rescis\u00e3o de seu contrato para seguir esse sonho.<\/p>\n<p>&#8220;At\u00e9 porque a pessoa fica meio desnorteada de n\u00e3o ter de ir para o escrit\u00f3rio na segunda de manh\u00e3. Mas \u00e9 preciso muita calma e sangue frio para abrir um neg\u00f3cio. Os riscos precisam ser muito bem avaliados&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Cunha faz uma recomenda\u00e7\u00e3o semelhante. &#8220;O profissional brasileiro tem uma tend\u00eancia empreendedora &#8211; e abrir um neg\u00f3cio com o dinheiro recebido ap\u00f3s a demiss\u00e3o vai ser uma tenta\u00e7\u00e3o para muita gente&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>&#8220;Mas \u00e9 preciso lembrar que, em um momento de recess\u00e3o econ\u00f4mica, os riscos desse caminho s\u00e3o ainda maiores. A decis\u00e3o precisa ser muito bem pensada.&#8221;<\/p>\n<h3>3. Onde procurar trabalho?<\/h3>\n<p>O primeiro passo \u00e9 o que os especialistas definem como &#8220;ativar sua rede de relacionamentos&#8221;, ou seja, contatar antigos chefes e colegas, conhecidos e profissionais de sua \u00e1rea.<\/p>\n<p>O objetivo \u00e9 detectar onde podem estar surgindo novas oportunidades e se mostrar dispon\u00edvel.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o \u00e9 para apenas disparar e-mails com curr\u00edculos em anexo. Voc\u00ea precisa trocar informa\u00e7\u00f5es sobre o setor e tamb\u00e9m engajar algumas pessoas na sua busca por trabalho. Elas precisam se lembrar de voc\u00ea quando souberem de uma oportunidade&#8221;, diz Nogueira.<\/p>\n<p>A internet \u00e9 hoje a grande aliada de quem est\u00e1 atr\u00e1s de um novo trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Al\u00e9m de se cadastrar nos sites das empresas a pessoa deve manter atualizado seu perfil no LinkedIn (rede social de neg\u00f3cios) e conferir as vagas anunciadas ali&#8221;, recomenda o especialista da Robert Half.<\/p>\n<p>&#8220;Os sites de busca de emprego tamb\u00e9m podem ajudar. E outra dica boa pode ser participar de grupos de discuss\u00e3o tem\u00e1ticos em redes sociais, pois muitas vezes os head hunters (ca\u00e7adores de talentos) anunciam vagas nesses f\u00f3runs.&#8221;<\/p>\n<h3>4. Como manter a disposi\u00e7\u00e3o e autoestima elevadas?<\/h3>\n<p>&#8220;Uma receita b\u00e1sica \u00e9: mantenha a disciplina. Acorde cedo, coloque uma roupa social. Marque almo\u00e7os com pessoas da sua \u00e1rea, leia muito, fa\u00e7a algum exerc\u00edcio e mantenha-se ativo&#8221;, diz Nogueira.<\/p>\n<p>&#8220;Uma demiss\u00e3o tem de ser encarada como uma oportunidade de voc\u00ea revisar sua carreira e rumos profissionais, n\u00e3o d\u00e1 para se desesperar &#8211; at\u00e9 porque as pessoas est\u00e3o ficando desempregadas na realidade em fun\u00e7\u00e3o de um problema da economia.&#8221;<\/p>\n<p>Para Guido, a busca por um emprego deve ser encarada como um trabalho.<\/p>\n<p>&#8220;Esse acaba sendo um teste de resili\u00eancia. Se voc\u00ea se abate e perde a confian\u00e7a, pode ir mal em uma entrevista e reduz suas chances de encontrar uma boa oportunidade&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Fazer trabalhos tempor\u00e1rios em sua \u00e1rea tamb\u00e9m pode ajudar nessa quest\u00e3o da autoestima, segundo a consultora.<\/p>\n<p>&#8220;Mas se o trabalho for um &#8216;bico&#8217;, fora de sua \u00e1rea \u00e9 preciso tomar cuidado para que ele n\u00e3o consuma todo seu tempo e energia e tire seu foco da busca de um novo emprego. \u00c9 preciso que haja um equil\u00edbrio.&#8221;<\/p>\n<h3>5. Como chamar a aten\u00e7\u00e3o de recrutadores que avaliam tanta gente qualificada?<\/h3>\n<p>Segundo Cunha, um curr\u00edculo &#8220;eficiente&#8221; fala de maneira clara e objetiva o que a pessoa fez em cada lugar que trabalhou e por que fez a diferen\u00e7a para a empresa.