{"id":7586,"date":"2016-06-14T11:00:38","date_gmt":"2016-06-14T14:00:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/?p=7586"},"modified":"2016-06-09T16:21:41","modified_gmt":"2016-06-09T19:21:41","slug":"funcionario-pode-demitir-a-empresa-entenda-como-funciona-a-rescisao-indireta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.curriculum.com.br\/blog\/curiosidades\/funcionario-pode-demitir-a-empresa-entenda-como-funciona-a-rescisao-indireta\/","title":{"rendered":"Funcion\u00e1rio pode &#8220;demitir&#8221; a empresa? Entenda como funciona a rescis\u00e3o indireta"},"content":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que o funcion\u00e1rio que passou meses sem receber sal\u00e1rio, sofreu situa\u00e7\u00f5es constrangedoras de ass\u00e9dio moral ou trabalhou para uma empresa que fazia o recolhimento irregular do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o) pode recorrer \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho para &#8220;demitir&#8221; o empregador?<\/p>\n<p>Essa modalidade de rescis\u00e3o de contrato de trabalho, tamb\u00e9m conhecida como demiss\u00e3o indireta, ocorre por iniciativa do empregado quando o empregador desrespeita e comete falta grave contra o empregado, por n\u00e3o cumprir a lei ou as condi\u00e7\u00f5es contratuais acordadas.<\/p>\n<p>O nome, rescis\u00e3o indireta, \u00e9 atribuido ao fato de o empregador agir de tal modo que torna imposs\u00edvel ou intoler\u00e1vel a continua\u00e7\u00e3o da presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os por parte do funcion\u00e1rio, mesmo sem a sua demiss\u00e3o.<\/p>\n<p>Quando a rescis\u00e3o indireta \u00e9 reconhecida pela Justi\u00e7a, o empregador tem de pagar ao ex-funcion\u00e1rio todas as verbas rescis\u00f3rias, como se o funcion\u00e1rio tivesse sido demitido sem justa causa. Isso inclui o saldo de sal\u00e1rio (correspondente aos dias trabalhados), o aviso-pr\u00e9vio (trabalhado ou indenizado e proporcional ao tempo de servi\u00e7o), f\u00e9rias vencidas e proporcionais acrescidas de 1\/3, 13\u00ba sal\u00e1rio, libera\u00e7\u00e3o dos valores depositados no FGTS, acrescidos de multa de 40% e entrega das guias para solicita\u00e7\u00e3o do seguro-desemprego.<\/p>\n<p>De acordo o Tribunal Superior do Trabalho, apesar de a iniciativa formal para a rescis\u00e3o ser tamb\u00e9m do empregado, a motiva\u00e7\u00e3o \u00e9 diferente da do pedido de demiss\u00e3o, que ocorre quando o trabalhador pede para sair da empresa por interesses pessoais e, por esse motivo, perde o direito \u00e0 indeniza\u00e7\u00e3o e libera\u00e7\u00e3o de FGTS.<\/p>\n<p>Para conseguir a rescis\u00e3o indireta, \u00e9 necess\u00e1rio que haja alguma das situa\u00e7\u00f5es listadas pelo artigo 483 da Consolida\u00e7\u00e3o das Leis de Trabalho (CLT). Veja quais s\u00e3o:<\/p>\n<p>Se forem exigidos servi\u00e7os superiores \u00e0s suas for\u00e7as, defesos por lei, contr\u00e1rios aos bons costumes, ou alheios ao contrato<\/p>\n<p>&#8220;A express\u00e3o servi\u00e7os superiores \u00e0s suas for\u00e7as deve ser interpretada em sentido amplo, n\u00e3o apenas, \u00e0s for\u00e7as f\u00edsicas do empregado, mas tamb\u00e9m \u00e0 sua habilita\u00e7\u00e3o profissional ou t\u00e9cnica&#8221;, explica o advogado trabalhista Maur\u00edcio Borges, do escrit\u00f3rio Advocacia Trabalhista Borges. &#8220;J\u00e1 os servi\u00e7os exigidos, alheios ao contrato de trabalho, s\u00e3o aqueles que n\u00e3o condizem com os termos estipulados entre as partes no contrato de trabalho&#8221;, completa.