{"id":7577,"date":"2016-06-16T15:00:50","date_gmt":"2016-06-16T18:00:50","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=7577"},"modified":"2016-06-16T10:08:17","modified_gmt":"2016-06-16T13:08:17","slug":"contra-excesso-de-trabalho-franca-propoe-limitar-acesso-a-e-mail-profissional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/entrevistas\/contra-excesso-de-trabalho-franca-propoe-limitar-acesso-a-e-mail-profissional\/","title":{"rendered":"Contra excesso de trabalho, Fran\u00e7a prop\u00f5e limitar acesso a e-mail profissional"},"content":{"rendered":"<p>Governos devem regular o uso de e-mails de trabalho, para evitar a sobrecarga de trabalhadores? Na Fran\u00e7a, a resposta \u00e0 pergunta caminha em dire\u00e7\u00e3o ao &#8220;sim&#8221;.<\/p>\n<p>O Partido Socialista do presidente franc\u00eas, Fran\u00e7ois Hollande, pretende votar uma medida que d\u00ea aos empregados, pela primeira vez, o &#8220;direito de se desconectar&#8221;.<\/p>\n<p>Empresas que empregam mais de 50 pessoas ser\u00e3o obrigadas a elaborar uma carta de boa conduta estabelecendo quais s\u00e3o os hor\u00e1rios fora da jornada de trabalho &#8211; normalmente o per\u00edodo noturno e o fim de semana &#8211; quando os funcion\u00e1rios n\u00e3o deveriam enviar ou responder e-mails profissionais.<\/p>\n<p>O assunto j\u00e1 foi motivo de piada na imprensa internacional quando a proposta foi sugerida pela primeira vez, com ironias a eventuais inspetores bisbilhotando os trabalhadores mais plugados.<\/p>\n<p>Mas o governo franc\u00eas argumenta que o problema da conex\u00e3o permanente com o trabalho \u00e9 universal e crescente &#8211; e que uma interven\u00e7\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria.<\/p>\n<p>&#8220;Todos os estudos mostram que existe muito mais estresse relacionado ao trabalho hoje do que havia antes, e que este estresse \u00e9 constante&#8221;, disse \u00e0 BBC o parlamentar socialista Benoit Hamon.<\/p>\n<p>&#8220;Os funcion\u00e1rios saem fisicamente do escrit\u00f3rio, mas eles n\u00e3o saem do trabalho. Eles continuam presos por um tipo de coleira eletr\u00f4nica &#8211; como um cachorro. As mensagens de texto e os e-mails colonizam a vida do indiv\u00edduo at\u00e9 que ele ou ela desmorone.&#8221;<\/p>\n<p>A medida faz parte de uma lei trabalhista, batizada com o nome da ministra do Trabalho Maryam El Khomri. Muitas das normas em discuss\u00e3o desencadearam semanas de protestos na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Mas, em meio \u00e0s diverg\u00eancias quanto \u00e0 lei, h\u00e1 certo consenso em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 cl\u00e1usula da &#8220;desconex\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>Revolu\u00e7\u00e3o digital<br \/>\nPoucos &#8211; na Fran\u00e7a ou em qualquer outro pa\u00eds &#8211; discordariam de que a falta de limites entre o hor\u00e1rio de trabalho e o hor\u00e1rio de descanso \u00e9 uma consequ\u00eancia problem\u00e1tica da revolu\u00e7\u00e3o digital.<\/p>\n<p>&#8220;Em casa, o local de trabalho pode ser a cozinha, o banheiro ou o quarto. Passa-se de um e-mail de trabalho a um WhatsApp pessoal, a uma foto no Facebook e a uma mensagem de texto de trabalho &#8211; tudo na mesma ferramenta&#8221;, afirma Linh Le, da consultoria em gerenciamento Elia, em Paris.<\/p>\n<p>&#8220;Voc\u00ea est\u00e1 em casa, mas voc\u00ea est\u00e1 ausente, e isso \u00e9 uma amea\u00e7a real aos relacionamentos&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>Le diz que as empresas que ela aconselha est\u00e3o cada vez mais cientes dos perigos que isso representa para os funcion\u00e1rios. A amea\u00e7a mais extrema \u00e9 o chamado &#8220;burnout&#8221; (ou exaust\u00e3o), que ela descreve como &#8220;sofrimento f\u00edsico, psicol\u00f3gico e emocional causado por uma total inabilidade de descansar&#8221;.