<\/p>\n<p>&#8220;Um curr\u00edculo n\u00e3o pode ter mais de duas p\u00e1ginas e precisa ser claro e objetivo. Uma dica legal \u00e9 fazer a divis\u00e3o por pontos, como em uma apresenta\u00e7\u00e3o de Power Point&#8221;, completa Nogueira.<\/p>\n<p>No caso de vagas espec\u00edficas, \u00e9 interessante ressaltar experi\u00eancias e compet\u00eancias que possam ser interessantes para a fun\u00e7\u00e3o anunciada.<\/p>\n<p>E na entrevista, os recrutadores lembram que os candidatos precisam mostrar que estudaram a empresa e tem uma ideia clara de como podem contribuir para potencializar seus resultados.<\/p>\n<h3>6. Como explicar uma demiss\u00e3o?<\/h3>\n<p>A regra seria transpar\u00eancia. &#8220;N\u00e3o minta. \u00c9 preciso ser direto e objetivo, mas sem se alongar muito. N\u00e3o d\u00e1 para ficar falando mal do emprego anterior ou do chefe&#8221;, diz Guido.<\/p>\n<p>&#8220;Se houve uma reestrutura\u00e7\u00e3o na empresa, ou a empresa fechou, nem h\u00e1 muito o que explicar. Se o problema foi o desentendimento com gerente ou diretor, fale abertamente: &#8216;Foi uma incompatibilidade de ideias, de estilos ou algo do tipo'&#8221;, completa Nogueira.<\/p>\n<h3>7. E quem est\u00e1 fora do mercado h\u00e1 algum tempo e precisa voltar?<\/h3>\n<p>Para Nogueira, os projetos ou trabalhos tempor\u00e1rios s\u00e3o uma \u00f3tima forma desses profissionais que est\u00e3o afastados conseguirem voltar ao mercado.<\/p>\n<p>&#8220;No caso de uma engenheira civil, por exemplo, pode ser uma obra, uma reforma ou uma parceria com um arquiteto&#8221;, diz ele.<\/p>\n<p>Guido diz que o afastamento em fun\u00e7\u00e3o de maternidade, caso da leitora Mayara Porf\u00edrio, \u00e9 aceito e compreendido por boa parte das empresas.<\/p>\n<p>Para ela, se tiver pressa de entrar no mercado, a profissional pode &#8216;flexibilizar&#8217; sua busca.<\/p>\n<p>&#8220;Talvez seja o caso de aceitar posi\u00e7\u00f5es um pouco mais baixas e depois tentar subir na empresa, ou de procurar ocupa\u00e7\u00f5es em \u00e1reas correlatas&#8221;, diz ela.<\/p>\n<p>Cunha concorda: &#8220;Ela pode tentar entender quais das suas habilidades e compet\u00eancias poderiam fazer a diferen\u00e7a em \u00e1reas e setores que est\u00e3o resistindo melhor \u00e0 crise.&#8221;<\/p>\n<h3>8. Qual o melhor momento para procurar est\u00e1gio?<\/h3>\n<p>Os programas de est\u00e1gio e trainee est\u00e3o resistindo \u00e0 crise, como relataram empresas de recrutamento em mat\u00e9ria recente publicada pela BBC Brasil.<\/p>\n<p>Segundo Guido e Nogueira, um bom momento para fazer est\u00e1gio seria no segundo ou terceiro ano. Para a consultora da Right, o primeiro ano seria uma fase de adapta\u00e7\u00e3o ao curso, na qual o estudante estaria ganhando maturidade.<\/p>\n<p>J\u00e1 Cunha acha que se o estudante tiver uma oportunidade e a carga hor\u00e1ria do curso permitir, come\u00e7ar logo do primeiro ano pode ser interessante para que ele j\u00e1 possa ter contato com o ambiente corporativo e comece a entender suas prefer\u00eancias em termos de carreira.<\/p>\n<p>&#8220;O quanto antes, melhor. Mas \u00e9 preciso entender que um est\u00e1gio que voc\u00ea vai conseguir no primeiro ano pode envolver fun\u00e7\u00f5es mais simples, operacionais. O estudante precisa ajustar suas expectativas&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Fonte: BBC<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Milhares de brasileiros t\u00eam feito a pergunta acima nos \u00faltimos meses, em fun\u00e7\u00e3o da queda no n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica. 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