<\/p>\n<p>Como exemplificam as advogadas trabalhistas C\u00e9lia Mara Peres e Luiza Cruz Greiner, ambas s\u00f3cias do escrit\u00f3rio Lilla, Huck, Otranto e Camargo Advogados, pode acontecer de o funcion\u00e1rio se ver for\u00e7ado a trabalhar sem a ajuda de equipamentos necess\u00e1rios para desenvolver a sua fun\u00e7\u00e3o, ou ser obrigado a realizar tarefas que n\u00e3o s\u00e3o compat\u00edveis com a sua fun\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se o funcion\u00e1rio for tratado pelo empregador ou por seus superiores hier\u00e1rquicos com rigor excessivo<\/p>\n<p>&#8220;O empregado n\u00e3o deve ser tratado com rigor, muito menos excessivo, porque a rela\u00e7\u00e3o de emprego deve ser pautada com educa\u00e7\u00e3o e cortesia por todos os sujeitos envolvidos nela&#8221;, diz Borges. &#8220;O empregador tem o poder de aplicar puni\u00e7\u00f5es pedag\u00f3gicas, por meio de advert\u00eancias e suspens\u00f5es, mas isso n\u00e3o significa que o empregador tem carta branca para agir de qualquer maneira, como com brutalidade e descortesia, que caracterizam excessos do poder de comando&#8221;, complementa.<\/p>\n<p>A intoler\u00e2ncia ou a implic\u00e2ncia sem motivo ou a persegui\u00e7\u00e3o a determinado empregado de enquadram nesse tipo de situa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Se correr perigo manifesto de mal consider\u00e1vel<\/p>\n<p>A n\u00e3o-ado\u00e7\u00e3o pelo empregador de medidas habitualmente utilizadas de normas de higiene e seguran\u00e7a do trabalho podem implicar o reconhecimento da rescis\u00e3o indireta.<\/p>\n<p>&#8220;A infra\u00e7\u00e3o somente est\u00e1 configurada se o empregador submeter o funcion\u00e1rio a risco que n\u00e3o tenha previs\u00e3o no contrato ou que poderia ter sido evitado com o uso de equipamento de prote\u00e7\u00e3o individual&#8221;, esclarece Borges.<\/p>\n<p>Obrigar um funcion\u00e1rio a usar um ve\u00edculo em condi\u00e7\u00f5es prec\u00e1rias para a realiza\u00e7\u00e3o de suas fun\u00e7\u00f5es de motorista ou a trabalhar em grandes alturas sem equipamentos de seguran\u00e7a e prote\u00e7\u00e3o se encaixam nesse t\u00f3pico, por exemplo.<\/p>\n<p>N\u00e3o cumprir o empregador as obriga\u00e7\u00f5es do contrato<\/p>\n<p>Essas obriga\u00e7\u00f5es contratuais englobam, al\u00e9m do convencionado pelo empregador e pelo funcion\u00e1rio no contrato individual de trabalho, as cl\u00e1usulas contratuais previstas na lei e em normas coletivas, como senten\u00e7as normativas, conven\u00e7\u00f5es e acordos coletivos.<\/p>\n<p>&#8220;As hip\u00f3teses de descumprimento das obriga\u00e7\u00f5es contratuais poder\u00e3o ocorrer no que tange a fun\u00e7\u00e3o, ao sal\u00e1rio, ao hor\u00e1rio e ao local de trabalho&#8221;, explica Borges.<\/p>\n<p>Praticar o empregador ou seus prepostos, contra ele ou pessoas de sua fam\u00edlia, ato lesivo da honra e boa fama<\/p>\n<p>&#8220;Nesse caso n\u00e3o h\u00e1 somente uma justa causa, mas duas. A honra n\u00e3o se confunde com a boa fama e basta les\u00e3o a uma ou a outra para caracteriza\u00e7\u00e3o da justa causa&#8221;, observa Borges.<\/p>\n<p>&#8220;A honra se refere a ofensas de cunho moral, e a boa fama, se refere \u00e0 imagem do funcion\u00e1rio e da sua fam\u00edlia. Esses conceitos englobam os crimes de inj\u00faria, cal\u00fania ou difama\u00e7\u00e3o, que poder\u00e3o ser cometidos diretamente pelo empregador, ou por chefias empresariais&#8221;, acrescenta.