<\/p>\n<p>Mas, al\u00e9m de poupar seus funcion\u00e1rios do sofrimento, as companhias tamb\u00e9m precisam que seus funcion\u00e1rios sejam criativos. E isso \u00e9 menos prov\u00e1vel sem um hor\u00e1rio regular de descanso, segundo Le.<\/p>\n<p>A consultora elogia a iniciativa de uma companhia de seguros dos Estados Unidos que deu aos funcion\u00e1rios dispositivos para monitorar o sono e paga b\u00f4nus para aqueles que conseguem 20 boas noites de sono consecutivas.<\/p>\n<p>&#8220;Mostra como as empresas reconhecem a import\u00e2ncia de n\u00e3o assediar os funcion\u00e1rios em casa.&#8221;<\/p>\n<p>&#8220;Aqui na Fran\u00e7a falamos de dois tipos de tempo, como na defini\u00e7\u00e3o dos gregos: chronos e keiros. Chronos \u00e9 o tempo regular, que pode ser dividido. Keiros \u00e9 o tempo inconsciente&#8230; o tempo criativo. Keiros \u00e9 essencial para o pensamento produtivo, e os bons empregadores sabem que precisam proteg\u00ea-lo.&#8221;<\/p>\n<p>Funciona?<br \/>\nMas muitos duvidam que a restri\u00e7\u00e3o proposta v\u00e1 funcionar.<\/p>\n<p>Na PriceMinister &#8211; uma empresa de com\u00e9rcio online sediada em Paris -, o presidente-executivo Olivier Mathiot instituiu as &#8220;sextas-feiras sem e-mail&#8221;, para estimular os funcion\u00e1rios a usarem menos a ferramenta.<\/p>\n<p>A gerente de vendas Tiphanie Schmitt concorda com a iniciativa &#8211; por estimular as pessoas a conversarem -, mas ela diz que n\u00e3o gostaria de ver o governo interferindo na forma como ela trabalha.<\/p>\n<p>&#8220;Eu trabalho com vendas. Gosto de vendas. Significa que eu uso e-mail tarde da noite e durante o fim de semana. N\u00e3o quero que minha empresa me impe\u00e7a de usar minha caixa de e-mail s\u00f3 por causa de uma lei&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Em um bar chamado Bowler, perto da Champs-Elysees, local onde se re\u00fanem funcion\u00e1rios dos setores financeiro e de tecnologia, as opini\u00f5es s\u00e3o parecidas.<\/p>\n<p>&#8220;Acho que (o direito de se desconectar) \u00e9 maravilhoso para melhorar a condi\u00e7\u00e3o humana, mas totalmente inaplic\u00e1vel&#8221;, diz o programador de software Gregory.<\/p>\n<p>&#8220;Em minha companhia n\u00f3s competimos com desenvolvedores da \u00cdndia, China, Estados Unidos. Precisamos falar com pessoas no mundo todo tarde da noite. Nossos concorrentes n\u00e3o ter\u00e3o as mesmas restri\u00e7\u00f5es (caso a norma entre em vigor). Obedecer essa lei seria um tiro no p\u00e9.&#8221;<\/p>\n<p>Olivier Mathiot, da PriceMinister, acha que a quest\u00e3o deve ser tratada como uma quest\u00e3o de educa\u00e7\u00e3o, e n\u00e3o de legisla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8220;Na Fran\u00e7a somos campe\u00f5es em aprovar leis, mas elas nem sempre ajudam quando o que precisamos \u00e9 uma maior flexibilidade no local de trabalho&#8221;, opina.<\/p>\n<p>Para Linh Le, da consultoria Elia, a lei pode se tornar irrelevante rapidamente.<\/p>\n<p>&#8220;Em poucos anos os e-mails v\u00e3o deixar de existir. Teremos outra coisa&#8221;, argumenta.<\/p>\n<p>Mesmo os que torcem pela aprova\u00e7\u00e3o da lei, como o parlamentar Benoit Hamon, admitem que o impacto dela \u00e9 limitado &#8211; a proposta n\u00e3o prev\u00ea penas para a viola\u00e7\u00e3o da lei. As empresas devem obedecer de forma volunt\u00e1ria.<\/p>\n<p>Mas quase todos na Fran\u00e7a concordam que a quest\u00e3o do excesso de comunica\u00e7\u00e3o precisa estar na pauta de todos os empregadores.<\/p>\n<p><small>Fonte: IG &#8211; Economia<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governos devem regular o uso de e-mails de trabalho, para evitar a sobrecarga de trabalhadores? Na Fran\u00e7a, a resposta \u00e0 pergunta caminha em dire\u00e7\u00e3o ao &#8220;sim&#8221;. O Partido Socialista do presidente franc\u00eas, Fran\u00e7ois Hollande, pretende votar uma medida que d\u00ea aos empregados, pela primeira vez, o &#8220;direito de se desconectar&#8221;. 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