<\/p>\n<p>O funcion\u00e1rio que sofre cal\u00fania, difama\u00e7\u00e3o ou inj\u00faria dentro ou fora da empresa por parte do empregador pode ter conhecida a rescis\u00e3o indireta.<\/p>\n<p>Se o empregador ou seus prepostos ofenderem-no fisicamente, salvo em caso de leg\u00edtima defesa, pr\u00f3pria ou de outrem<\/p>\n<p>As agress\u00f5es previstas nesta al\u00ednea determina que as agress\u00f5es s\u00e3o de natureza f\u00edsica, o que n\u00e3o inclui les\u00f5es corporais. &#8220;N\u00e3o \u00e9 necess\u00e1ria a ocorr\u00eancia de um ferimento em si, apenas a ofensa que traduz a agress\u00e3o, como um pontap\u00e9 ou um tapa&#8221;, explica Borges. Mas aten\u00e7\u00e3o, a justa causa \u00e9 descartada nos casos em que o empregador estiver agindo em leg\u00edtima defesa pr\u00f3pria ou de terceiros.<\/p>\n<p>Se o empregador reduzir o seu trabalho, sendo este por pe\u00e7a ou tarefa, de forma a afetar sensivelmente a import\u00e2ncia dos sal\u00e1rios<\/p>\n<p>Nesse caso, \u00e9 necess\u00e1rio que a m\u00e9dia salarial mensal do funcion\u00e1rio seja afetada de forma negativa e substancial para que seja reconhecida a rescis\u00e3o indireta. &#8220;Aquelas pequenas varia\u00e7\u00f5es que ocorrem entre as semanas de trabalho n\u00e3o configuram, em regra, este tipo jur\u00eddico&#8221;, esclarece Borges.<\/p>\n<p>Nos casos de o empregador n\u00e3o cumprir as obriga\u00e7\u00f5es do contrato e reduzir o trabalho do empregado, provocando uma queda do seu sal\u00e1rio, o empregado poder\u00e1 pleitear a rescis\u00e3o de seu contrato de trabalho e o pagamento das respectivas indeniza\u00e7\u00f5es, permanecendo ou n\u00e3o no servi\u00e7o at\u00e9 final decis\u00e3o do processo. Nessas hip\u00f3teses, a perman\u00eancia no servi\u00e7o n\u00e3o \u00e9 considerada como perd\u00e3o por parte do empregado.<\/p>\n<p>Devo deixar o emprego?<\/p>\n<p>O funcion\u00e1rio pode deixar o emprego se estiver em qualquer uma das situa\u00e7\u00f5es descritas acima, mas deve permanecer no trabalho, especialmente, nos casos de n\u00e3o cumprimento das obriga\u00e7\u00f5es do contrato pelo empregador e de redu\u00e7\u00e3o do trabalho do empregado, de maneira que esta afete sensivelmente o seu sal\u00e1rio.<\/p>\n<p>Somente ap\u00f3s a decis\u00e3o do Tribunal Superior do Trabalho \u00e9 recomendado que o funcion\u00e1rio deixe o servi\u00e7o. Isso porque o trabalhador corre um risco muito grande de o juiz n\u00e3o entender que o descumprimento do contrato de trabalho por parte do empregador realmente configura motivo de rescis\u00e3o indireta.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, as provas apresentadas para embasar a rescis\u00e3o por descumprimento de contrato ou redu\u00e7\u00e3o de sal\u00e1rio costumam ser menos contundentes do que as provas apresentadas nos outros casos de &#8220;demiss\u00e3o&#8221; da empresa. Se o funcion\u00e1rio deixa o trabalho e n\u00e3o apresenta provas desse descumprimento, ele pode perder a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>J\u00e1 se o funcion\u00e1rio optar por permanecer na empresa ap\u00f3s a decis\u00e3o do TST, e for dispensado pelo empregador, a dispensa indireta, solicitada pelo funcion\u00e1rio, ser\u00e1 convertida em uma dispensa por ato do empregador, sem justa causa.<\/p>\n<p>H\u00e1 casos de funcion\u00e1rios que pedem demiss\u00e3o ou mesmo abandonam o trabalho porque n\u00e3o toleram mais o comportamento abusivo do empregador e depois ajuizam a\u00e7\u00e3o pedindo reconhecimento da rescis\u00e3o indireta. Aten\u00e7\u00e3o! Segundo Borges, quando os funcion\u00e1rios pedem demiss\u00e3o ou abandonam o emprego eles n\u00e3o podem, ap\u00f3s terem \u201cdeclarado\u201d a rescis\u00e3o contratual, solicitar a convers\u00e3o da dispensa em rescis\u00e3o indireta. Por isso \u00e9 importante que o funcion\u00e1rio avise ao empregador por que est\u00e1 deixando o servi\u00e7o para a empresa n\u00e3o considerar a sua aus\u00eancia como abandono.<\/p>\n<p>Minha situa\u00e7\u00e3o se encaixa em um dos itens descritos no artigo 483 da CLT. O que eu fa\u00e7o?<\/p>\n<p>Caso o empregado esteja vivenciando uma das situa\u00e7\u00f5es previstas no art. 483 da CLT, Peres e Greiner, recomenda-se, inicialmente, um solu\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel com o empregador, em especial com o departamento de Recursos Humanos, expondo os fatos na tentativa de solucionar o conflito sem envolver o judici\u00e1rio.<\/p>\n<p>\u201cCaso n\u00e3o seja poss\u00edvel a solu\u00e7\u00e3o amig\u00e1vel, recomenda-se que o empregado procure um advogado e informe os fatos e poss\u00edveis provas do ocorrido, para que se analise a viabilidade de notificar o empregador extrajudicialmente ou, ainda, ingressar com uma reclama\u00e7\u00e3o trabalhista\u201d.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse caso, \u00e9 necess\u00e1rio ajuizar uma a\u00e7\u00e3o e submeter-se a um processo com todas as suas etapas e recursos para ver confirmada, ou n\u00e3o, pelo judici\u00e1rio, a falta cometida pelo empregador, e mais do que isso, a gravidade suficiente para declarar insustent\u00e1vel a rela\u00e7\u00e3o de emprego, e assim determinar a rescis\u00e3o indireta do contrato&#8221;, explica Borges.<\/p>\n<p>Indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais<\/p>\n<p>\u201cA empresa dever\u00e1 pagar indeniza\u00e7\u00e3o por danos morais ao trabalhador, nos casos em que este pleitear, al\u00e9m da rescis\u00e3o indireta, eventual dano moral praticado pelo empregador, nas hip\u00f3teses nas quais o motivo da rescis\u00e3o indireta tenha causado preju\u00edzo moral ao empregado\u201d, explica Borges.<\/p>\n<p>Conforme explicam Peres e Greiner, para que haja a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar o abalo moral, s\u00e3o necess\u00e1rios pelo menos tr\u00eas requisitos: a pr\u00e1tica de ato il\u00edcito pela empregadora; a ofensa \u00e0 honra ou \u00e0 dignidade do trabalhador e o nexo de causalidade entre esses elementos.<\/p>\n<p>\u201cTodos esses elementos precisam ser devidamente comprovados para que haja a obriga\u00e7\u00e3o de indenizar\u201d, esclarecem as advogadas do escrit\u00f3rio Lilla, Huck, Otranto e Camargo Advogados.<\/p>\n<p><small>Fonte: IG &#8211; Economia<\/small><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voc\u00ea sabia que o funcion\u00e1rio que passou meses sem receber sal\u00e1rio, sofreu situa\u00e7\u00f5es constrangedoras de ass\u00e9dio moral ou trabalhou para uma empresa que fazia o recolhimento irregular do FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Servi\u00e7o) pode recorrer \u00e0 Justi\u00e7a do Trabalho para &#8220;demitir&#8221; o empregador? 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